Ao longo dos seus 73 anos, com mais de 60 dedicados ao futebol, Zico já teve diversos filmes e documentários sobre sua trajetória, como Zico, os mais belos gols (1995), Zico, o Filme (2003), a produção italiana I miti del calcio – Zico (2009) e Zico na Rede (2010). Cada um com sua premissa: alguns focados nos seus gols, outros em sua passagem na Itália e até com tom mais biográfico. Zico, o Samurai de Quintino (2026) reúne tudo isso, com melhor roteiro, produção e novidades.
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Aliás, um recado aos amantes da bola e do cinema: o documentário não foca em rivalidade, jogos, campeonatos, gols e lindas jogadas que, aliás, ganham imagens restauradas — sobre as quais falaremos mais à frente —, mas na figura de Arthur Antunes Coimbra: o ídolo mundial, o filho, o irmão, o marido, filho, pai e avô. Falando em rivalidade, um dos pontos altos da produção é justamente a amizade de Zico com Roberto Dinamite, maior jogador da história do Vasco, grande rival do Flamengo.
O documentário não chega a ser cronológico, mesmo tendo a linha do tempo do craque como referência. Tanto que, após os créditos iniciais com belas imagens, ele se inicia com a chegada de Zico ao Japão, em 1991. Sandra, esposa, toma a dianteira para contar os bastidores daquela decisão ousada, pois, já com a carreira encerrada oficialmente, o eterno camisa 10 foi jogar em um clube que nem tinha vestiário e onde tudo era improvisado. Tudo isso é complementado com imagens inéditas da época, o que dá um sabor especial.
O Japão, inclusive, ganha grande destaque, mais que sua passagem pela Itália, quando atuou pela Udinese entre 1983 e 1985, antes de retornar ao Flamengo. A produção foi até o país oriental para gravar com ex-dirigentes e companheiros, contando a história de como Zico ajudou a profissionalizar e popularizar o futebol por lá. Quem ganha protagonismo é Kunihiro Suzuki. Ele foi o tradutor que acabou virando amigo da família.
Um ponto interessante: diferente da maioria dos documentários, em que geralmente uma pessoa serve como fio condutor da história, em Zico, o Samurai de Quintino isso varia dependendo do tema. Na família, é Sandra quem comanda; no início de carreira, José Carlos Araújo; nas grandes conquistas pelo Flamengo, o próprio Zico, Júnior e Carpegiani; nas curiosidades sobre a carreira, Mauro Beting; e no Japão, Zico e Kunihiro Suzuki.
Como num efeito sanfona, os temas vão e voltam dentro da cronologia da vida de Zico e são explorados em diversas oportunidades, como Japão e família, que também traz depoimentos dos três filhos, Júnior, Bruno e Thiago, que contam da relação e das dificuldades de ter uma estrela mundial como pai.
Para seguirmos, precisamos falar da produção. Além de percorrer o Japão, a equipe também foi à casa em que Zico morou em Quintino, e uma locação foi criada especialmente com itens do acervo do craque para receber convidados. No garimpo dessas peças, encontraram VHS e filmes Super-8, que trazem registros inéditos do ainda time operário do Sumitomo (Kashima depois) e da vida em família, revelando momentos que nunca vieram a público e ajudam a desvendar o lado mais humano do ídolo.
Outro golaço da produção foi a digitalização das películas do Canal 100, o que nos dá a oportunidade de ver, em alta resolução, diversos momentos de Zico nos anos 70, 80 e 90 atuando pelo Flamengo e Seleção Brasileira. Uma oportunidade de rever conquistas como o Brasileiro de 1980, a Libertadores e o Mundial de 1981 com uma qualidade jamais vista.
Mais um ponto positivo da obra é o fato de tocar em pontos sensíveis da carreira. A perseguição da ditadura a Nando, seu irmão, que resultou no corte de Zico da Seleção Olímpica que iria às Olimpíadas de Munique, em 1972. O motivo da exclusão sempre foi tratado com discrição na biografia do craque. As eliminações do Brasil nas Copas de 82 e 86 também são aprofundadas sem filtro.
Para os flamenguistas de plantão, como eu disse, o documentário não se propõe a ser mais uma obra audiovisual de gols e jogadas, mas retrata de maneira brilhante sua chegada ao clube nos anos 60, o desabrochar do craque nos anos 70 e o auge nos anos 80, com destaque para as finais dos Brasileiros de 80, 82 e 83, a duríssima final da Libertadores contra o Cobreloa e o Mundial de 1981. Histórias e bastidores saborosíssimos.
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Dia 30 nos cinemas.#ZicoNoCinema pic.twitter.com/zXgdzrXPYu
— Tulio Rodrigues (@PoetaTulio) April 16, 2026
Contar a história de Zico em uma hora e 43 minutos é um desafio para qualquer um, e imagino que não foi diferente para a direção do documentário, que deixou de se aprofundar em algumas passagens da carreira e da vida do ídolo, mas isso não faz falta dentro da proposta, que foi trazer o eterno camisa 10 como nunca vimos antes. O que testemunhamos no filme nunca foi visto nas produções anteriores já mencionadas.
Quem é Arthur Antunes Coimbra? Como é o lado humano de uma figura retratada, adorada e idolatrada por milhões de torcedores de maneira quase religiosa? O que é o Spirit of Zico? Por que ele é tão adorado também no Japão? Zico, o Samurai de Quintino responde de maneira direta e emocionante.
Zico, o Samurai de Quintino tem roteiro assinado por Thiago Iacocca, direção de João Wainer e produção de André Wainer, que também assina a produção executiva, Bruno Tinoco, Gabriel Wainer, Luiz Porto e Pedro Curi, com distribuição da Downtown Filmes. O documentário estará nos cinemas de todo o Brasil a partir do dia 30 de abril.
Ficha técnica:
Nome: Zico, o Samurai de Quintino
Gênero: Documentário
Duração: 1h43m
Direção: João Wainer
Produção: André Wainer, Bruno Tinoco, Gabriel Wainer, Luiz Porto e Pedro Curi
Produtores Associados: Bruno Wainer, Raul Schmidt, Nathalie Felippe
Produção Executiva: André Wainer, Camila Villas Boas, Luiz Porto
Diretor De Arte: Claudio Amaral Peixoto
Roteiro: Thiago Iacocca
Montagem: André Felipe Silva e João Wainer
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