HIPÓCRITA! Abel Ferreira volta a falar em “asterisco” da Libertadores perdida para o Flamengo

HIPÓCRITA! Abel Ferreira volta a falar em “asterisco” da Libertadores perdida para o Flamengo

O técnico Abel Ferreira voltou a usar a estreia do Palmeiras na temporada como palco para reabrir uma ferida que, no futebol, já deveria estar cicatrizada. Após o primeiro jogo do ano, o treinador português retomou a narrativa de um suposto “asterisco” na final da Libertadores vencida pelo Flamengo, voltou a atacar o VAR da decisão e, mais uma vez, escolheu a arbitragem como centro do discurso. O episódio não é novo, mas ajuda a entender um padrão que se repete desde 2020: quando o resultado não vem, a responsabilidade raramente recai sobre o próprio trabalho.


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A fala surgiu depois de Portuguesa x Palmeiras, quando Abel, ao comentar a atuação da equipe, preferiu revisitar a final continental perdida. Disse que o Palmeiras não chutou ao gol, mas que esse detalhe não apagaria o tal “asterisco” provocado pela arbitragem. A referência é ao lance envolvendo Pulgar, tratado pelo treinador como prova definitiva de um erro grave do VAR. O problema começa quando o discurso seleciona lances, ignora contexto e constrói uma versão conveniente dos fatos.

A final da Libertadores de 2025, disputada em jogo único, teve um dado objetivo impossível de contornar: o Palmeiras foi o primeiro clube, na história da competição, a terminar uma decisão sem acertar uma finalização no alvo. Não se trata de interpretação, mas de estatística oficial. A equipe paulista foi dominada territorialmente, produziu pouco, não conseguiu reagir e viu o Flamengo controlar o jogo. Esse é o ponto central da análise esportiva, mas ele desaparece sempre que o debate é deslocado para a arbitragem.

O discurso do “asterisco” também falha ao ignorar outros lances relevantes da mesma partida. Antes do episódio envolvendo Pulgar, Raphael Veiga protagonizou uma entrada de sola em Carrascal que deixou marca visível na perna do adversário. A jogada, no mínimo, era passível de cartão vermelho e raramente aparece nas reclamações palmeirenses. Quando lembrada, costuma ser relativizada com argumentos como “intensidade” ou “sem intenção”, critérios que desaparecem quando o lance envolve o rival.

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Essa seletividade não é episódica. Ao longo dos últimos anos, Abel construiu uma relação confortável com coletivas pouco contestadas, especialmente no ambiente paulista. Reclama do calendário, cita Guardiola, exalta seus jogadores, critica arbitragem, questiona o VAR e transfere a responsabilidade para fatores externos. O roteiro se repete com tamanha frequência que já virou motivo de ironia até entre jornalistas. Em seis temporadas no Palmeiras, segundo a própria caricatura criada nas redes, o treinador raramente erra; erram sempre os outros.

Há também um problema mais amplo, que vai além do Abel Ferreira. Parte da imprensa esportiva aceita esse tipo de narrativa sem o devido contraponto. Ao reproduzir falas sobre “asteriscos” e injustiças sem contextualizar o jogo, os números e os lances ignorados, o debate empobrece. Não se trata de defender arbitragem ou atacar treinador, mas de exigir coerência. Não é razoável questionar um lance isolado e apagar outro de gravidade semelhante só porque ele não serve à tese defendida.

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O futebol brasileiro já convive há décadas com treinadores que transformam a arbitragem em muleta discursiva. A diferença, no caso do Abel, é o peso simbólico que suas palavras ganharam. Ele poderia contribuir para uma discussão mais honesta sobre desempenho, escolhas e limites do próprio time. Opta, no entanto, por um caminho mais ruidoso, que mobiliza torcedores, pressiona árbitros e contamina análises.

No fim, o único asterisco que permanece na história daquela Libertadores não está na vitória do Flamengo. Está na atuação de um Palmeiras que não conseguiu finalizar, não encontrou soluções e foi derrotado esportivamente. Todo o resto é ruído, repetido ano após ano, como se o tempo fosse incapaz de ensinar que derrotas também fazem parte do jogo. Enquanto esse discurso continuar sendo tratado como normal, o futebol seguirá refém da mesma hipocrisia que Abel Ferreira insiste em alimentar.

Leila Pereira, feminismo seletivo e o discurso que revela poder, dinheiro e contradições

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