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Benfica reage a denúncia de jornalista com ataque à imprensa e repete padrão visto no caso Vinícius

Benfica reage a denúncia com ataque à imprensa e repete padrão visto no caso Vinícius

No dia 16, a emissora CMTV divulgou áudios e vídeos que mostram o assessor do Benfica, Gonçalo Guimarães, agredindo e ameaçando o jornalista Gustavo Lourenço durante atividade no centro de treinos do Seixal. No dia seguinte, o clube publicou nota oficial suspendendo relações com o grupo Media Livre, proprietário da CMTV e do jornal Correio da Manhã, classificando a reportagem como falsa e anunciando que moverá ação judicial contra o repórter e os veículos. A decisão, tomada mesmo após a circulação pública das imagens, reforçou críticas sobre a postura institucional do Benfica em episódios recentes, inclusive no caso envolvendo Vinícius Júnior.


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A sequência dos fatos

As imagens exibidas pela CMTV mostram dois momentos distintos. Primeiro, em ocasiões anteriores, o jornalista aborda jogadores em locais públicos, como aeroporto e hotel, fazendo perguntas relacionadas ao clube. Em uma dessas abordagens, Guimarães dá um tapa na mão do repórter. Dias depois, já no Seixal, ao ser questionado para que não repetisse a agressão, o assessor responde que faria “as vezes que fossem necessárias”.

O material foi ao ar com áudio e vídeo. Não se trata de relato indireto ou testemunho isolado. A própria transmissão registra o diálogo e a ameaça. Ainda assim, o Benfica afirmou em nota que “é totalmente falso” que qualquer elemento do clube tenha agredido ou ameaçado jornalista. Classificou as acusações como atentatórias à honra da instituição e anunciou que apresentará queixa-crime.

A nota e a inversão

O comunicado oficial não se limitou a negar os fatos. O clube também suspendeu relações institucionais com o grupo de mídia e alegou que o repórter agia com “manifesta falta de respeito pelas regras básicas de convivência institucional”. A estratégia chama atenção porque desloca o foco do comportamento do assessor para a conduta do jornalista, sugerindo que as perguntas, ainda que feitas em espaços públicos, justificariam a reação.

É nesse ponto que o episódio ganha contorno mais amplo. A crítica não recai apenas sobre um funcionário exaltado. O que está em debate é a resposta institucional diante de imagens públicas. Em vez de anunciar apuração interna ou eventual retratação, a direção optou por confrontar os veículos e acionar judicialmente quem divulgou o conteúdo.

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O precedente recente

A postura ecoa o tratamento dado ao caso envolvendo Vinícius Júnior, que denunciou ofensa racial em partida válida pela Champions League. Na ocasião, o Benfica declarou confiança irrestrita em seu jogador, enquanto parte da torcida reagiu defendendo o atleta acusado e relativizando a denúncia.

Em ambos os episódios, o padrão apontado por críticos é semelhante: a narrativa institucional privilegia a defesa imediata do seu, enquanto o outro lado é retratado como provocador ou responsável pela escalada do conflito. No caso da imprensa, o repórter que faz perguntas vira o problema. No caso do racismo, a comemoração do jogador adversário passa a ser o centro da discussão.

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Liberdade de imprensa e responsabilidade

Abordagens em aeroportos e hotéis são rotina no jornalismo esportivo europeu e brasileiro. Cabe ao atleta responder ou não. O que não cabe é a agressão física ou ameaça como método de contenção. Especialistas ouvidos em programas portugueses destacaram que grandes instituições se diferenciam pela capacidade de administrar tensões com inteligência e proporcionalidade.

Ao optar por romper relações e judicializar o caso, o Benfica elevou o embate. A discussão deixa de ser sobre o comportamento de um assessor e passa a envolver liberdade de imprensa, transparência e coerência institucional.

O episódio ainda deve ter desdobramentos judiciais. No plano simbólico, porém, a imagem já está exposta: há áudio, há vídeo e há uma nota que afirma que nada disso ocorreu. Em tempos de registro permanente, a estratégia de negar o que foi gravado produz ruído maior do que silêncio.

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