Lino fala em “frustração” após vitória do Flamengo e gera debate

A vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro, abriu uma discussão que foi muito além do resultado. A atuação rubro-negra, especialmente no segundo tempo, passou a ser questionada por parte da imprensa esportiva, e uma declaração do comentarista Carlos Eduardo Lino ganhou repercussão ao tratar como possível “frustração” a experiência do torcedor que foi ao estádio assistir a uma partida sem o mesmo nível de intensidade apresentado em outros compromissos da equipe. O debate rapidamente chegou às redes sociais e levantou uma questão recorrente entre flamenguistas: por que o desempenho do Flamengo parece receber uma cobrança diferente daquela aplicada aos seus principais concorrentes?
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
A crítica ao futebol apresentado contra o Mirassol, isoladamente, não representa nenhum problema. Um time pode ganhar e jogar mal, assim como pode perder apresentando um desempenho superior ao adversário. A análise esportiva existe justamente para ir além do placar. O ponto de controvérsia está na utilização da palavra “frustração” para definir a reação de quem viu o Flamengo vencer por dois gols de diferença. Afinal, é possível considerar abaixo do esperado uma atuação específica sem transformar uma vitória segura em motivo de insatisfação para o torcedor.
O contexto ajuda a entender a partida. O Flamengo abriu vantagem, controlou o confronto e não encontrou no Mirassol um adversário capaz de ameaçar constantemente sua meta. Diante desse cenário, existe uma interpretação possível de que a equipe tenha administrado a vantagem e reduzido os riscos depois de construir o resultado. Não necessariamente se trata de uma queda física ou técnica. Pode haver também uma escolha estratégica, especialmente em uma temporada extensa, com calendário apertado e objetivos importantes pela frente.
Esse aspecto ganha ainda mais peso quando se considera o elenco rubro-negro. A profundidade do grupo permite ao treinador alternar peças e administrar minutos, algo que se torna cada vez mais necessário conforme a temporada avança. Exigir intensidade máxima em todos os jogos pode parecer uma consequência natural do tamanho do Flamengo, mas também existe uma diferença entre cobrar uma atuação melhor e ignorar o contexto competitivo em que ela aconteceu.
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
O torcedor pode cobrar, mas também pode comemorar
Existe uma espécie de contradição na forma como parte do debate sobre futebol é conduzida atualmente. Quando um time perde, o resultado costuma ser acompanhado de uma análise detalhada sobre desempenho, escolhas do treinador e comportamento dos jogadores. Quando vence, porém, parece haver cada vez menos espaço para simplesmente reconhecer a vitória.
No caso do Flamengo, essa dinâmica ganha proporções maiores porque o clube construiu uma expectativa de protagonismo permanente. Cada partida passa a ser comparada com a melhor atuação recente, criando uma régua que dificilmente permanece estável. Uma vitória por 2 a 0 pode ser tratada como insuficiente quando o parâmetro utilizado é uma goleada ou uma exibição de alto nível apresentada anteriormente.
O torcedor, contudo, não precisa escolher entre comemorar e analisar. É perfeitamente possível sair satisfeito com os três pontos e, ao mesmo tempo, reconhecer que o futebol poderia ter sido melhor. O problema aparece quando a análise transforma uma vitória controlada em sinal de crise ou quando se presume que quem esteve no estádio necessariamente deixou o local frustrado porque não viu um espetáculo.
A comparação com o Palmeiras
É nesse ponto que surge a discussão sobre a diferença de tratamento entre Flamengo e Palmeiras. A comparação não significa negar as qualidades da equipe paulista, tampouco afirmar que suas vitórias sejam menos legítimas. O questionamento está na maneira como o desempenho de cada time é interpretado.
O Palmeiras, em determinados momentos, consegue resultados importantes sem necessariamente apresentar um futebol dominante durante os 90 minutos. Ainda assim, a sequência positiva costuma ser utilizada como argumento para reforçar a competitividade da equipe e a capacidade de seu treinador de encontrar soluções. Quando o rendimento cai, a discussão também aparece, mas frequentemente o resultado funciona como uma espécie de proteção para a avaliação geral.
Um exemplo foi o confronto entre Flamengo e Palmeiras. A expulsão de Carrascal alterou o cenário da partida e permitiu ao time paulista assumir o controle depois de ficar com um jogador a mais. A vitória por 3 a 0, portanto, não pode ser analisada apenas pelo placar final. O contexto da expulsão e as mudanças realizadas durante o jogo também fazem parte da explicação.
A mesma lógica vale para outras partidas. Um resultado expressivo não transforma automaticamente uma atuação em futebol de excelência, assim como uma vitória por margem menor não significa necessariamente que a equipe tenha decepcionado.
LEIA MAIS:
CASO PREFIRA OUVIR:
A régua precisa ser a mesma
A discussão, no fundo, não é sobre impedir críticas ao Flamengo. Pelo contrário. Um clube do tamanho do Rubro-Negro deve ser cobrado quando seu futebol estiver abaixo do potencial. A questão é saber se a régua utilizada é a mesma para todos.
Quando uma equipe vence por 2 a 0 e administra a partida, existe espaço para dizer que poderia ter produzido mais. Quando outro time consegue uma sequência de resultados positivos com atuações pouco vistosas, também deveria existir liberdade para fazer a mesma observação. A análise esportiva perde qualidade quando o resultado serve como justificativa para um lado e o desempenho passa a ser usado contra o outro.
A cobrança sobre o Flamengo, portanto, não incomoda por existir. Ela faz parte do tamanho que o clube alcançou no futebol brasileiro. O que provoca reação é a sensação de que, em determinados momentos, a exigência deixa de considerar o contexto da partida e passa a tratar qualquer atuação que não seja dominante como insuficiente.
O Flamengo ainda pode jogar melhor do que jogou contra o Mirassol. Isso é uma constatação possível sem diminuir a vitória. O que parece exagerado é transformar uma atuação administrada, depois de uma vantagem construída, em uma experiência necessariamente frustrante para quem foi ao estádio.
No futebol de alto nível, vencer continua sendo uma competência. Jogar bem é outra. As duas coisas podem caminhar juntas, mas não precisam acontecer em intensidade máxima em todas as partidas. Para o torcedor, talvez a medida mais razoável seja justamente essa: comemorar quando o time ganha, cobrar quando necessário e não aceitar que uma vitória precise ser acompanhada de espetáculo para ser valorizada.
Lamentável! Vanessa Riche concorda com Pedrinho nas ofensas a Bap: “Não falou nenhuma mentira”
—
+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.
Descubra mais sobre Ser Flamengo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


