Hipocrisia na Série B: FFU fracassa, paga mais para alguns clubes e opera sem transparência

Hipocrisia na Série B: FFU fracassa, paga mais para alguns clubes e opera sem transparência
Foto: Divulgação/LFU

A promessa era de união, igualdade de forças e fortalecimento coletivo. Na prática, a Futebol Forte União entregou exatamente o oposto. O modelo que se apresentou como alternativa à tutela da CBF na Série B expõe hoje sua principal contradição: paga mais para alguns clubes, amarra outros a contratos de longo prazo e opera sem transparência efetiva.


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A crise veio à tona nas últimas semanas, quando clubes da segunda divisão passaram a questionar publicamente os valores recebidos, os critérios de divisão de receitas e o papel real da FFU nas negociações comerciais. O estopim foi a constatação de que, dentro de um projeto que se dizia coletivo, há clubes protegidos financeiramente e outros relegados a um patamar quase residual.

O discurso da FFU sempre se apoiou na ideia de modernização do futebol brasileiro. Falava-se em liga forte, negociação conjunta de direitos, previsibilidade orçamentária e governança profissional. O que não se dizia, ou ao menos não se explicava com clareza, era que esse modelo criaria grupos internos com garantias financeiras muito superiores às dos demais. Clubes recém-rebaixados da Série A, ou com cláusulas de proteção herdadas de contratos anteriores, passaram a receber valores que chegam a cinco vezes mais do que outros participantes da mesma competição.

Essa diferença não é detalhe contábil. Ela interfere diretamente na montagem de elenco, no planejamento esportivo e na própria disputa da Série B. Um campeonato que já é historicamente desigual passa a carregar uma distorção institucionalizada, chancelada por um bloco que se vendeu como solução.

A falta de transparência agrava o cenário. Muitos dirigentes relatam que não participam das negociações, não têm acesso aos contratos na íntegra e são informados apenas sobre decisões já tomadas. O memorando de entendimento que vincula clubes à FFU por até 50 anos tornou-se símbolo desse problema. Apresentado inicialmente como um compromisso político, hoje é visto como uma amarra jurídica que impede qualquer reação individual, mesmo diante de prejuízos evidentes.

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O contraste ficou ainda mais evidente quando Náutico e São Bernardo, fora desse arranjo, fecharam acordos diretos com a CBF e garantiram receitas superiores às de clubes presos ao bloco. O episódio escancarou o fracasso do discurso de força coletiva. Afinal, se negociar sozinho rende mais e dá mais segurança, para que serviria a união?

Diante do caos financeiro, foi a CBF, tantas vezes tratada como vilã, quem precisou intervir. A criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira, com aporte estimado entre 50 e 60 milhões de reais para cobrir custos básicos da Série B, deixou claro que a FFU não conseguiu cumprir aquilo que prometeu. E mais: expôs a fragilidade de um modelo que se recusa a assumir responsabilidades, mas não abre mão do controle.

O manifesto divulgado por 18 clubes da Série B confirmou o desgaste interno. O texto fala em inconsistência nos repasses, ausência de previsibilidade, falhas de governança e conflitos de interesse. Palavras duras, que não surgem do nada. Elas refletem um ambiente de desconfiança e frustração com um projeto que perdeu credibilidade antes mesmo de se consolidar.

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A resposta da FFU, centrada em números absolutos e comparações com anos anteriores, ignora o ponto central da crítica. Não se trata apenas de quanto dinheiro entrou, mas de como ele foi distribuído, quem decidiu, com quais critérios e com qual grau de transparência. Governança não se mede apenas por balanço, mas por equidade e participação.

Há, ainda, uma hipocrisia difícil de ignorar. O mesmo discurso que condena privilégios e concentrações de poder quando o alvo é o Flamengo ou clubes da Série A silencia diante das proteções contratuais que beneficiam alguns integrantes da Série B. A igualdade só vale enquanto não ameaça interesses específicos.

O fracasso da FFU na Série B serve de alerta. Não existe liga forte sem regras claras, sem divisão justa de receitas e sem transparência real. O futebol brasileiro não precisa de projetos que reproduzam desigualdades sob um verniz moderno. Precisa de estruturas que tratem seus participantes como iguais, não como peças descartáveis de um arranjo financeiro.

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