ESTRANHO! As suspeitas da atuação do VAR em Flamengo x Corinthians pela Supercopa
O jogo já havia terminado quando começou o que realmente importa. No intervalo, com jogadores nos vestiários e comissões técnicas reorganizando suas equipes, a arbitragem decidiu reabrir um capítulo que estava encerrado. No centro da discussão, a expulsão de Carrascal, aplicada apenas no retorno do segundo tempo, após uma segunda checagem do VAR que levanta mais perguntas do que respostas.
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Ainda no primeiro tempo, o árbitro foi acionado para revisar um lance envolvendo Bidon. O jogador permaneceu caído, cobrindo o rosto, numa cena que chamou atenção, mas que não foi suficiente, naquele momento, para uma decisão conclusiva. O juiz conversou com os capitães e encerrou a etapa inicial afirmando não haver imagens conclusivas.
O problema começa justamente depois disso. Na volta do intervalo, com as equipes prontas para reiniciar a partida, o árbitro retorna ao centro do campo, chama novamente os capitães e informa que fará nova revisão no vídeo. O desfecho vem logo em seguida: cartão vermelho para Carrascal. Um jogador expulso por um lance ocorrido no primeiro tempo, já analisado, e que havia sido considerado inconclusivo minutos antes.
A mudança de decisão não é, por si só, o maior ponto de tensão. A regra permite que um árbitro revise uma conduta violenta a qualquer momento, desde que o jogo ainda esteja em andamento. O que causa estranheza é o contexto. Filipe Luís, técnico do Flamengo, montou sua estratégia para o segundo tempo contando com 11 atletas. O reinício com um a menos desmontou completamente o planejamento tático, interferindo diretamente no andamento da partida.
A cronologia do episódio ajuda a entender a dimensão do problema. Segundo levantamento de Marcelo Gouveia, o cartão vermelho foi apresentado 23 minutos e 45 segundos após o lance original. A CBF, por sua vez, divulgou apenas 2 minutos e 40 segundos de áudio e vídeo do VAR. Um recorte mínimo diante de um intervalo tão longo entre o ocorrido e a decisão final.
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Há outro dado relevante. O Corinthians levou cerca de 21 minutos para retornar do intervalo. O Flamengo também voltou atrasado, cerca de 16 minutos e 30 segundos depois. Nenhum desses atrasos foi registrado na súmula. O árbitro assinalou que não houve demora no reinício, o que não corresponde aos registros cronológicos feitos por quem acompanhava a partida em tempo real.
A nota oficial da CBF tenta explicar o procedimento. Afirma que, inicialmente, as imagens disponíveis não apresentavam evidência conclusiva, razão pela qual o primeiro tempo foi encerrado normalmente. Em seguida, sustenta que uma nova checagem permitiu a identificação clara da infração, fundamentando a revisão que levou à expulsão. A pergunta inevitável surge: de onde vieram essas novas imagens?
O VAR, por protocolo, tem acesso a todas as câmeras da transmissão oficial, no caso, da TV Globo. Isso é conhecido previamente, inclusive com o plano de posicionamento das câmeras enviado à CBF antes do jogo. Portanto, não se trata de imagens externas ou clandestinas. Ainda assim, se essas imagens estavam disponíveis desde o início, por que não foram usadas na primeira revisão?
Mais grave é o descumprimento explícito do protocolo técnico. Em casos de possível conduta violenta, o árbitro deve analisar o lance em velocidade real, em câmera aberta e sob diferentes ângulos, antes de tomar uma decisão definitiva. No material divulgado, o juiz assiste apenas a um recorte fechado, com zoom acentuado e em câmera lenta. Em determinado momento, ele chega a pedir a imagem aberta, mas recebe a resposta de que só há aquele enquadramento disponível.
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Comparações feitas entre a imagem utilizada pelo VAR e a imagem aberta da transmissão reforçam a incongruência. A câmera da TV mostra o lance em perspectiva mais ampla, com maior contextualização do movimento. Já o vídeo analisado é restrito, isolado e editado para um foco específico, o que compromete a leitura da intensidade e da intenção do contato.
Outro elemento inquietante aparece no áudio divulgado. É possível ouvir conversas ao fundo que indicam a presença de pessoas na cabine além da equipe protocolar do VAR. Não há explicação oficial para isso. Soma-se a esse ponto o fato de a CBF ter divulgado menos de 10% do tempo total entre o lance e a aplicação do cartão vermelho, omitindo justamente o período mais sensível da decisão.
A discussão, portanto, vai além de Flamengo ou Corinthians. Não se trata de clubismo, mas de procedimento. Se o protocolo foi descumprido em ao menos um ponto central, a credibilidade do sistema fica comprometida. A tecnologia, que deveria reduzir controvérsias, acaba ampliando a sensação de insegurança quando opera sem transparência plena.
No futebol, decisões mudam jogos. Mas decisões mal explicadas corroem algo maior: a confiança no processo. E quando o VAR passa a ser parte do problema, o debate deixa de ser sobre um cartão vermelho e passa a ser sobre a própria condução do espetáculo.
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