BRB corta 60% dos patrocínios e coloca renovação com o Flamengo sob incerteza
O Banco de Brasília reduziu em cerca de 60% o orçamento destinado a patrocínios para 2026, movimento que atinge diretamente as negociações de renovação com o Flamengo. A decisão ocorre em meio a um processo de reestruturação financeira após a liquidação do Banco Master e a necessidade de reforço de capital, sob acompanhamento do Banco Central. Mesmo com o corte, a instituição afirma que manterá o contrato atual com o clube até março e estuda um novo modelo de parceria envolvendo o banco digital Nação BRB Fla.
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Os números ajudam a dimensionar o cenário. O orçamento para patrocínios caiu de aproximadamente R$ 122 milhões no ano passado para cerca de R$ 53 milhões neste ano. A verba para publicidade e propaganda também foi reduzida de quase R$ 46 milhões para pouco mais de R$ 11 milhões. Em paralelo, a possível renovação com o Flamengo vinha sendo discutida em patamar que poderia alcançar R$ 40 milhões anuais, valor que hoje parece distante diante da nova realidade financeira do banco.
O contrato em vigor e o histórico da parceria
Em abril de 2024, as partes assinaram acordo válido por dois anos, na casa de R$ 50 milhões, com pagamento de R$ 25 milhões por temporada. A marca ocupa a região da clavícula da camisa do time profissional masculino. Desde 2020, a relação se expandiu para além da exposição institucional, com a criação do banco digital Nação BRB Fla, iniciativa que reúne quase 4 milhões de clientes.
O projeto nasceu como tentativa de monetizar a base de torcedores por meio de serviços financeiros, incluindo conta gratuita, cartões, Pix e pagamento de boletos. Em determinado momento, o clube chegou a receber valores atrelados ao número de correntistas, modelo que buscava transformar engajamento em receita recorrente.
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Novo modelo em estudo
Diante da crise, o banco avalia desvincular formalmente o braço digital, criando uma estrutura empresarial independente para gerir o ativo. A ideia em debate prevê que eventual patrocínio futuro esteja condicionado ao desempenho da própria operação financeira. Em termos práticos, o investimento no clube dependeria do que fosse gerado dentro da empresa.
A instituição declarou que realiza “avaliação técnica e estratégica de todos os contratos de patrocínio, incluindo os esportivos, como parte do processo contínuo de gestão responsável dos recursos”. Acrescentou ainda que decisões sobre continuidade ou ajustes serão comunicadas com transparência.
O Flamengo, por sua vez, adotou postura cautelosa e informou que não comenta o caso neste momento. Internamente, a percepção é de que, não fosse o cenário de instabilidade, o novo acordo já estaria encaminhado.
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Impacto e alternativas
O banco também patrocina entidades como a Confederação Brasileira de Tênis, a Confederação Brasileira de Automobilismo e equipes do Distrito Federal, além de manter acordos no automobilismo internacional. O enxugamento de despesas, portanto, não se restringe ao futebol.
No clube carioca, há compreensão de que a marca rubro-negra segue valorizada no mercado e que eventual saída poderia ser compensada por outro parceiro. Ainda assim, a relação construída desde 2020 envolve ativos compartilhados e uma base digital robusta, o que torna qualquer ruptura mais complexa do que a simples troca de logotipo na camisa.
Até março, quando termina a vigência do contrato atual, as conversas devem se intensificar. Caso haja novo acordo, o Conselho Deliberativo precisará analisar os termos. Se não houver consenso, abre-se espaço para busca de alternativa comercial.
O que se desenha é um período de transição. O banco tenta reorganizar suas contas; o clube observa, negocia e avalia riscos. Entre números, governança e exposição de marca, a parceria entra na fase mais delicada desde o início.
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