Jornalistas partem para o ataque após fala de Bap e acusam Flamengo de “delírio de grandeza”

Jornalistas partem para o ataque após fala de Bap e acusam Flamengo de “delírio de grandeza”
Imagem: Reprodução/UOL

A segunda parte da entrevista de Luiz Eduardo Baptista, o Bap, publicada nesta semana pelo jornal espanhol AS, provocou reação imediata em programas esportivos no Brasil e abriu mais um capítulo na disputa narrativa sobre o papel do Flamengo no cenário nacional. Ao afirmar que o clube “pensa como europeu” e que deseja ser o “Real Madrid das Américas”, o dirigente expôs uma visão estratégica já conhecida internamente, mas que ganhou contornos mais ruidosos após comentários de jornalistas como Paulo Vinicius Coelho, o PVC, e Pedro Lopes, que questionaram o tom e a viabilidade das comparações.


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A entrevista foi concedida na Espanha e direcionada, evidentemente, ao público europeu. O foco recaiu sobre administração, modelo de governança e visão de longo prazo. No Brasil, entretanto, a repercussão se deslocou do conteúdo para o simbolismo das declarações. Parte da crítica apontou suposta soberba. Outra parte tratou a fala como estratégia de posicionamento internacional.

O que Bap disse e o que foi interpretado

Bap sustentou que o Flamengo alcançou resultados recentes não por ser “maior”, mas por ser melhor administrado. Citou referências como Real Madrid, Bayern de Munique e outros gigantes europeus, ressaltando que observa seus acertos e erros para adaptar práticas ao contexto brasileiro. Não houve promessa de hegemonia eterna, tampouco desprezo ao ambiente local. O que se apresentou foi uma ambição institucional.

No debate televisivo que se seguiu, Pedro Lopes ponderou que o Flamengo pode se considerar o que quiser, mas continua sendo um clube sul-americano inserido em realidade distinta da Europa. Recordou ciclos do futebol brasileiro e mencionou o exemplo do São Paulo Futebol Clube, dominante nos anos 2000 e posteriormente mergulhado em crise administrativa e investigações.

A crítica se concentrou na ideia de que hegemonias são transitórias. O argumento é válido como alerta histórico. O ponto que se discute, no entanto, não é previsão de queda, mas consistência de projeto.

Hegemonia ou competitividade?

Desde 2019, o Flamengo conquistou títulos nacionais e continentais, mas dividiu protagonismo com Palmeiras, