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Bap revela bastidores da demissão de Filipe Luís e nega planejamento aprovado no Flamengo

Bap revela bastidores da demissão de Filipe Luís e nega planejamento aprovado no Flamengo

Luiz Eduardo Baptista, o Bap, falou publicamente sobre a demissão de Filipe Luís e deu a versão mais detalhada até agora sobre uma das decisões mais surpreendentes do Flamengo em 2026: a saída do treinador poucas horas depois de uma goleada por 8 a 0 sobre o Madureira. Em entrevista ao Barbacast, o presidente rubro-negro negou que houvesse um planejamento institucional aprovado para o retorno tardio do elenco principal no Campeonato Carioca, afirmou que a decisão de demitir o técnico já estava tomada antes da goleada e sustentou que a troca foi motivada pelo “conjunto da obra”, com críticas ao início de temporada, à preparação física, à intensidade, ao sistema defensivo, às escolhas técnicas e ao descumprimento de combinados internos.


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A fala de Bap muda o eixo da discussão porque retira o episódio do campo da simples reação emocional a resultados ruins. Segundo ele, não existia um plano aprovado pelo presidente para que o elenco principal só retornasse contra o São Paulo, já na estreia do Campeonato Brasileiro. O dirigente afirmou que a data inicial de reapresentação era 6 de janeiro, depois passou para 12, e que nunca foi informado de uma estratégia formal para estender o retorno até o início do Brasileirão. Para o presidente, a definição sobre férias e calendário do elenco é uma decisão institucional, não uma escolha isolada de treinador, departamento ou grupo interno.

O presidente foi além ao dizer que “o planejamento do Flamengo só existe quando o presidente do Flamengo aprova esse planejamento”. A frase é dura e revela uma crise de comando. Se alguém mudou a data, estendeu férias ou ajustou o início da temporada sem consenso institucional, a pergunta inevitável passa a ser quem tomou essa decisão, com qual autoridade e por que o processo chegou a esse ponto dentro de um clube que se vende como cada vez mais profissional. É nesse ponto que José Boto, diretor de futebol, entra no centro do debate, mesmo sem ser citado diretamente por Bap como responsável pelo caso.

A goleada não salvou o treinador porque a decisão já estava tomada

A demissão de Filipe Luís chamou atenção dentro e fora do Brasil justamente porque ocorreu após uma vitória por 8 a 0 sobre o Madureira, resultado que normalmente serviria para aliviar pressão. Bap, porém, afirmou que qualquer placar naquele jogo não mudaria a decisão. Segundo o presidente, no momento da troca, o Flamengo era o clube de pior desempenho entre os times da Série A dentro do recorte analisado pela diretoria.

À época, foi destacado, que Filipe Luís deixou o Flamengo após o pior começo de temporada do clube em uma década, com derrotas na Supercopa do Brasil e na Recopa Sul-Americana, apesar de uma passagem vitoriosa e de números fortes no comando rubro-negro. O treinador saiu com 101 jogos, 63 vitórias, 23 empates e 15 derrotas, aproveitamento próximo de 70%, além de títulos relevantes em pouco mais de um ano.

A contradição aparente entre resultado histórico e demissão imediata fica menor quando Bap explica sua lógica. Para ele, vitória não significa que tudo está certo, assim como derrota não prova que tudo está errado. A frase, repetida na entrevista, deixa claro que o presidente enxergava problemas anteriores, inclusive em momentos de conquista. O argumento é que o Flamengo precisava olhar para frente, e não apenas para o retrospecto recente de um treinador que havia entrado para a galeria dos mais vitoriosos da história do clube.

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O que Bap disse nas entrelinhas

Bap evitou transformar a entrevista em ataque pessoal a Filipe Luís. Pelo contrário, elogiou o ex-treinador, disse que mantém apreço, gratidão e boa relação com ele, e afirmou torcer para que dê certo no Monaco. Ao mesmo tempo, deixou sinais fortes de que houve descumprimento de combinados. Em uma das frases mais importantes, disse que, se alguém combina fazer “A”, faz “B”, dá errado e insiste no caminho, isso “não funciona” com ele. A leitura política é evidente: havia desconforto diário, havia cobrança interna e havia decisões tomadas fora da linha que o presidente considerava correta.

Essa parte é relevante porque a demissão deixa de ser apenas sobre desempenho esportivo. Ela passa a envolver governança no futebol, hierarquia, fluxo de decisão e alinhamento entre presidente, diretor, comissão técnica e elenco. Se Bap tinha insatisfações diárias e as comunicava ao departamento, por que os problemas continuaram? Se o planejamento foi alterado sem aprovação presidencial, onde estava a direção de futebol? Se jogadores “abusaram da liberdade” dada por Filipe Luís, como José Boto teria identificado depois, por que a correção não veio antes da ruptura?

O ponto não é absolver Filipe Luís de erros. Todo treinador responde pelo desempenho, pelas escolhas, pela preparação da equipe e pela gestão do elenco. A questão é que o Flamengo não pode vender profissionalismo e, ao mesmo tempo, permitir que decisões estruturais de início de temporada pareçam resultado de ruído interno. Em um clube desse tamanho, férias, reapresentação, pré-temporada, calendário, intensidade física e hierarquia de comando precisam estar documentados, aprovados e acompanhados por quem tem obrigação de gerir o futebol.

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Boto vira pergunta obrigatória

A entrevista de Bap também aumenta a pressão sobre José Boto. O diretor não foi contratado apenas para negociar jogador. Ele chegou para ser o elo entre presidência, elenco, comissão técnica e estrutura profissional. Se o início de temporada foi tão problemático quanto descrito, a função do diretor deveria ser justamente antecipar conflitos, corrigir desvios e impedir que a crise chegasse ao ponto de sacrificar o treinador logo após uma goleada.

A pergunta que fica é simples: Boto estava onde quando o planejamento mudou? Se Filipe Luís tomou decisões sem alinhamento, cabia ao diretor enquadrar o processo. Se a alteração partiu do próprio departamento de futebol, cabia explicar ao presidente. Se o elenco abusou da liberdade, cabia estabelecer limites antes que a situação virasse argumento para demissão. Em qualquer cenário, a responsabilidade não pode cair apenas sobre o treinador, porque futebol profissional não se administra por compartimentos isolados.

Bap tentou encerrar o assunto com uma defesa institucional da decisão e elogios ao trabalho atual de Leonardo Jardim. Citou ajustes em jogadores, uso de jovens e evolução do time como sinais positivos do novo ciclo. Isso reforça a mensagem de que a diretoria entende ter acertado na troca, mas não elimina a necessidade de esclarecer o que aconteceu no processo anterior. A demissão de Filipe Luís pode ter sido considerada necessária pelo presidente, mas a forma como os bastidores vieram à tona mostra que o Flamengo ainda precisa explicar melhor sua própria cadeia de comando.

No fim, a fala de Bap oferece respostas e abre novas dúvidas. O presidente assumiu a decisão, disse que o planejamento sem sua aprovação não existia institucionalmente, apontou problemas técnicos e físicos, afirmou que havia desconforto comunicado diariamente e reconheceu o peso histórico de Filipe Luís no clube. O que falta é entender como um Flamengo bilionário, cheio de profissionais, com diretor europeu, e treinador campeão, permitiu que o início de temporada virasse uma disputa de versões sobre quem mandava, quem combinou, quem descumpriu e quem deveria ter agido antes.

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