Flamengo e Palmeiras estão entre as 50 maiores marcas do futebol mundial

Flamengo e Palmeiras são os únicos clubes brasileiros entre as 50 marcas de futebol mais valiosas do mundo em 2026, segundo o relatório Football 50, da Brand Finance. O levantamento divulgado em agosto mostra o Rubro-Negro na 32ª posição em valor de marca, estimado em €153,9 milhões, enquanto o Palmeiras aparece em 49º, com €90,3 milhões. A diferença entre os dois aumenta quando o critério deixa de ser dinheiro e passa a medir força: o Flamengo é o 17º colocado do mundo nesse indicador, enquanto o clube paulista ocupa a 31ª posição.
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O dado mais interessante do estudo está justamente nessa diferença. Valor de marca e força de marca não significam a mesma coisa. O primeiro procura traduzir financeiramente o potencial comercial associado à identidade de uma instituição. O segundo considera a capacidade de uma marca influenciar decisões, gerar conexão e manter relevância diante de seus públicos. Por isso, o Flamengo aparece em uma posição muito superior quando a pergunta é sobre força, ainda que esteja bem mais distante dos gigantes europeus quando a comparação envolve dinheiro.
Flamengo avança 12 posições
O crescimento rubro-negro foi expressivo. Em apenas um ano, o Flamengo saiu da 44ª colocação para a 32ª entre as marcas mais valiosas do planeta. O valor subiu 48%, chegando a €153,9 milhões. Em dólares, a estimativa apresentada no levantamento corresponde a US$ 179 milhões.
O salto acontece em um cenário de valorização do futebol brasileiro. As 20 equipes da Série A registraram receita conjunta recorde de €2,4 bilhões em 2025, alta de 33% sobre o ano anterior. O crescimento mostra que o mercado nacional vem ampliando sua capacidade de gerar dinheiro, embora ainda exista uma distância considerável para as principais potências europeias.
No caso do Flamengo, o desempenho combina resultados esportivos, alcance comercial e uma base de torcedores que dá ao clube uma dimensão muito particular. A Brand Finance aponta o Rubro-Negro como a marca de futebol mais forte do Brasil, com 76,9 pontos no Brand Strength Index, indicador que considera diferentes aspectos da relação entre marca e público.
É justamente aí que aparece uma das informações mais relevantes do ranking. O Flamengo é apenas o 32º em valor, mas sobe para o 17º quando o critério é força. O clube está, portanto, mais bem posicionado em capacidade de marca do que em sua transformação econômica.
Palmeiras também está no Top 50
O Palmeiras aparece logo atrás do Rubro-Negro no cenário brasileiro. A marca alviverde foi avaliada em €90,3 milhões, crescimento de 40% em relação ao ano anterior, suficiente para colocar o clube na 49ª posição mundial. Em força de marca, porém, o Palmeiras sobe para o 31º lugar.
A comparação evidencia uma característica comum aos dois clubes. Ambos conseguiram entrar em uma lista dominada por instituições europeias, mas ocupam posições diferentes quando se mede a capacidade de influência de suas marcas. O Flamengo está 17 posições acima do Palmeiras no ranking de força e 17 posições à frente também na classificação por valor.
Não é apenas uma disputa entre os dois maiores representantes brasileiros do levantamento. É uma fotografia do estágio atual do futebol nacional diante do mercado internacional. Flamengo e Palmeiras são os únicos clubes do país entre os 50 mais valiosos, enquanto São Paulo, Corinthians, Fluminense, Atlético-MG, Internacional, Bragantino, Cruzeiro e Grêmio aparecem abaixo desse grupo. O São Paulo, avaliado em €70,5 milhões, ficou fora do Top 50, embora tenha registrado crescimento de 49%. O Corinthians aparece com €60,2 milhões.
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A distância para os gigantes
Se a presença de Flamengo e Palmeiras no Top 50 representa um avanço brasileiro, a parte de cima da tabela mostra o tamanho do caminho ainda existente. O Real Madrid lidera pelo terceiro ano consecutivo, com marca avaliada em €2,4 bilhões. Barcelona e Arsenal aparecem na sequência, com €2 bilhões e €1,5 bilhão, respectivamente. As 50 maiores marcas somam €23,9 bilhões, enquanto as dez primeiras concentram €14,9 bilhões, mais de 60% do total.
A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do Flamengo. Os €153,9 milhões atribuídos ao clube representam uma fração do valor do Real Madrid. Não significa, entretanto, que o Rubro-Negro esteja na mesma proporção abaixo em relevância ou capacidade de mobilização. O que existe é uma diferença histórica de mercado, exposição internacional, receitas comerciais, exploração de propriedades e capacidade de monetização.
O próprio comportamento do ranking reforça essa leitura. A Brand Finance destaca que marcas fortes não são construídas apenas a partir de receita. Reputação, história, paixão dos torcedores e relevância dentro do mercado doméstico também entram na equação. O Flamengo aparece justamente como o exemplo brasileiro mais evidente dessa combinação.
A questão passa, então, por transformar força em valor. Ter uma torcida gigantesca e uma marca reconhecida nacionalmente cria uma vantagem que precisa ser convertida em contratos, produtos, licenciamento, experiências, conteúdo, internacionalização e novas propriedades comerciais. O crescimento de 48% em apenas um ano mostra que esse processo está em andamento, mas também revela quanto ainda existe para avançar.
Para o Palmeiras, a presença entre as 50 maiores marcas do planeta confirma a consolidação de um projeto esportivo e comercial que ganhou escala nos últimos anos. O clube cresceu 40% em valor e permanece como a segunda marca brasileira mais valiosa.
Para o Flamengo, a diferença entre o 32º lugar em valor e o 17º em força é ainda mais reveladora. A marca já demonstra capacidade para competir em um patamar internacional de influência, mas sua tradução financeira ainda não acompanha integralmente esse potencial.
O ranking de 2026 coloca os dois clubes brasileiros em uma posição inédita de visibilidade. Flamengo e Palmeiras não estão apenas disputando espaço entre si. Eles são, hoje, os representantes de um futebol brasileiro que começa a aparecer com maior frequência nas grandes avaliações internacionais de marca. O próximo passo é fazer essa presença deixar de ser apenas simbólica e se transformar em uma fatia maior do dinheiro que circula no futebol global.
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