De Climalite a Climacool+: conheça a evolução tecnológica das camisas da adidas

De Climalite a Climacool+: conheça a evolução tecnológica das camisas da adidas

A adidas atravessou as últimas duas décadas transformando a camisa de futebol de simples uniforme em equipamento técnico de alto rendimento. Desde o início dos anos 2000, a fabricante alemã modificou tecidos, cortes, sistemas de ventilação, compressão e dissipação térmica, enquanto aprofundava a diferença entre a peça usada pelos jogadores e a versão comercializada ao torcedor. A trajetória passa por Climalite, Climacool, Formotion, Techfit, adizero, Climachill, HEAT.RDY e AEROREADY até chegar ao retorno do nome Climacool em 2026, agora atualizado como Climacool+ nas camisas autênticas.


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O desenvolvimento não ocorreu apenas por estética. O futebol ficou mais rápido, os atletas passaram a percorrer maiores distâncias em alta intensidade e as fornecedoras começaram a tratar cada grama, costura e área de ventilação como parte do desempenho. Ao mesmo tempo, a inovação virou argumento comercial. A marca vende tecnologia, memória, exclusividade e a sensação de que o consumidor pode vestir algo próximo do material utilizado dentro de campo.

O sistema que separou jogador e torcedor

Na virada do milênio, a adidas consolidou uma divisão que se tornaria permanente. As camisas destinadas ao público utilizavam a tecnologia Climalite, desenvolvida para absorver umidade e proporcionar conforto cotidiano. Já os uniformes autênticos recebiam Climacool, sistema mais avançado de ventilação, com painéis de malha distribuídos em regiões estratégicas.

Essa separação criou duas categorias dentro de um mesmo modelo. A versão de arquibancada preservava aparência, escudo e identidade visual, mas possuía construção mais resistente e adaptada ao uso comum. A peça dos atletas priorizava leveza, respirabilidade e rendimento, mesmo que isso significasse maior delicadeza e preço elevado.

O conceito permanece até hoje. A tecnologia que em determinada época esteve no topo da linha pode, anos depois, aparecer na versão destinada aos torcedores. A própria Climacool, utilizada em uniformes profissionais no começo dos anos 2000, retorna em 2026 como identificação das réplicas, enquanto a camisa autêntica recebe o símbolo “+”.

Formotion mudou a maneira de vestir

A Copa do Mundo de 2006 marcou outra etapa importante com a introdução do Formotion. A inovação não estava concentrada apenas na composição do tecido, mas na modelagem. A adidas passou a desenvolver cortes tridimensionais que acompanhavam os movimentos do corpo, reduzindo excesso de material e melhorando o ajuste.

Até aquele período, ainda era comum ver camisas largas, especialmente nos anos 1990 e no começo da década seguinte. O uniforme se movimentava de maneira relativamente independente do atleta, acumulava tecido e nem sempre acompanhava os gestos técnicos com eficiência.

O Formotion ajudou a iniciar a transição para peças mais ajustadas. A camisa deixou de ser pensada apenas como uma superfície para números, escudos e patrocínios. Passou a ser projetada como extensão do corpo, construída a partir da biomecânica do jogador.

Techfit e a era da compressão

Na Copa de 2010, a adidas avançou com a tecnologia Techfit. As camisas autênticas passaram a utilizar faixas de TPU, conhecidas como Powerweb, distribuídas em pontos específicos da peça. A proposta era produzir compressão, auxiliar a postura muscular e transmitir sensação de potência durante os movimentos.

O visual chamava atenção porque as faixas ficavam aparentes, criando uma aparência mais técnica e agressiva. A camisa revelava sua função. Não era apenas uma malha leve com boa ventilação, mas um produto que prometia participar diretamente da atividade física.

Naquele período, outras fornecedoras também investiam em uniformes extremamente justos. O futebol entrou definitivamente na era da compressão, em que a roupa deveria acompanhar o corpo com mínima sobra de tecido. As versões comercializadas ao público, entretanto, continuavam mais próximas da construção tradicional, mantendo Climacool e Formotion como referências.

A distância entre o produto utilizado pelo atleta e aquele encontrado nas lojas se tornou mais evidente. O desenho permanecia semelhante, mas peso, corte, elasticidade e estrutura interna já pertenciam a universos diferentes.

adizero e a obsessão pela leveza

Entre 2012 e 2018, a busca por redução de peso ganhou protagonismo. Para a Copa de 2014, a adidas apresentou o adizero, tecnologia que tornou seus uniformes autênticos os mais leves produzidos pela empresa até então.

A diferença podia ser percebida imediatamente ao segurar a peça. O material era fino, leve e construído para reduzir qualquer peso considerado desnecessário. Em um esporte no qual a camisa fica encharcada, sofre tração e acompanha deslocamentos constantes, retirar alguns gramas passou a ser tratado como ganho de desempenho.

O Flamengo entrou nessa fase em 2014, quando recebeu sua primeira camisa autêntica com tecnologia adizero. A comparação com a versão de loja mostrava com clareza como duas peças visualmente parecidas podiam ter construções distintas. A utilizada pelos jogadores parecia quase sem peso, enquanto a réplica mantinha estrutura mais robusta e adequada ao uso diário.

A adizero representou uma mudança de filosofia. A adidas deixou de pensar apenas em ventilação ou ajuste e passou a perseguir eficiência absoluta. Costuras, aplicações, painéis e materiais eram avaliados pelo impacto sobre a massa final da camisa.

