Crise na Série B: FFU aumenta cota, mas percepção é que há mais ambição por dinheiro do que com liga
A tensão que vinha se acumulando nos bastidores da Série B ganhou um capítulo decisivo na manhã de segunda-feira, em reunião virtual que reuniu dirigentes da Futebol Forte União, investidores e representantes dos 18 clubes. Em jogo, estavam as cotas de transmissão, os descontos operacionais e, sobretudo, a arquitetura de distribuição de receitas a partir de 2027. O encontro terminou com um acordo provisório: cada equipe receberá R$ 15,5 milhões, com retenção de R$ 600 mil para custos de produção, resultando em R$ 14,9 milhões líquidos. O entendimento reduz a crise aberta na última semana, mas não encerra o debate sobre transparência, privilégios e modelo de gestão.
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O estopim da crise
A insatisfação ganhou forma pública após um manifesto divulgado por clubes da Série B que integram o bloco, questionando a condução das negociações comerciais. Havia a percepção de que a segunda divisão vinha sendo tratada como apêndice da elite, especialmente diante da diferença de arrecadação entre as divisões.
O mal-estar aumentou quando a CBF anunciou que pagaria R$ 14,9 milhões a Náutico e São Bernardo, que negociaram seus direitos fora da FFU. O valor superava o montante líquido inicialmente previsto para os demais integrantes do bloco, o que acendeu o alerta sobre possível desequilíbrio competitivo e financeiro.
Além disso, pesaram críticas sobre falta de clareza nos contratos, descontos destinados a investidores, comissões e custos de produção de imagens. Outro ponto sensível foi a existência de cláusulas de proteção que garantiriam receitas superiores a determinados clubes, o que gerou ruído interno.
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O acordo e o novo desenho financeiro
A solução encontrada equiparou a cota líquida aos R$ 14,9 milhões pagos aos clubes que fecharam acordo direto com a CBF. A partir de 2027, o modelo aprovado prevê que 85% das receitas totais fiquem com a Série A e 15% sejam destinados à Série B. A divisão já constava em contratos assinados anteriormente, segundo defensores da FFU, mas vinha sendo alvo de questionamentos.
Também ficou definido que despesas logísticas serão custeadas pela CBF, desde que as agremiações cumpram normas de fair play financeiro. Os valores variam conforme a distância percorrida na competição, podendo chegar a cerca de R$ 3 milhões para clubes do Nordeste e girar em torno de R$ 2 milhões para equipes concentradas no eixo Goiás-São Paulo.
Em nota, a FFU afirmou que o encontro “reafirmou os valores de união, diálogo e cooperação” e destacou que o entendimento garantiu equidade em relação a clubes fora do bloco. Presidentes de clubes reconheceram avanço, embora admitam que ajustes ainda serão necessários.
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As críticas e o pano de fundo político
Parte dos dirigentes avalia que o problema não se limita às cifras imediatas. Há questionamentos sobre a lógica predominante nas negociações, vista por alguns como excessivamente financeira e pouco orientada à construção esportiva de uma liga sólida. Investidores chegaram a prometer assumir custos logísticos em troca de propriedades de marketing, mas a oferta foi retirada, alimentando a desconfiança.
Colunistas apontaram que contratos já assinados previam o percentual de 15% à Série B a partir de 2027 e que acordos anteriores precisavam ser respeitados. Ainda assim, o episódio expôs fissuras internas e reacendeu a disputa política entre blocos que tentam liderar o futuro do Campeonato Brasileiro.
A Série B tem início previsto para a segunda quinzena de março. A paz firmada agora é pragmática: garante fluxo financeiro imediato e evita ruptura. Se será o ponto de partida para um modelo mais estável ou apenas uma trégua temporária, dependerá dos próximos movimentos nos bastidores.
Hipocrisia na Série B: FFU fracassa, paga mais para alguns clubes e opera sem transparência
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