A operação do Maracanã representa um compromisso financeiro de longo prazo para Flamengo e Fluminense. Em setembro de 2026, a Fla-Flu Serviços S.A., empresa responsável pela gestão da concessão, mantinha R$ 176,6 milhões em obrigações com o poder concedente. O valor está registrado no balanço do terceiro trimestre do Flamengo e tem vencimentos previstos até novembro de 2044, com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
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Do total ainda devido, R$ 5,6 milhões aparecem no passivo circulante, parcela com vencimento no curto prazo, enquanto R$ 171 milhões estão classificados no passivo não circulante, referente às obrigações de longo prazo. A distribuição mostra que a maior parte do compromisso financeiro seguirá vinculada à concessão pelas próximas décadas.
O relatório informa que o montante total assumido no contexto do contrato foi de R$ 401,2 milhões. A diferença entre esse valor e o saldo de R$ 176,6 milhões registrado em setembro de 2026 exige distinguir o compromisso originalmente assumido do valor que permanece contabilizado como obrigação. Não se trata, portanto, de uma dívida nova de R$ 401,2 milhões, mas do valor total relacionado ao contrato, diante de um saldo ainda pendente de liquidação.
Como surgiu o compromisso
O contrato de concessão foi assinado em 27 de setembro de 2024 pela Fla-Flu Serviços S.A., responsável pela gestão, exploração, operação e manutenção do complexo esportivo. O prazo estabelecido é de 20 anos. A concessão envolve compromissos financeiros com o poder concedente, entre eles a outorga pelo uso do bem público.
Na assinatura, o montante total previsto a pagar pela obtenção da outorga foi estimado em R$ 401,2 milhões. Entretanto, o valor do passivo reconhecido contabilmente naquele momento foi de R$ 178,1 milhões, já considerando o ajuste a valor presente. Essa diferença ocorre porque os pagamentos estão distribuídos ao longo de muitos anos e, para fins contábeis, as obrigações futuras são trazidas a uma estimativa de valor na data do balanço.
Em setembro de 2026, o saldo reconhecido era de R$ 176,7 milhões. A redução em relação ao valor inicial contabilizado foi pequena, e o compromisso continua concentrado no longo prazo. O cronograma prevê parcelas trimestrais de igual valor até novembro de 2044, corrigidas pelo IPCA acumulado nos 12 meses anteriores a cada pagamento.
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A obrigação não deve ser confundida com o custo total de manutenção e operação do estádio, nem com os investimentos realizados em melhorias no complexo. Os R$ 176,6 milhões representam especificamente o saldo contábil da outorga da concessão. O balanço também registra R$ 27,1 milhões em novas adições ao ativo intangível relacionado à concessão durante os nove primeiros meses de 2026, o que evidencia a continuidade dos investimentos vinculados à operação.
O compromisso financeiro acompanha praticamente toda a duração da concessão e seguirá presente nos balanços dos próximos exercícios. Para Flamengo e Fluminense, a administração do Maracanã envolve não apenas o potencial de arrecadação com partidas e eventos, mas também obrigações contratuais que precisam ser consideradas na avaliação do resultado econômico da operação.
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