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Constrangimento ao vivo expõe despreparo de comentarista e desmonta narrativa sobre arbitragem do Flamengo

Constrangimento ao vivo expõe despreparo de comentarista e desmonta narrativa sobre arbitragem do Flamengo

Reprodução / TMC

O debate sobre arbitragem no futebol brasileiro frequentemente deixa de ser uma análise técnica para se transformar em um exercício de construção narrativa. Quando o assunto envolve o Flamengo, esse movimento costuma ganhar ainda mais força, especialmente em parte da imprensa paulista, onde muitas vezes a suspeita antecede o fato e a conclusão surge antes mesmo da apuração. Foi exatamente isso que aconteceu em um episódio recente que gerou constrangimento ao vivo e acabou servindo como exemplo claro de como certas teses são sustentadas muito mais na bravata do que na realidade.


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Durante um programa do veículo TMC, um comentarista tentou levantar a tese de que expulsões contra o Flamengo no Maracanã seriam raras demais, insinuando que haveria uma espécie de proteção arbitral ao clube rubro-negro. A pergunta foi feita com evidente confiança, quase como quem acredita estar diante de um argumento irrefutável. O problema é que bastava uma pesquisa simples para desmontar toda a construção. E foi exatamente isso que aconteceu diante das câmeras, ao vivo, com direito a  silêncio constrangedor no estúdio .

O episódio rapidamente repercutiu entre torcedores e influenciadores, especialmente porque escancarou algo que há tempos é criticado por quem acompanha esse tipo de cobertura: a disposição de parte da mídia em afirmar teses graves sem o mínimo cuidado com a checagem mais básica. Não se tratava de uma interpretação complexa de regra, nem de um lance subjetivo de VAR. Era uma pergunta objetiva, de resposta facilmente verificável no Google.

Ainda assim, preferiu-se a bravata.

A pergunta feita para confirmar uma narrativa pronta

O comentarista, ao introduzir sua pergunta ao especialista em arbitragem Paulo Caravina, já partia de uma premissa claramente definida. A frase não buscava informação, buscava confirmação. Ele afirmava que expulsões contra o Flamengo custariam mais para a arbitragem do que contra outras equipes e, na sequência, perguntava qual teria sido o último jogador rubro-negro expulso no Maracanã .

A formulação em si já mostrava a intenção. Não era uma dúvida genuína. Era a tentativa de validar uma percepção previamente construída, como se a ausência de expulsões recentes fosse prova automática de favorecimento institucional.

Mas o problema de trabalhar com narrativa antes da apuração é justamente esse: a realidade pode aparecer no meio do caminho.

E apareceu.

Antes mesmo que a construção ganhasse força, Paulo Caravina respondeu de forma direta e simples, lembrando que Carrascal havia sido expulso recentemente no clássico entre Flamengo e Fluminense, justamente no Maracanã. Ou seja, a premissa central da pergunta estava errada. Não era uma questão de interpretação. Era um erro factual.

O problema não foi errar, foi não pesquisar

Errar faz parte do jornalismo. O problema não está no erro em si, mas no tipo de erro e no caminho que leva até ele.

Quando alguém vai a público sustentar uma acusação implícita de favorecimento arbitral e sequer faz uma pesquisa elementar sobre o dado que está utilizando, o problema deixa de ser apenas desinformação e passa a ser irresponsabilidade editorial. A crítica toca exatamente nesse ponto: bastava literalmente digitar no Google “último jogador do Flamengo expulso no Maracanã” para encontrar rapidamente o caso de Carrascal .

Não era necessário acesso a bastidores, banco de dados sofisticado ou apuração exclusiva. Era uma busca simples. A pergunta, portanto, não nasceu da falta de informação. Nasceu da convicção de que a narrativa seria aceita sem contraponto. E durante muito tempo foi exatamente assim que funcionou.

A falsa ideia de que o Flamengo vive blindado pela arbitragem

Essa tentativa de sustentar que o Flamengo recebe tratamento especial da arbitragem não é nova. Ela aparece em debates sobre expulsões, pênaltis, revisões de VAR e até em interpretações sobre postura institucional da CBF e do STJD.

O problema é que, quando se observa o conjunto dos fatos e não apenas recortes convenientes, essa tese começa a enfraquecer.

