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CBF fecha 2025 com déficit de R$ 182,5 milhões apesar de receita bilionária

Flamengo detalha proposta da nova liga com calendário previsível, arbitragem profissional e fair play financeiro

A CBF fechou as contas de 2025 com um dado que, isoladamente, já seria suficiente para acender o alerta no futebol brasileiro: a entidade arrecadou em escala bilionária, aprovou suas demonstrações financeiras, mas terminou o exercício com déficit de R$ 182,5 milhões. O resultado foi aprovado pelas 27 federações estaduais e contrastou com o superávit de R$ 106,6 milhões registrado no ano anterior, colocando novamente no centro do debate a capacidade da confederação de transformar dinheiro em desenvolvimento real para o esporte, e não apenas em manutenção de uma estrutura cara, pesada e politicamente protegida.


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O dado mais incômodo não é apenas o déficit. É o tamanho da arrecadação diante do buraco. A receita bruta chegou a R$ 1,7 bilhão, enquanto a receita líquida ficou em torno de R$ 1,1 bilhão, com queda de 9% em relação ao ano anterior. Transmissões e receitas comerciais recuaram 12%, para cerca de R$ 638 milhões, e os patrocínios caíram 3%, ficando próximos de R$ 438 milhões. Isso significa que a CBF segue dependente de duas fontes principais, televisão/comercial e patrocínio, justamente as áreas mais sensíveis à imagem da Seleção, à credibilidade da entidade e ao interesse das marcas em se associar ao produto futebol brasileiro.

O rombo tem endereço, mas a conta é mais profunda

A CBF atribuiu o resultado negativo a “investimentos” para regularizar passivos de gestões anteriores. O principal caso citado foi a indenização de cerca de R$ 80 milhões ao Icasa, clube cearense que disputou na Justiça uma reparação por não ter subido à Série A em 2013, após uma controvérsia envolvendo escalação irregular de jogador do Figueirense. A disputa se arrastou por mais de uma década e acabou batendo no caixa de 2025. O valor foi depositado em conta judicial e parte significativa será destinada a despesas advocatícias e ações trabalhistas do próprio Icasa.

Esse ponto ajuda a explicar parte do déficit, mas não encerra a discussão. Se uma entidade do tamanho da CBF fecha no vermelho por causa de uma dívida antiga, a pergunta seguinte precisa ser feita: por que o restante da estrutura não absorveu o impacto com mais eficiência? Mesmo sem a indenização ao clube cearense, a confederação ainda terminaria o ano no vermelho em valor superior a R$ 100 milhões. Portanto, o problema não pode ser tratado apenas como uma herança do passado. Existe uma engrenagem presente que também custa caro demais.

As despesas administrativas saltaram 111% e chegaram a R$ 438,3 milhões. Houve gastos de R$ 27 milhões com logística da Seleção, R$ 13 milhões em marketing e R$ 9 milhões em tecnologia e consultorias institucionais, esportivas e jurídicas. A justificativa oficial fala em modernização e reorganização, mas o balanço deixa uma sensação ruim: a CBF continua sendo uma máquina que arrecada como potência mundial e gasta como se a receita fosse inesgotável.

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O futebol brasileiro recebe o quê?

A questão central não é contábil. É política. Quanto desse dinheiro volta para a base, para a arbitragem, para a formação de treinadores, para o futebol feminino, para o calendário, para as competições e para a estrutura dos clubes menores? O balanço destaca que os investimentos nas seleções somaram R$ 420 milhões, mas também aponta uma queda de 22% destinada à equipe feminina. Quando uma confederação bilionária reduz investimento em uma área que ainda luta por estrutura, calendário e valorização, o discurso de desenvolvimento fica mais frágil.

O modelo da CBF precisa ser cobrado porque a entidade não é uma empresa comum. Ela comanda o futebol de um país continental, organiza competições, influencia federações, Seleção Brasileira, arbitragem, registros, transferências, base, feminino e parte essencial da cadeia que sustenta o esporte. Se a confederação tem receita bilionária e mesmo assim entrega déficit, dependência excessiva de TV e patrocínio, despesas administrativas infladas e dúvidas sobre prioridade, o problema não é falta de dinheiro. É a forma como o dinheiro circula.

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O detalhe mais simbólico é que a própria CBF projeta receita de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para 2026. Ou seja, não estamos diante de uma entidade pobre, quebrada ou sem potencial de arrecadação. Estamos diante de uma confederação que precisa explicar por que, mesmo com tanto recurso, o futebol brasileiro segue convivendo com arbitragem desacreditada, competições questionadas, federações pouco transparentes e uma Seleção que já não carrega o mesmo peso simbólico de outros tempos.

O balanço de 2025 mostra uma CBF rica em faturamento e pobre em respostas. A entidade pode chamar de investimento, regularização de passivos ou reorganização administrativa. Mas, para quem olha de fora, o retrato é de uma estrutura que cobra muito do futebol brasileiro e devolve pouco em transformação concreta. O déficit de R$ 182,5 milhões é o número que chama atenção, mas a pergunta mais importante continua sem resposta convincente: a CBF arrecada para desenvolver o futebol ou o futebol existe para sustentar a CBF?

ADRIANO IMPERADOR – ENTREVISTA E HOMENAGEM

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