Estrume pela boca

Felizmente, vivemos hoje a era da mídia livre. Não é preciso ser diplomado em área jornalística para desenvolver atividades na mídia informativa e, principalmente, na área esportiva, o que é uma grande vantagem, pois, se assim não fosse, seríamos privados de comentários riquíssimos de grandes nomes do esporte, desprovidos de qualquer formação jornalística e até mesmo universitária.
O fato é que a liberdade de expressão em rádio, internet, televisão ou jornal não deveria ultrapassar certos limites. Os direitos de uma parte não devem ferir a integridade de outra. Permitam-me explicar.
É de conhecimento geral as polêmicas, brincadeiras e o estilo do jornalismo esportivo da emissora Bandeirantes (Band). É a única emissora que conheço onde os comentaristas têm a liberdade de mostrar a sua total parcialidade de forma muitas vezes desrespeitosa. É evidente também a predileção da emissora pelo Corinthians e o superdimensionamento que ela dá a tudo o que se refere a este clube. Esse é um fato ao qual nos acostumamos. O que não dá para aceitar é o desrespeito, que há muito ultrapassa brincadeiras aceitáveis. Ouvir uma tentativa falha de comentarista como Neto dizer que o Clube de Regatas do Flamengo só pode vencer a Copa do Brasil de 2013 com auxílio do apito é inaceitável. E, se me cabe dizer, eu, que sou leiga nas ciências jurídicas, acredito que seja até mesmo cabível de processo.
Eu sempre acompanhei as notícias do futebol nos mais variados sites e canais. Houve um tempo em que ri das palhaçadas de comentaristas da Band, por acreditar em um jornalismo leve, inovador. Acreditava que assumir a paixão por determinado clube não ferisse o lado profissional. O que acontece é que faz tempo que a Band negligencia a falta de respeito que vem, principalmente, de Neto e Milton Neves, e a parcialidade absurda que compromete seriamente a qualidade do jornalismo esportivo da emissora, que, inclusive, conta com bons profissionais.
Em suma, o meu ensejo é focado hoje no Neto. Esboço de comentarista que nada acrescenta ao nosso jornalismo. Não cabe aos jornalistas flamenguistas lembrarem a ele fatos que envergonham o time que ele torce, muito menos a ele abrir a boca em rede nacional em agressão aos ouvidos e à moral rubro-negra. Deveras, a melhor resposta tem que ser dada dentro de campo. Passar por cima das palavras tontas que ele proferiu. Passar por cima, não pisar nelas. Ora, em estrume não pisamos, passamos por cima.
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