Após a repercussão das declarações de Filipe Luís sobre o caso envolvendo Vinícius Júnior, o lateral Danilo usou as redes sociais para publicar um vídeo em que defende uma postura mais ativa no enfrentamento ao racismo. Na gravação, compartilhada em formato de reels, ele afirma que “pessoas brancas precisam escutar”, ecoando reflexões do filósofo Mario Sergio Cortella sobre preconceito e senso crítico. A manifestação ocorreu poucas horas depois de a fala do treinador rubro-negro ser criticada por parte da torcida.
Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.
O episódio tem origem em entrevistas concedidas por Filipe antes e depois de partida do Flamengo contra o Lanús na Argentina pela Recopa. Ao comentar denúncia de injúria racial, o técnico afirmou que se tratava de “palavra de um contra o outro” e classificou o caso como isolado. A declaração contrastou com a nota oficial do clube, que havia se posicionado de forma contundente contra qualquer forma de discriminação.
A fala que gerou ruído
Na coletiva, Filipe disse que sempre foi bem tratado no país vizinho e evitou ampliar o debate. O tom cauteloso foi interpretado por muitos torcedores como relativização. A crítica não se concentrou apenas na prudência jurídica, mas na ausência de condenação direta e inequívoca.
O contexto pesa. Vinícius Júnior, revelado pelo Flamengo, tornou-se símbolo internacional da luta antirracista após sucessivos ataques na Europa. Cada novo caso ultrapassa o campo esportivo e ganha dimensão social. Quando um treinador brasileiro, à frente do clube formador do atleta, adota discurso moderado, a repercussão é inevitável.
A resposta de Danilo
Horas depois, Danilo publicou vídeo em que cita Cortella e diferencia “ouvir” de “escutar”. Para ele, o preconceito representa um cancelamento do senso crítico e impede aprendizado. Ao afirmar que pessoas brancas devem exercitar empatia antes de julgar, o lateral assumiu posição clara.
A fala foi entendida como contraponto indireto ao treinador. Embora não tenha citado nomes, o timing e o teor do conteúdo colocaram o vídeo no centro do debate. Nas redes sociais, torcedores destacaram a diferença de abordagem entre os dois.
A referência a Eusébio e o debate histórico
Durante transmissões e comentários sobre o caso, parte da discussão resgatou o nome de Eusébio, ídolo histórico do Benfica. O argumento recorrente é que o clube português sempre exaltou um grande jogador negro, como se isso bastasse para afastar críticas estruturais.
A comparação abriu outra frente de análise. Eusébio atuou em Portugal durante o regime salazarista, período marcado por censura e repressão. Não há registros amplos de posicionamentos públicos do atleta contra discriminação, o que alguns interpretam como reflexo do contexto político da época. O contraste com Vinícius, que reage publicamente aos ataques, tornou-se símbolo da mudança de postura entre gerações.
TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:
PARTE 1:
PARTE 2:
Casos recentes enfraquecem tese de “isolado”
A classificação de episódio isolado também foi questionada diante de ocorrências recentes. Em diferentes países, atletas brasileiros relataram ofensas raciais em partidas internacionais. No dia seguinte ao ocorrido com Vini Jr., o atacante Denis Júnior denunciou ataques nas redes sociais após jogo na Ásia, incluindo mensagens direcionadas à família.
A repetição de episódios em curto intervalo fragiliza a ideia de excepcionalidade. Para especialistas em relações raciais, o problema é estrutural e atravessa fronteiras.
VEJA MAIS:
CASO PREFIRA OUVIR:
PARTE 1:
PARTE 2:
O peso institucional
Internamente, o Flamengo aprovou medidas estatutárias de combate à discriminação. O clube tem base social majoritariamente composta por torcedores pretos e pardos, segundo pesquisas nacionais. O alinhamento entre discurso institucional e posicionamento individual tornou-se ponto sensível.
O contraste ficou evidente quando se comparou a brevidade da fala de Filipe com manifestações mais longas e enfáticas de outros treinadores europeus em defesa de Vinícius. A discussão extrapolou o caso específico e passou a tratar de responsabilidade pública.
O debate segue aberto. Não se trata apenas de uma frase em coletiva. Trata-se do papel que figuras públicas desempenham quando o futebol deixa de ser apenas jogo e se torna espelho de tensões sociais.
LAMENTÁVEL! Parte da Torcida do Benfica apoia jogador acusado de racismo contra Vini Jr.
Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:
—
+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

