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Flamengo não consegue retirar cadeiras do Maracanã e Bap diz que autoridades barram ampliação da capacidade

Flamengo não consegue retirar cadeiras do Maracanã e Bap diz que autoridades barram ampliação da capacidade

O Flamengo tentou levar adiante o projeto de retirada das cadeiras dos setores Norte e Sul do Maracanã, mas o plano não avançou por falta de autorização das autoridades competentes. A explicação foi dada por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, em coletiva no estádio, ao tratar das mudanças previstas para o complexo nos próximos meses. A resposta frustrou uma expectativa antiga da torcida rubro-negra, que vê na retirada dos assentos uma forma de ampliar a capacidade, baratear setores populares, melhorar a atmosfera das arquibancadas e aproximar o Maracanã de uma experiência mais condizente com o tamanho do Fla em dias de grande público.


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A fala do presidente veio em um contexto de anúncios sobre o estádio. Bap citou a inauguração de um novo corredor exclusivo para atletas do Flamengo, a previsão de um restaurante em área antes inoperante no setor Leste, o projeto de uma fanzone permanente, melhorias no gramado com máquinas holandesas, biometria facial, cadeiras cativas, patrocínios em áreas internas e o futuro museu do Maracanã. O dirigente apresentou uma visão de exploração mais ampla do equipamento, chamada por ele de “Maracanã 360”, com a ideia de transformar o estádio em um complexo ativo para além dos dias de jogo. No meio desse pacote, porém, apareceu a notícia mais amarga: a Norte e a Sul continuarão com cadeiras, ao menos por enquanto.

O ponto central está na capacidade. Segundo Bap, o Maracanã teria uma configuração de 78 mil lugares, mas hoje opera em torno de 71 mil pessoas. Na prática, seriam cerca de 7 mil espaços desperdiçados em cada grande partida. Para um clube que esgota jogos, movimenta uma torcida gigantesca e busca aumentar receitas de matchday, esse bloqueio tem efeito esportivo, financeiro e simbólico. O Flamengo quer mais público, a arquibancada pede mais gente, o estádio comportaria mais torcedores, mas a liberação depende de aval externo.

A resposta oficial e o que ainda falta explicar

Bap afirmou que o Flamengo tentou “de todas as formas” avançar com a retirada das cadeiras, mas as demandas oficiais das autoridades competentes não justificariam o movimento. A frase esclarece parte do problema, porque retira o tema do campo da vontade política interna do clube. Não seria, portanto, falta de desejo, dinheiro ou prioridade rubro-negra. O obstáculo estaria na autorização de órgãos públicos e instâncias responsáveis pela segurança, pelo funcionamento e pela regulamentação do estádio.

Ainda assim, a resposta deixa perguntas importantes. Quais são exatamente as autoridades que impedem a mudança? Quais exigências técnicas não foram atendidas? O veto está ligado à segurança, evacuação, controle de público, legislação estadual, atuação da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, governo do Rio ou necessidade de aprovação na Alerj? Há caminho para revisão futura? O Flamengo e o Fluminense, gestores do Maracanã, pretendem apresentar novo estudo, adequação estrutural ou proposta intermediária?

Esse detalhamento importa porque a torcida convive há anos com explicações genéricas sobre o estádio. Quando se diz que “as autoridades não autorizam”, a informação avança, mas não fecha o assunto. O público precisa entender o motivo concreto da negativa. Se o problema é técnico, deve ser demonstrado tecnicamente. Se é jurídico, precisa ser explicado juridicamente, sem juridiquês. Se é político, deve ser assumido como tal. O Maracanã é um bem público concedido à gestão privada, mas usado por milhões de torcedores ao longo dos anos. A transparência, nesse caso, não é favor. É obrigação.

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Mais público, mais receita e mais identidade

A retirada das cadeiras nos setores Norte e Sul não é apenas uma discussão estética. Ela toca em três temas centrais: capacidade, preço e atmosfera. O Flamengo tem demanda reprimida em jogos grandes. Quanto maior a oferta de lugares, maior a possibilidade de calibrar ingressos, criar setores mais acessíveis e reduzir a sensação de que o Maracanã virou um produto cada vez mais distante de parte da torcida popular. O estádio cheio é bonito, mas estádio cheio com preço proibitivo também revela um problema de acesso.