Climachill e o controle do calor

Em 2018, a empresa direcionou parte de sua pesquisa para o gerenciamento térmico. A tecnologia Climachill incorporou pequenos elementos de alumínio prateado, desenvolvidos para conduzir o calor para longe do corpo e produzir sensação de resfriamento.

O foco fazia sentido em competições disputadas sob diferentes temperaturas e níveis de umidade. O atleta precisa manter rendimento mesmo quando o uniforme absorve suor e a temperatura corporal aumenta. A camisa, portanto, passou a funcionar como parte de um sistema de controle térmico.

As versões destinadas ao público receberam tecnologias que antes ocupavam o nível mais alto. Esse deslocamento tornou-se característica da estratégia da adidas: o que hoje é exclusivo dos profissionais pode amanhã chegar ao torcedor, enquanto a elite avança para uma solução mais recente.

O processo também fortaleceu a percepção de valor. O consumidor não comprava apenas uma camisa com o desenho da seleção ou do clube. Adquiria uma peça associada a pesquisa laboratorial, engenharia têxtil e desempenho esportivo.

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HEAT.RDY e AEROREADY mudam os nomes

Em 2020, a adidas abandonou temporariamente a família de nomes “Clima” e reformulou sua identidade tecnológica. As camisas autênticas passaram a utilizar HEAT.RDY, enquanto as réplicas receberam AEROREADY.

O HEAT.RDY foi desenvolvido para maximizar ventilação e dissipação de calor em condições de alta intensidade. Sua construção apareceu em grandes competições, como Euro 2020, Copa do Mundo de 2022 e Euro 2024. Já o AEROREADY concentrou-se na absorção de suor e no conforto do consumidor.

A mudança mostrou como tecnologia e comunicação caminham juntas. Não bastava alterar tecido ou ventilação; era preciso criar uma nomenclatura reconhecível. O selo estampado na camisa passou a funcionar como certificado de categoria, permitindo que o comprador identificasse rapidamente se estava diante da versão autêntica ou da réplica.

Esse sistema aprofundou a segmentação de preços. A camisa de jogador passou a ser vendida como produto de elite, com construção mais próxima daquela utilizada profissionalmente. A de torcedor permaneceu premium, mas adaptada a durabilidade, conforto e produção em escala maior.

O retorno do Climacool em 2026

Para a Copa do Mundo de 2026, a adidas decidiu recuperar seu nome tecnológico mais conhecido. Climacool retorna como identificação das camisas destinadas aos torcedores, enquanto Climacool+ será aplicado nos modelos autênticos.

A escolha combina nostalgia e modernização. Quem acompanhou o futebol no início dos anos 2000 reconhece imediatamente a marca, associada a camisas históricas de clubes e seleções. Ao resgatar o nome, a empresa reconecta o novo produto a uma memória construída durante décadas.

O “+” indica que não se trata simplesmente da repetição de uma tecnologia antiga. A denominação retorna atualizada, incorporando avanços acumulados em ventilação, peso, ajuste e dissipação térmica. A adidas preserva uma identidade conhecida, mas a reposiciona como solução de última geração.

A estratégia mostra maturidade comercial. Depois de anos criando novas siglas, a fabricante percebeu que Climacool possui valor próprio. O nome já comunica frescor, circulação de ar e desempenho, dispensando longas explicações ao consumidor.

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Tecnologia também é argumento de venda

A evolução dos uniformes confirma que a camisa moderna influencia o conforto e pode colaborar com o desempenho. Uma peça mais leve, ventilada e ajustada reduz incômodos, acompanha melhor os movimentos e ajuda no controle do calor. Ela não transforma um jogador tecnicamente, mas elimina obstáculos que um material pesado ou mal construído poderia criar.

Ao mesmo tempo, é necessário reconhecer a dimensão comercial. A adidas é uma marca premium e utiliza seu histórico de inovação para sustentar preços elevados. O consumidor paga pelo clube, pela seleção, pelo desenho, pela tecnologia e pelo prestígio associado às três listras.

Essa lógica explica a existência de várias categorias do mesmo produto. A camisa autêntica oferece construção mais avançada e preço superior. A versão de torcedor entrega aparência semelhante, mas utiliza materiais adequados a outro tipo de uso. Em ambos os casos, a tecnologia ajuda a diferenciar a peça oficial das reproduções comuns e reforça o valor da marca.

Clubes com grande capacidade de venda, como o Flamengo, ocupam posição central nessa estratégia. A força do escudo amplia o alcance do produto, enquanto a adidas oferece inovação e distribuição global. É uma relação na qual identidade esportiva e desenvolvimento têxtil se transformam em negócio.

A linha do tempo iniciada com Climalite e Climacool mostra que a camisa deixou de ser um elemento passivo do futebol. Formotion alterou o corte, Techfit introduziu compressão, adizero perseguiu leveza, Climachill priorizou o controle térmico e HEAT.RDY reorganizou o sistema de ventilação. Agora, Climacool+ reúne esse aprendizado sob um nome histórico.

O retorno em 2026 fecha um ciclo sem interromper a evolução. A adidas volta ao passado para vender o futuro, recuperando uma marca reconhecida e associando-a a décadas de pesquisa. No campo, a camisa precisa acompanhar o atleta. Na loja, também precisa convencer o torcedor de que cada detalhe técnico, cada selo e cada nova nomenclatura justificam o valor cobrado.

Adidas transforma Climacool em estratégia global; tecnologia chegou a camisa do Flamengo em 2026

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