Fatal Model oferece R$ 100 milhões ao Flamengo: faturamento da empresa mostra incapacidade

Fatal Model oferece R$ 100 milhões ao Flamengo: faturamento da empresa mostra incapacidade

A Fatal Model confirmou que quer ocupar o espaço deixado pelas casas de apostas no futebol brasileiro e colocou Flamengo e Corinthians como alvos de propostas para o patrocínio máster. A movimentação ganhou força depois da decisão do governo federal de proibir a operação das bets no país, mas os valores apresentados pela empresa passaram a chamar atenção também por outro motivo: a dimensão das ofertas anunciadas é próxima ou superior ao faturamento anual divulgado pela própria companhia.


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A empresa apresentou ao Flamengo uma proposta de R$ 100 milhões por um ano, enquanto para o Corinthians o valor divulgado foi de R$ 120 milhões. Em entrevista, Samuel Ongaratto, diretor de negócios da Fatal Model, confirmou a intenção de aproximar a marca dos dois clubes e afirmou que as ofertas foram oficializadas no domingo (27). Segundo ele, seria uma honra para a empresa estar ao lado das duas maiores torcidas do país.

A situação, porém, ganhou uma particularidade no caso rubro-negro. O Flamengo inicialmente negou que existisse uma negociação com a Fatal Model. Depois, um e-mail enviado pela empresa ao clube veio a público, com a oferta de R$ 100 milhões pelo espaço máster durante 12 meses. O episódio criou uma diferença importante entre as versões: houve uma manifestação formal de interesse, mas isso não significa que exista negociação em andamento ou que o clube tenha aceitado discutir os termos apresentados.

A declaração da Fatal Model

O próprio Samuel Ongaratto procurou esclarecer a situação. Em vídeo divulgado pela empresa, o executivo afirmou que a proposta encaminhada ao Flamengo era real, mas fez questão de separar o envio da oferta de uma eventual negociação.

A mensagem da Fatal Model é de que a companhia pretende aproveitar o momento de transformação do mercado esportivo para ampliar sua presença. Além de Flamengo e Corinthians, a empresa afirmou que já apresentou propostas e mantém a disposição para conversar com clubes diante do novo cenário provocado pelo fim das bets.

A estratégia faz sentido dentro da trajetória recente do grupo. A Atlas Technologies, controladora da Fatal Model e da Fatal Fans, entrou de maneira mais forte no futebol em 2026. A Fatal Fans já possui acordo comercial com o Corinthians, enquanto a Fatal Model acumula experiências de patrocínio com outros clubes brasileiros. O contrato da Fatal Fans com o Corinthians prevê cerca de R$ 22 milhões até dezembro de 2027, podendo alcançar R$ 31 milhões com uma renovação.

O futebol, portanto, não é uma frente nova para a companhia. A novidade está no tamanho da exposição pretendida. Um patrocínio máster de R$ 100 milhões no Flamengo colocaria a Fatal Model em outro patamar de investimento e aproximaria a marca de uma propriedade que, até aqui, vinha sendo dominada pelas casas de apostas.

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A conta que chama atenção

É nesse ponto que os números precisam ser colocados lado a lado.

A Atlas Technologies encerrou 2025 com faturamento de aproximadamente R$ 140 milhões. Para 2026, a projeção divulgada pela própria empresa é de receitas entre R$ 180 milhões e R$ 200 milhões. Quase todo esse faturamento vem da Fatal Model. Os dados foram divulgados em reportagem do InvestNews e reproduzidos por veículos especializados em negócios.

A proposta de R$ 100 milhões ao Flamengo, portanto, corresponde a cerca de 71% do faturamento de R$ 140 milhões registrado em 2025. Se a comparação for feita com a projeção máxima de R$ 200 milhões para 2026, o valor ainda representaria metade da receita anual estimada.

Quando se colocam Flamengo e Corinthians na mesma conta, a dimensão fica ainda mais evidente: seriam R$ 220 milhões em propostas de patrocínio máster. Esse montante supera o faturamento de 2025 da Atlas Technologies em aproximadamente R$ 80 milhões e também fica acima do teto de R$ 200 milhões projetado para 2026.

Isso, porém, não permite afirmar automaticamente que a empresa não tenha condições de realizar os pagamentos. Faturamento não é sinônimo de lucro, caixa ou patrimônio disponível. Uma companhia pode utilizar reservas, capital dos sócios, investimentos ou outras fontes de recursos para financiar uma estratégia comercial. Para determinar a capacidade efetiva de pagamento, seriam necessários dados que não estão públicos, como caixa, endividamento, margem de lucro, obrigações financeiras e estrutura de capital.

A matemática serve, portanto, para dimensionar o tamanho da promessa, não para provar sozinha que ela seria inexequível.

O contraste com o Flamengo

A diferença entre os R$ 100 milhões oferecidos pela Fatal Model e o atual patrocínio máster do Flamengo também é significativa. A Betano possui contrato avaliado em cerca de R$ 268 milhões anuais, enquanto a proposta da nova empresa ficaria aproximadamente R$ 168 milhões abaixo desse patamar.

O contexto ajuda a explicar por que uma eventual troca não seria simples. O Flamengo não está apenas procurando uma marca para preencher um espaço vazio. Está diante de uma propriedade que alcançou um valor excepcional no mercado brasileiro e que faz parte de um planejamento comercial de longo prazo.

Depois da Medida Provisória que proibiu a operação e a publicidade das bets, o clube passou a conviver com a possibilidade de interrupção do acordo com a Betano. O presidente Luiz Eduardo Baptista afirmou que o Flamengo pretende aguardar a definição da situação antes de decidir se buscará outro patrocinador máster. A posição foi reforçada em meio à discussão sobre a tramitação da MP e seus possíveis desdobramentos.

Isso coloca a proposta da Fatal Model em uma situação peculiar. A empresa apareceu rapidamente para ocupar um espaço que pode ficar disponível, mas o Flamengo não está obrigado a aceitar uma oferta apenas porque ela surgiu em meio a uma crise de mercado.

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Uma disputa também por exposição

Existe ainda uma dimensão de marketing. Ao apresentar publicamente propostas para Flamengo e Corinthians justamente quando os dois clubes perderam a segurança sobre seus patrocinadores de apostas, a Fatal Model ganhou enorme exposição. O movimento foi assumido pela própria empresa. Samuel Ongaratto declarou que o futebol é uma das principais plataformas de comunicação utilizadas pela companhia e destacou a experiência acumulada em patrocínios esportivos.

O interesse comercial é legítimo e a proposta foi confirmada. O que permanece em aberto é a capacidade financeira necessária para transformar os números anunciados em contratos efetivamente pagos. No caso do Flamengo, essa análise seria especialmente rigorosa porque uma proposta de R$ 100 milhões não representa apenas uma negociação comercial: envolve um dos espaços mais valorizados do futebol brasileiro.

Por enquanto, o dado concreto é que a Fatal Model colocou o Flamengo no centro de sua estratégia de expansão e apresentou uma oferta de R$ 100 milhões por um ano. Ao mesmo tempo, os números públicos da Atlas mostram uma empresa cujo faturamento projetado para 2026 chega a R$ 200 milhões. A diferença entre uma proposta anunciada e um compromisso financeiro sustentável, entretanto, depende de informações que vão muito além do faturamento bruto.

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