O Conselho Deliberativo do Flamengo colocou em pauta uma proposta que mexe diretamente com o poder político interno do clube. A iniciativa, que será votada no Conselho Deliberativo no dia 27 de janeiro, prevê a suspensão temporária dos direitos políticos de dirigentes que atuem, direta ou indiretamente, em SAFs. A medida é encabeçada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e conta com apoio dos chefes dos demais poderes rubro-negros.
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A proposta altera o estatuto para impedir que sócios com participação em SAFs, seja como investidor, gestor, cotista ou consultor, exerçam influência política no clube enquanto mantiverem esse vínculo externo. O afastamento teria duração máxima de 12 meses após o desligamento formal da SAF. Durante esse período, o associado continua frequentando o clube normalmente, mas perde o direito de votar, ser votado ou ocupar cargos eletivos.
O impacto prático é imediato e atinge nomes conhecidos da política rubro-negra. O ex-presidente Rodolfo Landim, atualmente consultor de projetos ligados à SAF do Confiança e com possibilidade de atuação no Sampaio Corrêa, seria um dos afetados. Marcos Braz e Diogo Lemos também entram no radar da mudança. O texto do estatuto é amplo justamente para evitar brechas e interpretações personalistas.
A votação ocorrerá em rito sumário, sem debate em comissões, graças a uma alteração estatutária aprovada no ano passado. Com o aval dos presidentes do Conselho Deliberativo, do Conselho Fiscal, da Assembleia Geral e da Administração, a proposta segue diretamente ao plenário. O modelo acelera o processo e reduz a possibilidade de emendas ou destaques, algo que costuma estender discussões dentro do clube.
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Nos bastidores, o movimento é lido de formas distintas. Aliados de Bap sustentam que se trata de uma regra geral, voltada a proteger o Flamengo de conflitos de interesse num cenário em que as SAFs avançam sobre o futebol nacional. Já o grupo ligado a Landim enxerga a mudança como direcionada, com o objetivo de afastar o ex-presidente do jogo político e inviabilizar uma eventual candidatura futura. O histórico recente ajuda a entender a tensão: em 2024, Landim apoiou Rodrigo Dunshee, enquanto Bap lançou candidatura própria e venceu a eleição. Desde então, a relação entre ambos esfriou.
A leitura jurídica do estatuto atual já impede dirigentes de clubes que disputam a mesma competição do Flamengo de exercerem funções políticas. A nova proposta amplia esse entendimento para qualquer vínculo com SAFs, independentemente da divisão ou do campeonato disputado. Para seus defensores, trata-se de uma atualização necessária diante da profissionalização do futebol e da multiplicação de interesses cruzados.
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Há também um componente político mais amplo. O debate escancara a dificuldade de conciliar o associativismo tradicional com o novo modelo empresarial do esporte. Ao defender a proposta, conselheiros argumentam que quem ocupa cargos de poder no Flamengo precisa estar integralmente comprometido com o clube, sem dividir atenções ou interesses estratégicos. A lógica se aproxima daquela aplicada a conflitos de interesse em outras esferas, inclusive fora do esporte.
A votação do dia 27 promete aquecer o ambiente político rubro-negro. Independentemente do resultado, o episódio marca mais um capítulo da disputa por rumos, influência e controle num Flamengo que segue tentando se proteger institucionalmente enquanto o futebol brasileiro muda de pele.
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