O Flamengo avançou de forma expressiva no mercado global de marcas de futebol em 2026. Segundo o relatório Football 50, da Brand Finance, o clube chegou ao 32º lugar entre as marcas mais valiosas do mundo, com valor estimado em €153,9 milhões, equivalente a US$ 179 milhões, depois de uma valorização de 48% em apenas um ano. O resultado mantém o Rubro-Negro isolado na liderança do futebol brasileiro, mas também revela uma diferença importante entre a força que o clube exerce sobre torcedores e sua capacidade de transformar esse patrimônio emocional em dinheiro.
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A fotografia apresentada pela consultoria britânica ajuda a entender uma característica particular do Flamengo. O clube não precisa ser o mais rico do mundo para estar entre as marcas mais fortes do futebol internacional. Seu poder está principalmente na dimensão da torcida, na capacidade de mobilização, na relevância cultural e na presença que construiu ao longo de mais de um século. Em 2026, o Brand Strength Index, indicador utilizado pela Brand Finance para medir a força das marcas, atribuiu ao Flamengo nota 76,9 em 100, a maior entre os clubes brasileiros.
Essa diferença entre força e valor é justamente o ponto mais interessante do levantamento. O valor de marca procura traduzir economicamente aquilo que a instituição consegue capturar a partir de sua identidade, enquanto o índice de força considera fatores como investimento em marketing, percepção dos diferentes públicos e desempenho empresarial. A própria metodologia da Brand Finance utiliza o chamado Royalty Relief, estimando quanto uma empresa teria de pagar para licenciar uma marca equivalente no mercado.
O tamanho da distância para a Europa
O Flamengo cresceu muito, mas o salto ainda não eliminou a distância para os gigantes europeus. O Real Madrid aparece novamente na primeira colocação, com uma marca avaliada em €2,4 bilhões, seguido pelo Barcelona, com aproximadamente €2 bilhões, e pelo Arsenal, que chegou a €1,5 bilhão. As 50 marcas avaliadas pela Brand Finance somam €23,9 bilhões, sendo que as dez primeiras concentram €14,9 bilhões, mais de 60% do total.
A comparação deixa evidente o tamanho do desafio. O valor atribuído ao Flamengo, de €153,9 milhões, representa pouco mais de 6% da marca do Real Madrid. Não significa, porém, que exista uma diferença equivalente de paixão ou de relevância esportiva. O que separa os mercados é principalmente a capacidade histórica de transformar audiência em receitas comerciais, exploração internacional, licenciamento, produtos, experiências, hospitalidade e outras propriedades associadas à marca.
O próprio ranking mostra que a força de uma marca não está restrita ao tamanho de seu faturamento. A Brand Finance destacou em sua pesquisa que marcas fortes de futebol são construídas também por reputação, história, paixão dos torcedores e relevância em seus mercados domésticos. Nesse quesito, o Flamengo aparece com uma posição particularmente robusta: é a marca mais forte do Brasil e também a mais valiosa do país.
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O crescimento de 48% fez o Flamengo saltar da 44ª colocação mundial, ocupada em 2025, para a 32ª posição em 2026. No mesmo ranking, o Palmeiras aparece em 49º, com €90,3 milhões. O Rubro-Negro, portanto, não apenas permanece à frente dos concorrentes nacionais como ampliou consideravelmente sua presença no mercado internacional de marcas.
O desempenho ocorre em um momento de expansão das receitas do futebol brasileiro. De acordo com os dados apresentados pela Brand Finance, os 20 clubes da Série A alcançaram receita recorde de €2,4 bilhões em 2025, crescimento de 33% em relação ao ano anterior. O ambiente econômico do futebol nacional mudou de escala, mas ainda existe uma diferença significativa entre gerar receita dentro do Brasil e construir uma plataforma comercial capaz de competir globalmente.
É nesse espaço que o Flamengo tem uma oportunidade que poucos clubes brasileiros possuem. A força da marca já está comprovada. O desafio agora é transformar esse ativo em mais dinheiro.
A torcida é gigantesca, a exposição nacional é permanente e a capacidade de produzir audiência está entre as maiores do futebol brasileiro. O problema não está em criar interesse pelo Flamengo. Está em encontrar maneiras cada vez mais eficientes de capturar economicamente esse interesse sem desgastar o principal patrimônio do clube.
Esse processo passa por produtos licenciados, experiências presenciais, conteúdo, internacionalização, patrocínios, mídia própria, turismo, museu, estádio e propriedades comerciais que ainda podem ser desenvolvidas. A marca não termina no uniforme ou na placa de publicidade. Ela acompanha o torcedor quando ele compra uma camisa, leva o filho ao estádio, assiste a um conteúdo, visita uma exposição, viaja para acompanhar o time ou simplesmente incorpora o Flamengo à própria rotina.
O resultado da Brand Finance expõe, portanto, uma contradição que pode ser também uma oportunidade. O Flamengo já possui uma força de marca compatível com instituições muito maiores do que seu atual valor econômico. Enquanto o clube ocupa a 32ª posição entre as marcas mais valiosas, sua força de marca o coloca em um patamar muito mais competitivo.
Ser forte e não ser tão rico quanto poderia não é necessariamente uma fraqueza. No caso do Flamengo, pode ser justamente a demonstração de que existe patrimônio econômico ainda não completamente explorado.
O salto de 48% em um ano mostra que essa transformação já está acontecendo. A questão para os próximos anos será saber até onde o Flamengo conseguirá levar esse valor. A paixão já existe. A audiência também. O que falta é converter uma parte cada vez maior desse poder em receita recorrente, escala internacional e valor de marca.
Em outras palavras: o Flamengo já tem uma das marcas mais fortes do futebol. Agora precisa fazer com que ela valha tanto quanto representa.
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