Do ponto de vista financeiro, 7 mil lugares fazem diferença. Em uma temporada com dezenas de partidas como mandante, a soma de assentos bloqueados representa milhões de reais que deixam de circular entre bilheteria, consumo interno, programas de relacionamento e ativações comerciais. O Flamengo sabe disso. Por isso, ao mesmo tempo em que mira restaurante, fanzone, museu, placas e experiências de estádio, também precisa enfrentar a limitação da capacidade. O matchday moderno não vive apenas de ingresso, mas começa por ele. Sem público maior, parte da engrenagem perde força.

Há ainda o lado simbólico. A Norte é o coração popular do Flamengo no Maracanã. A Sul, dependendo da configuração e dos jogos, também tem papel relevante na composição da massa. Cadeiras em setores de arquibancada destinados a torcidas que assistem ao jogo em pé criam uma contradição visível. Elas ocupam espaço, quebram fluidez, reduzem capacidade e, muitas vezes, não cumprem função prática. Em partidas de maior temperatura, o torcedor não senta. A cadeira vira obstáculo, não conforto.

O Maracanã 360 não pode ignorar a arquibancada

A ideia de transformar o Maracanã em um complexo mais rentável faz sentido. Restaurante com vista para o campo, fanzone, museu, melhoria de gramado, biometria e ativação do Maracanãzinho são iniciativas que dialogam com uma gestão mais moderna. O estádio precisa gerar dinheiro, ampliar experiências e funcionar de forma mais inteligente. Flamengo e Fluminense têm o desafio de explorar um equipamento histórico sem tratá-lo apenas como monumento ou palco de ocasião.

Mas existe uma hierarquia que não pode ser esquecida. O Maracanã é, antes de tudo, estádio de futebol. A experiência premium tem valor, o restaurante pode ser importante, o museu é bem-vindo, a fanzone aproxima o torcedor e as ativações ajudam no caixa. Só que o coração do negócio continua sendo a arquibancada. Se o Flamengo consegue criar novos produtos comerciais, mas não destrava a ampliação de capacidade nos setores mais pulsantes, o projeto fica incompleto.

A gestão do Maracanã não pode se limitar a vender melhor para quem já consegue pagar mais. O avanço real passa por combinar receita, segurança e acesso. Tirar cadeiras da Norte e da Sul seria um movimento nessa direção, desde que feito com laudos, controle, planejamento de entrada e saída, comunicação eficiente e respeito às normas. O problema não está em exigir segurança. O problema está em tratar a exigência como barreira definitiva sem apresentar ao torcedor o caminho para superá-la.

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O impasse que precisa sair da frase pronta

A fala de Bap tem mérito por colocar publicamente que o Flamengo tentou, mas não conseguiu. Isso encerra a leitura simplista de que bastaria uma canetada interna para mudar a configuração do estádio. Ao mesmo tempo, abre uma nova cobrança: se o clube esbarra em autoridades, precisa explicar melhor o mapa desse entrave. A torcida não quer apenas saber que não deu. Quer entender por que não deu, quem não deixou, quais documentos sustentam a negativa e o que pode ser feito para reabrir a discussão.

Essa cobrança deve ser dirigida também ao poder público. O Maracanã pertence ao Rio de Janeiro, mas seu uso cotidiano depende de clubes que movimentam economia, turismo, transporte, comércio, segurança e cultura popular. Quando uma decisão impede a entrada de milhares de torcedores em um estádio capaz de receber mais gente, a justificativa precisa ser robusta. Não basta invocar genericamente o risco. É preciso demonstrar, com critério, onde está o problema e qual solução seria aceitável.

No fim, a retirada das cadeiras virou uma espécie de retrato do próprio Maracanã contemporâneo. O estádio tenta ser moderno, rentável e mais bem explorado, mas segue preso a limitações, burocracias e decisões pouco transparentes. O Flamengo quer transformar o complexo em uma máquina de experiência e receita, porém ainda não conseguiu resolver uma questão básica para seu torcedor: colocar mais gente onde a Nação pulsa mais forte. Enquanto essa trava permanecer sem explicação detalhada, a sensação será de desperdício. Não apenas de 7 mil lugares, mas de uma oportunidade de reconectar o Maracanã à sua vocação mais popular.

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