Flamengo sobe no ranking da Deloitte e se consolida entre os clubes mais ricos do mundo

Flamengo sobe no ranking da Deloitte e se consolida entre os clubes mais ricos do mundo
Imagem: Reprodução/Youtube

O Flamengo voltou a ocupar um espaço que, durante décadas, pareceu reservado quase exclusivamente aos gigantes europeus. O clube apareceu na 29ª colocação do relatório Football Money League 2025, elaborado pela Deloitte e divulgado nesta semana, consolidando-se como o único representante não europeu entre os 30 clubes de maior receita do futebol mundial. O dado confirma uma trajetória que não é pontual nem acidental, mas resultado de um processo iniciado há mais de uma década.


Ouça nossas análises e entrevistas sobre a eleição do Flamengo no seu agregador de podcast preferido: SpotifyDeezerAmazoniTunesYoutube MusicCastbox e Anchor.


De acordo com o levantamento, que analisa a temporada 2023/2024, o Flamengo registrou faturamento estimado em 202,7 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 1,26 bilhão. O número garantiu ao rubro-negro a subida de uma posição em relação ao ranking anterior e marcou a segunda presença consecutiva no seleto grupo dos 30 clubes mais ricos do planeta. O estudo considera apenas receitas recorrentes, sem incluir vendas de atletas, o que torna o feito ainda mais significativo.

Desde que a Deloitte passou a publicar o Football Money League, em 1997, o ranking foi dominado quase integralmente por clubes europeus, impulsionados por ligas altamente estruturadas, direitos de transmissão robustos e competições continentais milionárias. Para equipes sul-americanas, historicamente afetadas por instabilidade econômica, câmbio desfavorável e modelos de gestão frágeis, romper essa barreira sempre foi um desafio. O Flamengo não apenas rompeu essa lógica como passou a frequentar o ranking de forma contínua, transformando exceção em padrão.

A posição atual não surge do acaso. Ela é consequência direta de um processo iniciado em 2013, quando o clube adotou uma política de austeridade financeira, reestruturou dívidas e fortaleceu seus controles internos. Naquele momento, a prioridade era sobreviver. A ambição veio depois. Com as contas equilibradas, o Flamengo ampliou sua capacidade de investimento, profissionalizou áreas estratégicas e diversificou suas fontes de receita.

Direitos de transmissão, patrocínios, programa de sócio-torcedor e exploração de marca passaram a ser tratados como pilares de um projeto de longo prazo, e não como soluções emergenciais. É importante lembrar que o clube não contava sequer com um patrocinador master estruturado nem com um programa de sócios robusto. Hoje, algumas dessas receitas já rivalizam, em volume, com os próprios direitos de transmissão, que deixaram de ser o principal eixo financeiro do clube.

LIVE COMPLETA:

No topo da lista, o relatório confirma a hegemonia dos grandes europeus. Real Madrid lidera com folga, seguido por Barcelona e Bayern de Munique, enquanto a Premier League domina a maior parte das primeiras posições, reflexo direto de sua força econômica. Ainda assim, a presença do Flamengo chama atenção pelo contraste. Cercado por clubes de ligas altamente capitalizadas, como Wolverhampton, Roma e Olympique de Marselha, o rubro-negro supera todos os representantes fora da Europa e mantém distância considerável de outros sul-americanos, ausentes do ranking.

Outro ponto relevante do estudo é a exclusão das receitas provenientes de transferências de jogadores. O critério mede a força operacional dos clubes, não sua capacidade de negociar ativos pontualmente. Nesse aspecto, o Flamengo se consolida como uma potência fora do eixo europeu, sustentado por receitas previsíveis e recorrentes.

A leitura ganha ainda mais peso quando se observa que o relatório não contabiliza o faturamento recorde de 2025, impulsionado por novos contratos comerciais, desempenho esportivo e receitas associadas a competições internacionais. Caso esses números já estivessem incluídos, projeções indicam que o clube poderia figurar próximo da 22ª posição. Além disso, clubes europeus que disputaram o Mundial de Clubes já incorporaram essas receitas em seus balanços, enquanto o Flamengo só verá esse impacto refletido na próxima edição do ranking.

VEJA MAIS:

CASO PREFIRA OUVIR:

Dentro da América do Sul, o clube ocupa um patamar isolado. Nenhuma outra equipe do continente aparece entre os 30 maiores do mundo em faturamento. Essa liderança extrapola o aspecto financeiro e reforça o protagonismo rubro-negro em debates sobre governança, organização de ligas e estruturação do futebol brasileiro como indústria.

Ainda distante dos gigantes do topo, o Flamengo já caminha por uma estrada que, até pouco tempo atrás, parecia inacessível. A consolidação fora de campo ajuda a explicar a força dentro dele. Títulos não começam no apito inicial. Eles são construídos em decisões administrativas, planejamento financeiro e visão de longo prazo. Nesse sentido, a presença recorrente entre os clubes mais ricos do mundo é mais do que um dado estatístico. É a fotografia de um projeto que amadureceu.

Flamengo cria armadilha para SAFs? A tese que explica a inflação salarial e o fair play financeiro

Veja outros vídeos sobre as notícias do Flamengo:

+ Siga o Blog Ser Flamengo no Twitter, no Instagram, no Facebook e no Youtube.

 

Comentários

Descubra mais sobre Ser Flamengo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Blog Ser Flamengo

Deixe uma resposta