Flamengo sobe no ranking da Deloitte e se consolida entre os clubes mais ricos do mundo
O Flamengo voltou a ocupar um espaço que durante décadas pareceu reservado apenas aos gigantes europeus. O Mais Querido apareceu como o 29º colocado no relatório “Football Money League 2025”, da Deloitte, divulgado nesta quinta-feira, consolidando-se como o único não europeu entre os 30 clubes de maior receita do futebol mundial. O dado não é pontual, nem casual. Ele sintetiza um processo iniciado há mais de uma década, baseado em reconstrução financeira, profissionalização da gestão e expansão consistente das receitas.
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Na temporada 2023/2024, período analisado pelo estudo, o Flamengo registrou faturamento estimado em 202,7 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 1,26 bilhão. O número garantiu ao clube uma subida de uma posição em relação ao ranking anterior e marcou a segunda presença consecutiva do rubro-negro no seleto grupo dos 30 mais ricos do planeta, sempre considerando apenas receitas recorrentes, sem a inclusão de vendas de atletas.
Um feito histórico fora do eixo europeu
Desde que a Deloitte passou a publicar o Football Money League, em 1997, o ranking foi dominado quase exclusivamente por clubes da Europa, impulsionados por ligas altamente estruturadas, direitos de transmissão robustos e competições continentais milionárias. Romper essa barreira sempre foi um desafio para equipes sul-americanas, historicamente afetadas por instabilidade econômica, câmbio desfavorável e modelos de gestão pouco sustentáveis.
O Flamengo não apenas rompeu essa lógica como passou a frequentar o ranking de forma contínua. Em 2025, além de manter-se entre os 30, avançou uma posição, reforçando a leitura de que o clube deixou de ser exceção para se tornar presença consolidada nesse patamar financeiro.
A fotografia do futebol global
No topo da lista, o relatório confirma a hegemonia dos grandes europeus. Real Madrid lidera com folga, seguido por Barcelona e Bayern de Munique. O grupo dos dez primeiros é composto majoritariamente por clubes da Inglaterra, reflexo direto da força econômica da Premier League, que continua a operar em outro nível quando o assunto é arrecadação.
Mesmo diante desse cenário, a presença do Flamengo chama atenção por contraste. O rubro-negro aparece cercado por clubes de ligas altamente capitalizadas, como Brentford, Wolverhampton, Roma e Olympique de Marselha, superando todos os representantes de fora da Europa e mantendo distância considerável para os demais sul-americanos, que sequer figuram entre os 30.
Linha do tempo da virada rubro-negra
A posição atual no ranking não nasce do acaso. Ela é consequência direta de um processo iniciado em 2013, quando o clube passou a adotar uma política de austeridade financeira, reestruturação de dívidas e fortalecimento de controles internos. A prioridade, naquele momento, era sobreviver. A ambição veio depois.
Com as contas equilibradas, o Flamengo ampliou sua capacidade de investimento, profissionalizou áreas estratégicas e diversificou suas fontes de receita. Direitos de transmissão, patrocínios, programa de sócio-torcedor, exploração de marca e acordos comerciais passaram a ser tratados como pilares de um projeto de longo prazo, e não como soluções emergenciais.
Esse modelo permitiu ao clube crescer de forma sustentada, mesmo em um ambiente econômico desafiador para o futebol brasileiro. A entrada recorrente no Money League é, hoje, o reflexo mais objetivo dessa transformação.
Receita forte, sem depender de vendas
Um dos aspectos mais relevantes do estudo da Deloitte é a exclusão das receitas com transferências de jogadores. Ou seja, o ranking mede a força operacional dos clubes, não sua capacidade de negociar ativos pontualmente. Nesse critério, o Flamengo aparece como uma potência fora da Europa, sustentado por receitas previsíveis e recorrentes.
Esse dado ganha ainda mais peso quando se observa que o faturamento recorde projetado para 2025, impulsionado por novos contratos comerciais e resultados esportivos recentes, ainda não está contabilizado no relatório atual. A tendência, portanto, é de crescimento contínuo nos próximos anos.
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Liderança continental e projeção global
Dentro da América do Sul, o Flamengo ocupa um patamar isolado. Nenhum outro clube do continente aparece entre os 30 maiores do mundo em faturamento. Essa liderança não se limita ao aspecto financeiro: ela reforça o protagonismo do clube em debates sobre governança, estrutura de ligas, padronização de estádios e organização do futebol brasileiro como indústria.
No cenário global, a presença rubro-negra funciona como sinal de que é possível, mesmo fora da Europa, construir um modelo competitivo, sustentável e respeitado internacionalmente. O Flamengo ainda está distante dos gigantes do topo da lista, mas já caminha em uma estrada que, até pouco tempo atrás, parecia inacessível.
Ranking dos clubes mais ricos do mundo – Deloitte 2025
O relatório aponta os seguintes clubes como líderes em receita na temporada 2023/2024:
1. Real Madrid – 1,161 bilhão de euros
2. Barcelona – 974,8 milhões de euros
3. Bayern de Munique – 860,6 milhões de euros
4. Paris Saint-Germain – 837 milhões de euros
5. Liverpool – 836,1 milhões de euros
6. Manchester City – 829,3 milhões de euros
7. Arsenal – 821,7 milhões de euros
8. Manchester United – 793,1 milhões de euros
9. Tottenham – 672,6 milhões de euros
10. Chelsea – 584,1 milhões de euros
11. Inter de Milão – 537,5 milhões de euros
12. Borussia Dortmund – 531,3 milhões de euros
13. Atlético de Madrid – 454,5 milhões de euros
14. Aston Villa – 450,2 milhões de euros
15. Milan – 410,4 milhões de euros
16. Juventus – 401,7 milhões de euros
17. Newcastle – 398,4 milhões de euros
18. Stuttgart – 296,3 milhões de euros
19. Benfica – 283,4 milhões de euros
20. West Ham – 276 milhões de euros
21. Eintracht Frankfurt – 269,9 milhões de euros
22. Brighton – 238,7 milhões de euros
23. Everton – 234 milhões de euros
24. Crystal Palace – 232,5 milhões de euros
25. Bournemouth – 218,5 milhões de euros
26. Roma – 216,3 milhões de euros
27. Wolverhampton – 206,3 milhões de euros
28. Brentford – 206 milhões de euros
29. Flamengo – 202,7 milhões de euros
30. Olympique de Marselha – 188,7 milhões de euros
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Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)
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