O basquete brasileiro ganha nesta semana uma nova plataforma de conteúdo e transmissões liderada por Olivinha, um dos jogadores mais identificados com a modalidade nas últimas décadas. A Basquete TV estreia com os direitos do Campeonato Paulista de 2026 e nasce com a proposta de reunir jogos ao vivo, notícias, entrevistas, podcasts, análises e reportagens em um único ambiente digital, numa tentativa de ocupar o espaço deixado pela cobertura irregular do esporte fora dos grandes eventos.
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O projeto reúne três frentes complementares. Olivinha oferece reconhecimento esportivo e ligação direta com o público; o publicitário e diretor de televisão Marcelo Gorodicht assume a experiência em comunicação e gestão de canais digitais; e a Live Esporte ficará responsável pela estrutura de produção das transmissões. A empresa realizou mais de 1.600 eventos esportivos em 2025, incluindo partidas da Superliga de Vôlei e dos Campeonatos Brasileiros das Séries B, C e D.
O primeiro teste será imediato. Com início em 5 de agosto, o Campeonato Paulista reúne oito participantes do Novo Basquete Brasil: Franca, atual campeão nacional; Pinheiros, vice-campeão da última edição; Corinthians, Bauru, Paulistano, São José, Mogi e Liga Sorocabana. A presença de equipes tradicionais oferece à plataforma um produto competitivo, reconhecido e com potencial para atrair torcedores além das fronteiras estaduais.
Da quadra para a comunicação
A entrada de Olivinha no mercado de mídia representa a continuidade de uma trajetória construída dentro do esporte. Depois de uma carreira marcada por títulos, longevidade e identificação com o Flamengo, o ex-jogador passa a atuar como empreendedor e comunicador, utilizando a própria imagem para ajudar na formação de um canal especializado.
“O basquete é a minha vida. Passei praticamente toda a minha carreira dentro das quadras e esse esporte me deu tudo: amigos, conquistas, aprendizado e uma história da qual tenho muito orgulho”, afirmou Olivinha.
O ex-atleta apresenta a Basquete TV como uma maneira de permanecer ligado ao ambiente que o projetou nacionalmente. “Por isso, nada mais natural do que iniciar esse novo desafio criando um projeto totalmente dedicado ao basquete. Quero continuar contribuindo para o crescimento da modalidade e ajudar a levar o basquete brasileiro cada vez mais longe”, completou.
A transição de jogadores para funções de comentarista, apresentador, produtor ou empresário não é novidade, mas o novo projeto amplia esse movimento. Olivinha não chega apenas como rosto de um programa ou convidado de transmissões. Ele participa da construção de uma marca própria, cuja credibilidade inicial estará diretamente associada à sua história esportiva.
Esse capital simbólico facilita o primeiro contato com torcedores, jogadores, treinadores e dirigentes. A manutenção do público, porém, dependerá da qualidade editorial, da regularidade das publicações e da capacidade de oferecer informações que ultrapassem o envolvimento emocional produzido pelo nome do ex-atleta.
Campeonato Paulista como ponto de partida
A escolha do Campeonato Paulista para a estreia oferece uma base consistente. A competição reúne clubes presentes no NBB e coloca a Basquete TV diante de torcidas tradicionais, ginásios conhecidos e confrontos capazes de gerar audiência durante toda a disputa.
Franca inicia o torneio respaldado pelo título nacional, enquanto Pinheiros chega como vice-campeão. Bauru, Paulistano, Corinthians, São José e Mogi possuem histórias relevantes na modalidade, e a Liga Sorocabana completa uma edição formada por equipes inseridas no principal circuito profissional do país.
Transmitir uma competição inteira também permite ao canal construir rotina. Um projeto de mídia esportiva não se consolida somente por partidas decisivas, entrevistas ocasionais ou momentos de grande repercussão. A fidelização nasce da presença semanal, da criação de personagens, do acompanhamento das campanhas e da produção de contexto para jogos que, isoladamente, poderiam passar despercebidos.
Nesse sentido, a Basquete TV tem a oportunidade de transformar o Paulista em mais do que uma sequência de transmissões. Programas de pré-jogo, análise posterior, entrevistas, bastidores e conteúdo histórico podem ampliar o interesse pela competição e criar vínculos entre o público e os participantes.
Uma lacuna antiga na mídia esportiva
O projeto parte de um diagnóstico conhecido. O futebol concentra a maior parte dos investimentos, horários, programas e espaços jornalísticos no Brasil, enquanto outras modalidades dependem de eventos específicos para alcançar visibilidade nacional. No basquete, a cobertura cresce durante a NBA, os Jogos Olímpicos ou partidas decisivas do NBB, mas perde frequência em períodos considerados menos atraentes comercialmente.
