Flamengo sozinho! Rubro-Negro fica isolado na defesa dos clubes associativos contra as SAFs

Flamengo sozinho! Rubro-Negro fica isolado na defesa dos clubes associativos contra as SAFs

O Flamengo decidiu entrar em campo fora das quatro linhas e, ao menos por enquanto, caminha praticamente sozinho. Na última semana, o clube lançou a campanha “Amigo do Esporte”, com o objetivo de sensibilizar o Congresso Nacional sobre a diferença de carga tributária entre clubes associativos e as sociedades anônimas do futebol. A iniciativa mira a derrubada do veto presidencial que manteve as associações esportivas submetidas a uma alíquota superior à das SAFs. A mobilização, porém, não foi articulada previamente com outras agremiações tradicionais do esporte olímpico brasileiro, e a adesão até aqui é inexistente.


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A campanha e o argumento central

Ao apresentar o movimento, Luiz Eduardo Baptista afirmou que não se tratava de um pleito restrito ao Flamengo, mas de um chamamento amplo. Segundo ele, clubes formadores e mantenedores de modalidades olímpicas e paralímpicas correm risco de deterioração financeira caso a assimetria tributária seja mantida.

O ponto central é simples: com o veto presidencial, as SAFs passaram a ter tributação fixada em 6%, enquanto os clubes associativos seguem com carga próxima de 11%. Para o presidente rubro-negro, a distorção inverte a lógica do sistema. Entidades sem fins lucrativos, que sustentam esportes olímpicos, acabam mais oneradas do que estruturas empresariais criadas com finalidade de lucro.

O dirigente sustenta que o marco legal do futebol não foi concebido para gerar desigualdade. As SAFs surgiram posteriormente, e o veto teria produzido um efeito colateral que coloca associações tradicionais em desvantagem fiscal.

A ausência de articulação coletiva

Apesar do discurso de união, a campanha foi lançada sem articulação formal com outros clubes. Pinheiros e Paulistano afirmaram que não tinham conhecimento da iniciativa. Ambos indicaram que poderiam discutir eventual adesão caso houvesse encaminhamento institucional por meio do sindicato das entidades paulistas, que, por sua vez, informou não ter o tema no radar.

O Palmeiras, que mantém diversas modalidades além do futebol, declarou que não foi consultado e não pretende participar. Nos bastidores, pesa o desgaste recente entre dirigentes em razão das discussões sobre a liga do futebol brasileiro. O Minas Tênis Clube adotou postura mais cautelosa e informou que realiza estudo interno sobre o impacto do tema.

O cenário expõe um dado político relevante: mesmo diante de uma pauta que transcende rivalidades esportivas, não houve movimento espontâneo de convergência. Se faltou coordenação prévia por parte do Flamengo, também não se viu mobilização pública de outras instituições interessadas em discutir a equiparação tributária.

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O impacto financeiro e o pano de fundo olímpico

O debate não é abstrato. Segundo números apresentados pelo próprio clube carioca, o investimento anual em esportes olímpicos gira em torno de R$ 70 milhões, enquanto a arrecadação por meio de incentivos e receitas específicas fica entre R$ 24 milhões e R$ 25 milhões. O déficit aproximado de R$ 46 milhões é coberto pelo caixa do futebol.

A direção afirma que, se a carga tributária permanecer superior à das SAFs, haverá redução progressiva de investimento nas modalidades. O argumento é que a conta simplesmente deixará de fechar. O clube cita como exemplo recente decisões duras, como o encerramento de projetos e cortes em determinadas frentes esportivas, resultado da necessidade de ajuste orçamentário.

O temor apresentado é que a desigualdade fiscal leve associações a reverem programas de base, estrutura de formação e manutenção de equipes olímpicas. Em última instância, isso afetaria o ecossistema esportivo nacional, já que muitos atletas de alto rendimento são formados ou mantidos por clubes associativos.

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Um debate que ultrapassa o Flamengo

A discussão toca em um ponto sensível do modelo brasileiro. De um lado, SAFs com regime tributário favorecido para estimular a profissionalização e o ingresso de capital privado. De outro, associações que historicamente sustentam modalidades deficitárias, mas socialmente relevantes.

A campanha ainda não se transformou em frente ampla. Até aqui, é uma iniciativa isolada que depende de articulação política para ganhar escala. Se haverá adesão de outras instituições ou se o movimento permanecerá restrito ao Flamengo, dependerá da capacidade de transformar um alerta financeiro em causa coletiva.

Por ora, o clube rubro-negro assume a linha de frente de um debate que envolve impostos, legislação e o futuro do esporte olímpico brasileiro. O Congresso terá a palavra final. A questão é saber quantas vozes estarão no mesmo coro até lá.

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