Ícone do site Ser Flamengo

Flamengo em risco no Carioca: onde o planejamento acertou e onde errou

Flamengo em risco no Carioca: onde o planejamento acertou e onde errou

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

A derrota do Flamengo para o Fluminense por 2 a 1, neste domingo (25), no Maracanã, não foi apenas mais um revés em clássico. O resultado colocou o clube rubro-negro numa situação delicada dentro do Campeonato Carioca, às vésperas da última rodada da fase de grupos, e reacendeu um debate que já vinha sendo travado desde o início do estadual: planejamento, avaliação técnica e risco calculado.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


Com apenas mais um jogo a disputar, o Flamengo aparece como penúltimo colocado do Grupo B, dependendo de combinações de resultados envolvendo Nova Iguaçu e Maricá para avançar. O cenário causa incômodo não só pela posição na tabela, mas pelo contexto em que ele se construiu.

O campeonato começou de forma atípica para o Flamengo. O clube entrou em campo com a equipe sub-20 nas primeiras rodadas, decisão diretamente ligada ao calendário da temporada. O último jogo oficial do elenco principal havia sido em 17 de dezembro, na final do Mundial, contra o PSG, além das partidas anteriores na mesma competição. Antecipar compromissos logo no dia 11 de janeiro significaria encurtar férias, comprometer a preparação física e, principalmente, correr riscos pensando em competições que o clube trata como prioridade, caso do Campeonato Brasileiro.

A opção inicial foi clara: preservar o time profissional e apostar na base. Só que os resultados não vieram. As atuações ficaram abaixo do esperado e forçaram uma mudança de rota antes do previsto. Contra Vasco e Fluminense, o Flamengo já entrou em campo com alguns dos principais jogadores, acelerando um processo que, segundo a programação original, ocorreria apenas mais adiante.

Aqui mora o ponto central da discussão. O problema não esteve no planejamento macro, mas na avaliação técnica. Apostar que o sub-20 daria conta de sustentar resultados minimamente competitivos revelou-se um erro. No Carioca do ano passado, a situação inicial também foi difícil, mas o formato do campeonato oferecia mais jogos e tempo para que os profissionais reassumissem o controle. Em 2026, o desenho é outro, mais curto e menos tolerante a tropeços.

A diretoria e a comissão técnica tentaram evitar um cenário ainda mais nocivo: o chamado “quadrangular da morte”, que envolve os clubes que terminam entre quinto e sexto colocados do grupo. Caso o Flamengo caia nesse bloco, o calendário se torna um pesadelo logístico e físico. Jogos do estadual passam a se encaixar entre partidas da Supercopa, do Campeonato Brasileiro e da Recopa Sul-Americana, com intervalos mínimos de descanso e deslocamentos sucessivos.

Para se ter ideia, o clube poderia sair de uma final de Supercopa para um jogo decisivo do Carioca no dia seguinte ou dois dias depois, repetir a dose dias depois, viajar para enfrentar o Lanús pela Recopa e, no meio disso tudo, ainda cumprir rodadas decisivas do estadual para evitar rebaixamento. Um efeito dominó que impacta diretamente desempenho, recuperação física e gestão do elenco.

Era exatamente esse cenário que o Flamengo buscava evitar ao iniciar o campeonato com a base. O erro, portanto, não foi o raciocínio estratégico, mas a superestimação da capacidade imediata da garotada. A base é forte, produz talentos e seguirá sendo parte do projeto do clube, mas este início de Carioca mostrou que, neste contexto específico, não foi suficiente.

VEJA MAIS:

A partir do jogo contra o Fluminense, inclusive respaldado pelo regulamento, a ideia já era promover a entrada gradual do elenco profissional. O desempenho anterior, porém, obrigou o clube a antecipar decisões. E agora, com a tabela pressionando, cada jogo passa a ter peso de final.

O Flamengo não queria estar nessa situação. Planejou para não estar. Mas futebol cobra margem de erro, e o estadual, curto e traiçoeiro, não perdoa avaliações equivocadas. O desafio, a partir daqui, é atravessar o restante do Carioca minimizando danos e sem perder de vista aquilo que o clube definiu como prioridade para a temporada.

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:


+ Siga o Blog Ser Flamengo no Twitter, no Instagram, no Facebook e no Youtube.

 

Comentários
Sair da versão mobile