Flamengo cresce 48% e entra no top 32 das marcas mais valiosas do mundo

O Flamengo avançou 12 posições no ranking das marcas mais valiosas do futebol mundial em 2026 e alcançou o 32º lugar, segundo o relatório Football 50, da consultoria britânica Brand Finance. Avaliado em 153,9 milhões de euros, ou cerca de US$ 179 milhões, o clube teve valorização de 48% em apenas um ano e se manteve como a marca mais valiosa e mais forte do futebol brasileiro. O levantamento, porém, revela uma questão que vai além da posição no ranking: o Flamengo possui uma força de marca muito superior à sua capacidade atual de transformar esse patrimônio em receitas.
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Flamengo sobe 12 posições em um ano
A evolução é significativa quando comparada ao levantamento anterior. Em 2025, o Flamengo aparecia na 44ª colocação mundial. Um ano depois, saltou para o 32º lugar, enquanto o valor estimado da marca cresceu 48%. O Palmeiras, segundo brasileiro mais bem colocado, está na 49ª posição, com uma marca avaliada em 90,3 milhões de euros.
A distância para os gigantes europeus ainda é enorme. O Real Madrid lidera o ranking com uma marca avaliada em aproximadamente 2,4 bilhões de euros, seguido pelo Barcelona, com cerca de 2 bilhões, e pelo Arsenal, que ultrapassou a marca de 1 bilhão de euros. As 50 maiores marcas reunidas pela Brand Finance somam 23,9 bilhões de euros, sendo que as dez primeiras concentram mais de 60% desse valor.
O Flamengo, portanto, ainda está distante do grupo que domina o mercado global. Seus 153,9 milhões de euros representam pouco mais de 6% do valor atribuído ao Real Madrid. Essa diferença, entretanto, não pode ser interpretada simplesmente como uma distância equivalente em popularidade ou relevância. Ela está muito mais relacionada à capacidade de cada instituição de transformar audiência, reputação e identificação em negócios.
É justamente nesse ponto que o levantamento se torna mais interessante para o Flamengo.
Uma marca mais forte do que o seu valor econômico
A Brand Finance atribuiu ao Flamengo 76,9 pontos, em uma escala de 100, no seu indicador de força de marca. O número coloca o clube na liderança entre as instituições brasileiras. O Corinthians aparece em seguida, com 68,9 pontos.
A diferença entre força e valor ajuda a explicar a situação rubro-negra. O valor da marca procura estimar economicamente aquilo que ela representa no mercado. Já o indicador de força considera aspectos relacionados à percepção dos públicos, investimento em marketing, desempenho empresarial, reputação e relacionamento com os torcedores.
A metodologia da consultoria utiliza o chamado Royalty Relief, que estima quanto uma empresa teria de pagar para licenciar uma marca equivalente caso não fosse proprietária dela. É uma maneira de transformar em referência financeira algo que, no futebol, costuma ser percebido primeiro pela paixão.
No caso do Flamengo, os números mostram uma marca com enorme capacidade de mobilização, mas ainda com espaço considerável para ampliar sua exploração comercial.
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A torcida como plataforma
O relatório aponta que aproximadamente 21% dos torcedores brasileiros se identificam com o Flamengo. O dado, isoladamente, já representa uma escala extraordinária. O que chama atenção, porém, é a combinação com outros indicadores: 68% no quesito paixão e 63% em reputação.
Para o mercado, essa combinação é mais relevante do que simplesmente saber quantas pessoas acompanham determinado clube. Uma marca esportiva se torna mais valiosa quando consegue estabelecer uma relação frequente com seu público, seja pela presença nos estádios, pelo consumo de produtos oficiais, pelo acompanhamento das partidas, pelas redes sociais ou por conteúdos produzidos fora dos dias de jogo.
É aí que a torcida deixa de ser apenas audiência e passa a funcionar como plataforma comercial.
Uma empresa interessada em se associar ao Flamengo pode explorar propriedades tradicionais, como o uniforme e a publicidade, mas também campanhas digitais, produtos licenciados, experiências no estádio, ações com jogadores, conteúdos próprios, projetos culturais, turismo, museu, programas de relacionamento e outras iniciativas.
Essa lógica amplia o valor de cada parceiro e permite que uma mesma comunidade seja alcançada por diferentes caminhos.
O desafio é transformar força em dinheiro
O futebol brasileiro atravessa um momento de expansão. Segundo os dados apresentados pela Brand Finance, os clubes da Série A alcançaram receita recorde em 2025, na casa de 2,4 bilhões de euros, crescimento de 33% em relação ao ano anterior.
O cenário mostra que existe dinheiro circulando em volume cada vez maior no mercado nacional. A questão para o Flamengo é quanto desse potencial pode ser capturado pela própria instituição.
A força da marca já está demonstrada. A torcida existe, a exposição nacional é permanente e o clube possui uma capacidade de gerar audiência que poucos concorrentes conseguem igualar. O desafio passa a ser transformar esse patrimônio em receitas recorrentes sem desgastar justamente aquilo que sustenta o valor comercial.
Isso significa desenvolver produtos, ampliar o licenciamento, criar experiências, explorar propriedades digitais, fortalecer a internacionalização e encontrar novas formas de relacionamento com o torcedor. A marca não está limitada à camisa ou às placas de publicidade. Ela acompanha o consumidor quando ele compra um uniforme, leva os filhos ao estádio, assiste a um conteúdo, visita uma exposição, viaja para acompanhar uma partida ou simplesmente incorpora o clube à própria rotina.
Essa é a principal oportunidade apresentada pelos números.
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Um mercado em transformação
O salto do Flamengo também ocorre enquanto o futebol brasileiro começa a ocupar uma posição econômica mais relevante no cenário internacional. O crescimento das receitas dos clubes e a valorização das principais marcas nacionais mostram que existe uma disputa cada vez maior pela atenção do torcedor e pelo orçamento das empresas.
O Flamengo parte de uma condição privilegiada. É simultaneamente a marca brasileira mais valiosa e a mais forte entre os clubes avaliados pela consultoria. A questão agora é quanto dessa vantagem poderá ser convertida em valor econômico nos próximos anos. O clube já demonstrou que consegue crescer rapidamente nesse indicador. A subida da 44ª para a 32ª posição mundial em apenas uma temporada mostra isso.
Mas há uma diferença fundamental entre estar entre as maiores marcas e alcançar o patamar dos gigantes europeus. Real Madrid e Barcelona não chegaram à casa dos bilhões apenas pela quantidade de torcedores. Construíram, durante décadas, uma estrutura internacional de licenciamento, mídia, turismo, experiências, patrocínios e exploração comercial capaz de transformar reconhecimento global em receita.
O Flamengo começa a caminhar nessa direção. O resultado de 2026 mostra que existe um ativo gigantesco à disposição do clube. A marca já é forte. A torcida já é numerosa. A paixão e a reputação também aparecem em níveis elevados. Falta ampliar a capacidade de capturar economicamente tudo isso.
No futebol, onde paixão e negócio convivem permanentemente, talvez essa seja a principal leitura do ranking da Brand Finance. O Flamengo não precisa descobrir como criar uma marca forte. Essa marca já existe e está entre as mais relevantes do mundo. O desafio é fazer com que o seu valor econômico se aproxime cada vez mais do tamanho que ela representa.
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