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Flamengo adota novo modelo de contratações, aposta na base e vê Leonardo Jardim alinhado ao “DNA” do clube

Leonardo Jardim é apresentado no Flamengo com salário milionário e mesmos poderes de Filipe Luís

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O Flamengo atravessa um momento de redefinição no futebol, tanto dentro quanto fora de campo, e a fala recente do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, durante participação no MengoCast, na FlamengoTV, ajuda a entender como o clube tem estruturado suas decisões. Ao comentar sobre contratações, perfil de elenco e a escolha do técnico Leonardo Jardim, o dirigente expôs uma linha de raciocínio que combina planejamento, controle de risco e respeito ao que chama de “DNA” rubro-negro.


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A entrevista ocorreu em meio a questionamentos recorrentes da torcida sobre reforços e expectativas por nomes de impacto. A resposta veio em tom didático, quase pedagógico, detalhando como o Flamengo tem operado no mercado e por que nem sempre a demanda imediata das arquibancadas se traduz em movimentos concretos.

Um novo modelo de contratação

O ponto de partida da análise de Bap está na mudança de mentalidade. O Flamengo deixou de atuar como um clube que busca volume e passou a mirar precisão. A ideia, segundo o presidente, não é mais contratar “um jogador”, mas sim “o jogador” específico para determinada função.

Esse ajuste altera toda a lógica do mercado. Ao definir alvos com mais clareza, o clube naturalmente entra em disputas mais caras e complexas. O dirigente reconhece que esse modelo eleva custos e dificulta negociações, mas sustenta que ele reduz erros e aumenta a chance de encaixe no elenco.

Há também um aprendizado acumulado. O Flamengo, que em outros momentos contratou por oportunidade ou excesso, hoje tenta evitar movimentos impulsivos. A metáfora utilizada na entrevista é simples, mas reveladora: não faz sentido sair para comprar uma camisa e voltar com uma calça apenas porque estava em promoção. A crítica implícita é ao passado recente do próprio futebol brasileiro.

O limite do mercado e a questão do centroavante

A discussão ganha contornos mais concretos quando o tema passa a ser a busca por um centroavante. Bap expõe um dado que ajuda a dimensionar o problema: os nomes desejados pela torcida giram entre 32 e 40 milhões de euros. E, no contexto atual, seriam reservas de Pedro.

A pergunta que se impõe é direta: faz sentido investir esse valor em um jogador que não será titular? A resposta do clube é negativa. Não apenas pelo custo, mas pelo impacto na gestão do elenco e no ambiente interno.

Além disso, o presidente levanta outro ponto pouco debatido: a escassez global de centroavantes de alto nível. Não se trata apenas de dinheiro, mas de disponibilidade. O mercado não oferece tantas opções quanto o imaginário coletivo sugere.

Base como estratégia e não como discurso

Se o Flamengo reduz a entrada de jogadores caros para determinadas funções, precisa abrir espaço interno. E é aí que entra a base. Não como discurso institucional, mas como parte efetiva da estratégia.

Bap menciona diferentes ritmos de maturação dos atletas e cita exemplos de jogadores que só atingiram o auge em idades mais avançadas, como Claudinho. A mensagem é clara: nem todo talento se revela aos 18 anos, e o clube precisa criar ambiente para esse desenvolvimento.

Esse olhar se conecta com outra frente de atuação: o investimento em categorias sub-20 e sub-17, com contratações pontuais de jovens com potencial. A lógica é semelhante à de um fundo de investimento. Nem todos darão retorno, mas aqueles que vingarem compensam o restante.

O Flamengo, nesse cenário, já não depende mais da venda imediata de atletas para equilibrar contas. Isso permite segurar jogadores por mais tempo e avaliar melhor sua evolução.

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Leonardo Jardim e o “DNA” do Flamengo

A escolha de Leonardo Jardim não surge como ruptura, mas como continuidade de um processo. O técnico, segundo Bap, já estava no radar do clube há mais de cinco anos e chegou a ser considerado em momentos anteriores, inclusive após a saída de Jorge Jesus.

A comparação entre os dois nomes aparece de forma indireta, principalmente no que diz respeito ao nível de exigência. Jardim é descrito como um treinador que cobra comportamento, intensidade e comprometimento fora de campo, algo que dialoga com o perfil de Jesus em 2019.

Mas há nuances importantes. O presidente faz questão de destacar que o português não é apenas um técnico rígido. No dia a dia, é alguém mais acessível, com boa relação interpessoal. Esse equilíbrio, na visão do clube, facilita a gestão de grupo.

Mais do que características individuais, a escolha passa por um conceito maior. O Flamengo não busca apenas um treinador competente, mas alguém alinhado com a forma de jogar que o clube considera inegociável. A ideia de “DNA” aparece como critério central: intensidade, protagonismo e rejeição a modelos excessivamente reativos.

Planejamento versus imediatismo

Ao longo da entrevista, um conflito aparece de forma recorrente: o tempo do planejamento contra a urgência da torcida. O dirigente reconhece que nem sempre será possível atender às expectativas imediatas, especialmente em janelas de transferência.

A defesa do clube é que o trabalho é contínuo e estruturado. O Flamengo olha para o presente, mas também para os próximos anos. Contratações, formação de elenco e escolha de treinador fazem parte de um mesmo desenho.

Nesse contexto, a percepção de uma janela “fraca” pode ser apenas o reflexo de um processo mais longo. O clube entende que já fez investimentos relevantes nos últimos meses e que o mercado não deve ser analisado apenas por um recorte pontual.

Um clube que tenta controlar o próprio ciclo

A fala de Bap revela um Flamengo que tenta reduzir variáveis. Menos improviso, mais método. Menos volume, mais precisão. A lógica passa por controlar o ciclo do futebol, desde a base até o elenco profissional.

Não há promessa de acerto absoluto. O próprio presidente admite que nem todas as apostas darão certo. Mas há um esforço claro de diminuir o erro e aumentar a coerência.

No fim, o que se desenha é um clube que busca estabilidade em um ambiente historicamente instável. E que tenta, ao mesmo tempo, manter a competitividade sem abrir mão de um padrão de jogo e de gestão que considera essencial.

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