Bolha das bets estoura e muda o mercado de patrocínios no futebol brasileiro em 2026

Bolha das bets estoura e muda o mercado de patrocínios no futebol brasileiro em 2026
Foto: Tulio Rodrigues/Ser Flamengo

O mercado de patrocínios do futebol brasileiro entrou em 2026 sob tensão aberta. Clubes tradicionais, protagonistas de audiência e camisa pesada, começaram a temporada com o espaço mais valioso do uniforme vazio ou longe das casas de apostas que dominaram o cenário nos últimos anos. O movimento não é pontual, nem acidental. Ele expõe uma correção forçada após um ciclo de euforia, impulsionado por dinheiro farto, pouca regulação e promessas que, em muitos casos, não se sustentaram no caixa.


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Levantamento divulgado pelo Máquina do Esporte e sintetizado em fio do especialista Bruno Chatack aponta que seis clubes da Série A iniciaram o ano sem patrocínio master de bets: Internacional, Grêmio, Bahia, Vasco, Santos e Coritiba. Em 2025, o cenário era quase oposto. Dos 20 clubes da elite, 19 exibiam marcas de casas de apostas no espaço nobre da camisa. A dependência parecia absoluta. Um ano depois, a conta chegou.

Parte das saídas ocorreu pelo encerramento natural de contratos, como nos casos de Vasco e Coritiba. Outras vieram por decisão estratégica, como a rescisão amigável entre Santos e 7K, mesmo em meio ao impacto midiático do retorno de Neymar. Houve também situações mais graves, em que o rompimento foi consequência direta da inadimplência. Grêmio e Internacional rescindiram com a Alfa após atrasos que se estenderam por dois meses. Quando o fluxo de caixa falha, o discurso desmorona junto.

A regulamentação das apostas no Brasil é um divisor de águas nesse processo. A exigência de licenças milionárias, o pagamento de impostos e a fiscalização mais rígida reduziram drasticamente o espaço para empresas sem musculatura financeira. Muitas bets nacionais, que surgiram em profusão nos anos anteriores, não conseguiram se adaptar ao novo ambiente. O resultado foi uma retração rápida, visível não apenas nos patrocínios, mas também em demissões e enxugamento interno, como mostram relatos recentes do próprio mercado.

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O Flamengo surge como um caso emblemático dentro desse contexto. O clube rompeu com a Pixbet após atrasos recorrentes e dificuldades de regularização da empresa junto aos órgãos federais. A troca pela Betano, um player internacional de grande porte, não foi apenas uma decisão esportiva ou de marketing, mas um movimento de proteção institucional. Contratos desse porte passam por análise jurídica, financeira e de compliance, com avaliação detalhada da capacidade de pagamento e da saúde da empresa parceira. Não é aposta, é cálculo.

Esse ponto ajuda a desmontar a expectativa criada em torno de renovações irreais. Houve quem projetasse que clubes que recebiam cerca de R$ 30 ou 35 milhões anuais saltariam para cifras próximas a R$ 100 milhões ou mais. O que se viu foi o inverso: empresas deixando o mercado e clubes sendo obrigados a recalibrar suas projeções. Executivos do setor admitem que os valores pagos no auge da bolha distorceram completamente a régua. Fora das bets, quase nenhum segmento se dispõe a investir na mesma escala.

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O caso do Mirassol ilustra bem esse choque de realidade. Mesmo com vaga na Libertadores e visibilidade ampliada, o clube perdeu a 7K, que já havia deixado também o Santos. A exposição continental não foi suficiente para sustentar um contrato considerado baixo pela diretoria e, ao mesmo tempo, alto demais para a patrocinadora naquele novo cenário.

O que se desenha para frente é um mercado mais concentrado, com poucos players realmente capazes de investir pesado e muitos clubes obrigados a diversificar receitas ou aceitar valores menores. A torneira não secou por completo, mas mudou de mãos. Quem sobreviverá melhor a essa transição será definido menos pelo tamanho da torcida e mais pela qualidade da gestão comercial.

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