Designer resgata cores de fundação do Flamengo e cria terceira camisa; confira
O Flamengo voltou a ser assunto fora das quatro linhas nos últimos dias a partir de uma provocação estética que dialoga diretamente com a memória do clube. Um estudo visual criado pelo designer Lucas Carvalho, conhecido como @DonElece, ganhou repercussão entre torcedores ao apresentar uma terceira camisa rubro-negra para a temporada 2026, inspirada nas cores de fundação do clube e reinterpretada com linguagem contemporânea. A proposta não é oficial, mas toca em um ponto sensível da identidade do Flamengo: a relação entre tradição, inovação e pertencimento.
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A projeção parte de um resgate histórico pouco explorado nos uniformes recentes. Antes do vermelho e preto se consolidarem como marcas definitivas, o Flamengo nasceu com o azul e o amarelo ouro ligados ao remo, modalidade que deu origem ao clube no fim do século XIX. É justamente esse diálogo que o designer propõe ao imaginar um terceiro uniforme que fuja do óbvio, sem romper com a história. O azul aparece como cor predominante, enquanto o dourado surge nos detalhes, criando contraste e imponência. No peito, o escudo do remo substitui a versão tradicional do futebol, gesto simbólico que remete aos fundadores e ao passado náutico do clube.
O desenho chama atenção também pela construção estética. As faixas discretas no corpo da camisa remetem, de forma moderna, a modelos já utilizados recentemente pela Adidas, especialmente em 2023, mas sem repetir fórmulas. A escolha da gola em V, com leve abertura frontal, divide opiniões, justamente por lembrar soluções adotadas pela Umbro em anos recentes. Ainda assim, o conjunto encontra equilíbrio ao manter as três listras da Adidas na gola, e não nas mangas, criando identidade própria. A camisa, vestida em mockups femininos e masculinos, reforça a ideia de um uniforme imponente, pensado para se destacar como alternativa ao tradicional manto rubro-negro.
A discussão ganha força quando colocada em perspectiva histórica. O Flamengo só passou a ter oficialmente uma terceira camisa em 1995, quando a Umbro lançou o modelo quadriculado inspirado no uniforme “papagaio de vintém”. A peça, que marcou época, inaugurou uma nova relação do clube com seus símbolos do passado. Anos depois, em 2011, já com a Olympikus, o clube voltou ao tema ao celebrar o centenário do futebol rubro-negro, ainda que o modelo não tenha conquistado unanimidade entre os torcedores. Em 2015, já sob contrato com a Adidas, uma nova versão do “papagaio” foi lançada, tecnicamente bem executada, mas sem grande apelo afetivo. Curiosamente, a Nike, fornecedora anterior, nunca chegou a produzir uma camisa assumidamente inspirada nesse conceito.
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Nesse contexto, a proposta de @DonElece dialoga com uma lacuna. Não se trata apenas de criar um uniforme bonito, mas de atualizar símbolos que carregam memória. O próprio histórico recente da Adidas com o Flamengo mostra que essa ponte já foi construída antes. Em 2017, em ação para a Copa do Mundo de 2018, a marca permitiu que torcedores desenhassem um uniforme alternativo. O modelo vencedor, utilizado em campo, trazia mangas azul e amarelo com referências à arquibancada do Maracanã, numa das raras vezes em que um design criado fora dos muros do clube se tornou oficial.
É nesse ponto que a projeção para 2026 ganha relevância. A ideia de um terceiro uniforme baseado nas cores de fundação não surge como ruptura, mas como continuidade de um diálogo que já existe. Ao sugerir patrocínios em tom dourado para manter a harmonia visual e reforçar o caráter histórico da camisa, o designer propõe um caminho que une mercado, identidade e estética. Não por acaso, o trabalho repercutiu positivamente entre torcedores e criadores de conteúdo, que veem na proposta uma alternativa viável para renovar o portfólio de uniformes do clube sem descaracterizá-lo.
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Mesmo sem qualquer indicação de que a Adidas ou o Flamengo pretendam adotar o modelo, o debate está lançado. A camisa projetada funciona como espelho de um desejo recorrente da torcida: ver a história do clube tratada não como peça de museu, mas como matéria viva, capaz de inspirar novos mantos. Ao provocar essa conversa, @DonElece cumpre um papel que vai além do design. Ele recoloca o passado no centro do debate e lembra que, no Flamengo, tradição e inovação nunca caminharam separadas.
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