Flamengo homenageia Henfil na Gávea e resgata origem do mascote Urubu

O Flamengo decidiu transformar um de seus espaços mais simbólicos em um ponto de encontro entre memória, identidade e arte urbana. O muro da sede da Gávea, já conhecido por intervenções recentes, passa a receber novos murais que resgatam personagens históricos ligados à construção cultural do clube. Entre eles, um nome se destaca pela dimensão que ultrapassa o futebol: Henfil, cartunista mineiro responsável por popularizar o urubu como mascote rubro-negro.
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A iniciativa envolve artistas que trabalham durante a madrugada, utilizando técnicas como projeção para reproduzir os traços originais antes da finalização manual. O processo, que vem sendo compartilhado em vídeos nas redes sociais, mostra a construção das obras passo a passo, revelando não apenas o resultado final, mas também o cuidado técnico por trás de cada pintura.
A escolha de Henfil e o resgate de um símbolo
A presença de Henfil no mural não é casual. Ela dialoga diretamente com um dos elementos mais marcantes da identidade do Flamengo: o urubu. A associação entre o clube e o animal, hoje amplamente aceita e incorporada pela torcida, nem sempre foi natural. Nos anos 1960, o termo era utilizado de forma pejorativa por rivais.
Foi nesse contexto que o trabalho de Henfil ajudou a ressignificar a imagem. Ao transformar o urubu em personagem, inserindo-o em tirinhas e narrativas humorísticas, o cartunista contribuiu para que o símbolo fosse apropriado pelos próprios torcedores. O que antes era ofensa passou a ser identidade.
Essa virada cultural não ocorreu de forma isolada. Ela se conecta a um período em que o futebol brasileiro também se consolidava como fenômeno de massa, com forte presença na imprensa e na produção artística.
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Linha do tempo dos mascotes
Antes do urubu ganhar força, o Flamengo já havia sido representado por outro personagem: o Popeye. A criação surgiu nos anos 1940, a partir de um cartunista argentino Lorenzo Molas a pedido do Jornal dos Sports, que utilizava figuras populares para ilustrar os clubes cariocas.
A mudança ocorre duas décadas depois, quando Henfil passa a atuar no mesmo jornal. Já reconhecido por seu trabalho em Minas Gerais, onde havia criado mascotes para clubes locais, ele recebe a missão de desenvolver personagens para as equipes do Rio de Janeiro.
Nesse processo, surgem representações que marcariam época. Para o Flamengo, o urubu. Para o Vasco, o almirante. Para o Fluminense, o cartola associado ao pó de arroz. Cada um deles carregando traços sociais e culturais que dialogavam com o contexto da época.
Com o tempo, o urubu deixa de ser apenas personagem de tirinhas e passa a ganhar forma física, tornando-se o mascote oficial e um dos símbolos mais reconhecidos do clube.
O muro como espaço de memória
A decisão de levar essa história para o muro da Gávea amplia o alcance dessa narrativa. O espaço deixa de ser apenas físico e passa a funcionar como um registro visual da trajetória rubro-negra.
A escolha de artistas contemporâneos para executar a obra cria um elo entre passado e presente. De um lado, o traço original de Henfil. Do outro, a releitura feita por quem atua hoje na cena urbana. O resultado é uma atualização estética que preserva o significado histórico.
Esse tipo de intervenção também reforça uma tendência observada em clubes ao redor do mundo, que buscam valorizar seus símbolos por meio de projetos culturais. No caso do Flamengo, há um diferencial evidente: a força popular que sempre acompanhou sua identidade.
Mais do que pintura, um gesto simbólico
O mural dedicado a Henfil vai além do aspecto visual. Ele representa um reconhecimento tardio, mas necessário, a um personagem que ajudou a moldar a forma como o Flamengo se enxerga.
Em um momento em que a relação entre clubes e torcedores passa por transformações, iniciativas como essa funcionam como ponto de reconexão. Não com o passado distante, mas com a construção de identidade que permanece viva.
A imagem do urubu, hoje celebrada, carrega esse percurso. E agora, ganha também um espaço permanente na própria casa do clube.
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