Marcelo Gorodicht entende que essa ausência abre espaço para uma plataforma especializada. “O futebol ocupa naturalmente um espaço gigantesco na mídia nacional, mas existe um público apaixonado por basquete que merece uma cobertura diária, especializada e de qualidade”, declarou.
Segundo o executivo, o objetivo não está restrito à transmissão de campeonatos. “A Basquete TV nasce justamente para atender essa demanda e se transformar na principal referência do esporte no Brasil”, acrescentou.
Gorodicht trabalhou por mais de seis anos à frente da FlaTV, período no qual o canal ampliou sua estrutura, produção própria e alcance digital. A experiência com uma audiência intensa e altamente mobilizada pode ajudar na formação do novo veículo, embora o desafio agora seja diferente. Uma televisão de clube parte de uma comunidade já organizada; uma plataforma de modalidade precisa reunir torcedores de equipes rivais, praticantes, admiradores da NBA e pessoas interessadas em competições internacionais.
A Basquete TV terá de construir uma identidade que não seja percebida como extensão de um único clube ou da carreira de seu fundador. Para se tornar referência nacional, precisará tratar com equilíbrio diferentes equipes, campeonatos e personagens, preservando independência mesmo quando as relações pessoais facilitarem o acesso aos bastidores.
Produção profissional e disputa por audiência
A participação da Live Esporte reduz um dos principais riscos de iniciativas digitais: a falta de estrutura técnica. Transmissões instáveis, som precário, imagens de baixa qualidade e ausência de planejamento comprometem rapidamente a confiança do público, sobretudo em um mercado no qual o torcedor já encontra produções de alto nível em plataformas internacionais.
O volume de mais de 1.600 transmissões produzidas pela empresa em 2025 indica experiência operacional, capacidade logística e adaptação a modalidades diferentes. Ainda assim, o êxito não será definido apenas pelo funcionamento das câmeras. A narração, os comentários, o conhecimento técnico, a linguagem e a integração com as redes sociais serão fundamentais para distinguir a plataforma de uma simples fornecedora de sinais ao vivo.
O mercado digital também exige equilíbrio entre acesso gratuito e sustentabilidade financeira. A aquisição de direitos, a produção dos jogos e a manutenção de uma equipe diária geram despesas permanentes. Patrocínios, publicidade, acordos comerciais, conteúdos especiais e possíveis assinaturas terão de sustentar a operação sem afastar um público acostumado a acompanhar parte significativa do esporte gratuitamente.
A força do projeto estará na especialização. Enquanto canais generalistas dividem atenção entre dezenas de assuntos, a Basquete TV pretende concentrar esforços em uma única modalidade. Essa escolha permite aprofundamento, mas reduz a margem para períodos sem competições fortes ou notícias capazes de mobilizar grandes audiências.
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Planos além do basquete paulista
A plataforma já trabalha para adquirir novos direitos e expandir sua presença em torneios nacionais e internacionais. O planejamento inclui cobertura do basquete europeu, programas sobre a NBA, entrevistas exclusivas, reportagens de bastidores, podcasts e análises.
A ampliação precisa ser conduzida com critério. Um canal recém-lançado pode perder identidade ao tentar ocupar todos os espaços ao mesmo tempo. Antes de assumir a condição de principal destino do público brasileiro, será necessário consolidar uma programação reconhecível, formar uma equipe de referência e manter a qualidade prometida durante a estreia.
O diferencial mais importante poderá estar justamente no basquete nacional. A NBA já possui ampla cobertura, páginas especializadas e transmissões consolidadas. Jogadores brasileiros, campeonatos estaduais, categorias de base, equipes femininas e personagens afastados dos grandes centros ainda encontram menos espaço, embora ofereçam histórias capazes de fortalecer a relação da modalidade com seu público.
A Basquete TV chega com nomes experientes, capacidade de produção e um campeonato relevante no calendário. O projeto responde a uma demanda real, mas a ambição de se tornar a casa do basquete brasileiro será testada pela constância, pela independência editorial e pela habilidade de transformar transmissões em comunidade.
O lançamento representa uma oportunidade para ampliar a exposição do esporte, criar novas propriedades comerciais e oferecer espaço permanente a atletas, equipes e competições. A presença de Olivinha garante atenção inicial; o futuro dependerá daquilo que a plataforma conseguir entregar depois que a curiosidade da estreia passar.
Onde acompanhar
A Basquete TV está disponível no YouTube e no Instagram pelo perfil @CanalBasqueteTV. No X e no TikTok, o projeto utiliza o endereço @BasqueteTV.
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