Ícone do site Ser Flamengo

Flamengo busca alternativas para Betano e avalia novos patrocinadores diante de possível restrição às bets

Flamengo busca alternativas para Betano e avalia novos patrocinadores diante de possível restrição às bets

O Flamengo começou a se movimentar para reduzir o impacto de uma eventual saída da Betano do patrocínio master, diante da possibilidade de o governo federal restringir ou proibir as apostas online no Brasil. O clube já recebeu sondagens de empresas de outros setores e mantém conversas para diferentes propriedades comerciais, enquanto acompanha a situação jurídica e política que envolve as casas de apostas. A preocupação é explicada pelo tamanho do atual contrato: R$ 268,5 milhões por temporada até dezembro de 2028, em um acordo que pode chegar a R$ 895 milhões.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: Spotify, Deezer, Amazon, iTunes, Youtube Music, Castbox e Anchor.


A discussão ganhou urgência nos últimos dias porque as próprias empresas do setor passaram a preparar os clubes para uma possível ruptura. Reportagem da Folha de S.Paulo informou que Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte já haviam iniciado movimentos nesse sentido, enquanto outras plataformas aguardavam a definição do governo. No caso do Flamengo, a Betano ainda não havia formalizado uma rescisão, mas já havia conversado com a diretoria sobre a possibilidade de encerramento do vínculo caso uma eventual medida proíba as apostas.

Betano: um contrato de R$ 268,5 milhões por ano

O acordo entre Flamengo e Betano foi aprovado pelo Conselho Deliberativo em agosto de 2025. O vínculo começou naquele ano e prevê R$ 268,5 milhões fixos por temporada, chegando a R$ 895 milhões ao longo dos 40 meses de contrato. A negociação também envolveu outros ativos comerciais do clube, além da exposição principal no uniforme.

O contrato foi elaborado prevendo diferentes cenários regulatórios. Segundo Rodrigo Mattos, do UOL, mudanças na legislação podem alterar o valor pago pela empresa, enquanto uma eventual suspensão dos jogos online também teria consequências específicas. Já uma proibição geral das apostas esportivas está prevista como hipótese de rompimento.

Essa estrutura ganhou importância diante da discussão atual porque o governo ainda avaliava, até as últimas informações disponíveis, alternativas que iam de restrições à publicidade até uma proibição mais ampla das apostas online. Na quinta-feira (24), fontes ouvidas pela Reuters disseram que Lula poderia apresentar uma MP nesta sexta-feira (25), com veto total às apostas online e uma linha de crédito para clubes como forma de reduzir os efeitos financeiros. As mesmas fontes ressaltaram que a decisão ainda não estava definitivamente tomada.

ENTREVISTA COMPLETA:

O Flamengo já procura alternativas

Enquanto a definição não vem, o clube passou a olhar para outros segmentos. A Cimed, farmacêutica que já patrocina Palmeiras e Cruzeiro, apresentou uma proposta ao Flamengo. Os valores, porém, são inferiores ao atual contrato da Betano, segundo informações.

A diferença de patamar é significativa. Não se trata apenas de encontrar uma empresa disposta a ocupar o espaço principal da camisa, mas de identificar um parceiro capaz de se aproximar de uma propriedade que foi valorizada em uma disputa intensa no mercado de apostas. Na negociação de 2025, Betano e Sportingbet chegaram a apresentar propostas superiores a R$ 200 milhões anuais, e a concorrência ajudou a elevar o valor final do acordo rubro-negro.

A Lubrax aparece em outra posição nessa movimentação. A empresa retomou neste ano uma parceria histórica com o Flamengo e assinou contrato de três anos para estampar a marca nas costas do uniforme, por cerca de R$ 24 milhões anuais. Agora a companhia sinalizou interesse em assumir o espaço master caso a Betano deixe o clube.

O setor bancário também é observado pelo Flamengo. O clube mantém o BRB como patrocinador, mas o contrato tem sido alvo de questionamentos e o cenário para o próximo ciclo é acompanhado pela diretoria. A possibilidade de uma empresa desse segmento ocupar uma propriedade maior aparece entre as alternativas discutidas, assim como sondagens de multinacionais e grandes grupos. Até o momento, não há acordo fechado para substituir a Betano.

A conta vai além da camisa

O tamanho do problema não está restrito ao espaço master. O acordo com a Betano envolve outras propriedades do Flamengo, incluindo ativos relacionados às equipes femininas, esportes olímpicos e canais do clube. Por isso, uma eventual saída representaria uma reorganização comercial mais ampla.

O impacto também alcança outras receitas. Rodrigo Mattos calculou que, sem as bets, o Flamengo poderia ter até 20% de sua receita prevista afetada, considerando os 15% relacionados ao contrato da Betano e outros 5% vinculados a propriedades comercializadas pela Brax e relacionadas ao mercado de apostas. Trata-se de uma estimativa apresentada pelo colunista, e não de uma projeção oficial publicada pelo Flamengo.

A presença das bets no futebol brasileiro ajuda a dimensionar o contexto. Em 2025, as empresas do setor investiram aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios para clubes da Série A, segundo levantamento da consultoria Convocados. O valor representou 7,2% das receitas totais dos clubes da elite naquele ano. Em 2026, entretanto, a presença das apostas no espaço master já havia diminuído: eram 13 dos 20 clubes da Série A, contra 18 em 2025.

LEIA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

O que pode acontecer com o master

A movimentação do Flamengo não significa que o clube esteja tratando a saída da Betano como fato consumado. Pelo contrário. A diretoria trabalha com diferentes cenários enquanto aguarda a definição do governo e os possíveis desdobramentos no Congresso e no Judiciário.

Também existe uma questão de mercado. Substituir uma empresa que paga R$ 268,5 milhões por temporada não significa necessariamente encontrar outra disposta a desembolsar quantia semelhante. O próprio Flamengo reconhece, segundo a apuração de Rodrigo Mattos, que dificilmente o próximo contrato alcançaria imediatamente o mesmo patamar. A expectativa é de que o mercado precise de tempo para absorver uma eventual saída das apostas e reorganizar os valores das propriedades.

Há, ainda, uma particularidade na atual estrutura comercial rubro-negra. O Flamengo chega a esse momento com uma carteira diversificada de parceiros e uma marca considerada de grande capacidade de exposição. Em março, por exemplo, o clube aprovou o contrato com a Ademicon, de R$ 14 milhões anuais, enquanto a GAC também entrou na carteira comercial. O uniforme já reunia diferentes empresas antes mesmo da atual discussão sobre as bets.

Isso não elimina o tamanho do desafio, mas explica por que o clube trabalha em várias frentes. A questão central deixou de ser apenas quem poderá aparecer na camisa no futuro. É saber quanto o mercado estará disposto a pagar, quais propriedades poderão ser reorganizadas e em quanto tempo uma eventual perda será recomposta.

Por enquanto, Betano e Flamengo seguem ligados por contrato, e não existe anúncio oficial de encerramento da parceria. O clube, entretanto, não espera uma definição para começar a procurar alternativas. Entre propostas recebidas, interesse da Lubrax, conversas com o setor bancário e sondagens de grandes empresas, o Flamengo tenta construir uma saída comercial antes que uma eventual mudança regulatória transforme a necessidade de substituição em uma urgência financeira.

VEJA: A repercussão MUNDIAL da parceria HISTÓRICA entre FLAMENGO e BETANO!

—

+ Siga o Ser Flamengo no Twitter, no Instagram e no Youtube.

 

Comentários
Sair da versão mobile