O próprio debate citado traz exemplos recentes de expulsões rubro-negras que desmontam a narrativa de blindagem. Além de Carrascal, houve expulsões de Pulgar, inclusive em contexto decisivo, além de episódios envolvendo Plata e outros casos recentes.

Ou seja, não se trata de um clube inalcançável pelas decisões disciplinares. O que existe muitas vezes é memória seletiva. Lembra-se apenas do que interessa para sustentar uma percepção e apaga-se o restante.

Essa seletividade é ainda mais evidente quando se compara a cobertura sobre Flamengo e Palmeiras, por exemplo. Enquanto a narrativa de perseguição palmeirense frequentemente recebe acolhimento automático, qualquer reação rubro-negra costuma ser tratada como excesso ou vitimização.

Não há neutralidade aí. Há escolha.

O próprio reconhecimento de erros fortalece a credibilidade

Outro ponto importante levantado é que reconhecer erros de arbitragem a favor do Flamengo não enfraquece a análise, pelo contrário, fortalece. No jogo contra o Vitória, Saúl deveria ter sido expulso, mostrando justamente que o debate sério não precisa ser sustentado em negação automática nem em defesa cega do clube .

Esse é o ponto que diferencia análise de militância. O problema não é admitir que a arbitragem erra a favor ou contra o Flamengo. Isso acontece com qualquer clube grande. O problema está em forçar artificialmente uma tese permanente de favorecimento, ignorando fatos concretos que a contradizem.

Quando alguém escolhe um caso real para discutir, há debate. Quando alguém inventa uma ausência de expulsões que sequer existe, há apenas propaganda.

TRANSMISSÃO AO VIVO COMPLETA:

O constrangimento como retrato de uma prática recorrente

O episódio do TMC não virou assunto apenas pela vergonha pública do comentarista. Ele ganhou repercussão porque sintetiza um padrão.

Existe uma parte da cobertura esportiva que opera primeiro pela convicção e só depois, se necessário, procura os fatos. Quando o alvo é o Flamengo, isso se torna ainda mais evidente porque há uma predisposição histórica de transformar qualquer dado mal apurado em suspeita institucional.

O comentarista foi ao programa acreditando estar diante de um gol sem goleiro. A pergunta parecia perfeita para confirmar a narrativa de proteção arbitral. O problema foi encontrar um especialista disposto a responder com informação em vez de reforçar a bravata. O constrangimento foi grande justamente porque desmontou ao vivo não apenas uma pergunta, mas a lógica por trás dela.

Arbitragem precisa de análise, não de roteiro pronto

O futebol brasileiro convive há anos com um debate pobre sobre arbitragem. Em vez de estudar lances, regras, critérios e coerência, muitas vezes a discussão se resume à necessidade de encontrar culpados permanentes.

Flamengo e Palmeiras vivem hoje no centro dessa disputa simbólica. De um lado, o Palmeiras consolidou um método contínuo de pressão pública sobre arbitragem e tribunais. Do outro, o Flamengo frequentemente aparece como o beneficiado oficial dessa narrativa, independentemente do que mostram os números ou os próprios jogos.

Nesse ambiente, qualquer erro real rapidamente vira prova definitiva e qualquer dado que contradiz a tese simplesmente é ignorado. Foi isso que aconteceu no programa. Não se tratava de buscar justiça esportiva. Tratava-se de reforçar uma percepção já pronta. Mas a realidade, às vezes, tem o péssimo hábito de aparecer.

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O jornalismo não pode depender da ausência de contraponto

Talvez essa seja a principal lição do episódio.

Muitas afirmações seguem circulando porque ninguém as confronta. Não porque sejam verdadeiras, mas porque se acostumou a aceitá-las sem exigência mínima de comprovação. Quando há contraponto, quando alguém responde com informação simples e objetiva, a estrutura desaba rápido.

Foi exatamente isso que aconteceu quando a tese sobre a ausência de expulsões no Maracanã encontrou o nome de Carrascal no caminho. O constrangimento não veio apenas da resposta. Veio da constatação de que aquilo poderia ter sido evitado com trinta segundos de pesquisa. E isso diz muito sobre o estado atual de parte da cobertura esportiva.

No fim, o episódio não expôs apenas um comentarista mal preparado. Expôs uma lógica inteira de produção de narrativa onde a conclusão vem antes da apuração. E quando isso acontece, o problema deixa de ser erro. Passa a ser método.

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