As meias verdades de Danilo Lavieri no debate sobre gramado sintético no futebol brasileiro

As meias verdades de Danilo Lavieri no debate sobre gramado sintético no futebol brasileiro
Imagem: Reprodução/UOL

A discussão sobre o uso de gramado sintético na elite do futebol brasileiro ganhou novo fôlego nesta semana, após declarações do jornalista Danilo Lavieri, do portal UOL, durante debate sobre a possível utilização de Lucas Moura, do São Paulo, na semifinal do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, em partida marcada para Barueri. O tema, recorrente desde a adoção do piso artificial por clubes da Série A, reacendeu divergências entre argumentos científicos, interesses comerciais e a percepção de atletas.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


O ponto de partida foi a lembrança de uma lesão sofrida por Lucas em 2025, em confronto disputado em campo sintético. Lavieri ponderou que não há comprovação definitiva de que o tipo de gramado tenha sido determinante no problema físico, destacando que estudos apresentam conclusões divergentes sobre o risco aumentado de lesões nesse tipo de superfície. A fala provocou reação imediata nas redes sociais e trouxe à tona um debate que atravessa pelo menos uma década.

Dez anos de controvérsia

O primeiro clube da Série A a adotar o piso artificial foi o então Atlético Paranaense, hoje Athletico Paranaense, em 2016. À época, a justificativa envolvia problemas no solo do campo. Desde então, o tema nunca saiu completamente da pauta.

O Palmeiras instalou o sintético no Allianz Parque em 2020, alegando necessidade de compatibilizar jogos com eventos musicais. Nos anos seguintes, outros clubes seguiram o mesmo caminho. Atualmente, ao menos cinco equipes da Série A utilizam o modelo, número que pode crescer conforme reformas estruturais avancem em estádios pelo país.

Relatório publicado pelo GE recentemente apontou que, entre os 20 clubes da primeira divisão, sete se declararam contrários ao gramado artificial, cinco favoráveis e oito preferiram não se posicionar oficialmente. O levantamento evidencia que não há consenso interno, mesmo entre dirigentes.

Ciência, percepção e desempenho

Parte do embate gira em torno da produção acadêmica. Pesquisas internacionais indicam que não existe unanimidade sobre maior incidência de lesões graves em superfícies sintéticas de última geração quando comparadas a gramados naturais bem cuidados. Por outro lado, há estudos que registram diferenças na dinâmica do jogo, como velocidade da bola, quique e padrão de deslocamento dos atletas.

Em debates recentes promovidos por especialistas ligados à FIFA, foi ressaltado que, ainda que o índice de lesões não seja conclusivo, existem evidências de alteração biomecânica no esforço físico. Essa mudança impacta ritmo, intensidade e até a estratégia das equipes. Não se trata apenas de saúde, mas também de qualidade técnica e estética do espetáculo.

Jogadores frequentemente relatam desconforto maior em articulações e sobrecarga muscular após partidas em campos artificiais. Alguns nomes de peso já manifestaram preferência por gramados naturais, sobretudo aqueles com histórico de problemas no joelho ou tornozelo.

TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:

O argumento comercial

No caso do Palmeiras, o contrato com a administradora do estádio prevê divisão de receitas provenientes de eventos. A manutenção de um piso que suporte shows e jogos com menor intervalo de recuperação é vista como solução financeira. Dirigentes argumentam que a escolha foi estrutural e contratual, com validade até 2044.

Críticos apontam que a motivação principal é econômica. Defendem que as grandes ligas europeias não utilizam gramado sintético em suas principais divisões, restringindo o uso a categorias inferiores ou regiões de clima extremo. Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, observou recentemente que o Brasil é o único país da Conmebol com uso regular do modelo na elite.

Declarações que alimentam a polêmica

Durante o debate, Lavieri citou exemplos de atletas que já afirmaram preferir sintético a gramados naturais em más condições. Jorginho declarou após partida contra o Atlético Mineiro que, diante de um campo muito ruim, o artificial pode ser alternativa menos prejudicial, embora reconheça que não seja o ideal.

Já o técnico Filipe Luís, em entrevistas concedidas em 2025, adotou tom crítico ao modelo e afirmou esperar que, no futuro, a prática seja revista na Série A. A divergência de falas mostra que o posicionamento entre atletas não é uniforme e depende da experiência individual.

VEJA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

Um debate que está longe do fim

O crescimento do número de estádios com piso sintético ampliou a frequência das discussões. Se antes o assunto surgia pontualmente, hoje tornou-se parte do calendário competitivo. Cada confronto em arena artificial reacende a controvérsia.

Enquanto dirigentes defendem viabilidade financeira e manutenção padronizada, jogadores e parte da imprensa questionam impactos técnicos e físicos. No meio do campo, a ciência segue sendo convocada, ainda que não ofereça respostas definitivas.

O fato é que o tema deixou de ser periférico. Com contratos longos, investimentos elevados e interesses comerciais envolvidos, qualquer mudança exigirá decisão coletiva. Até lá, a bola continua rolando sobre um debate que mistura dados, percepção e estratégia.

Segundo analista da Flamengo TV, gramado de plástico chega a 69°C; entenda

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:

+ SigaSer Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

 

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta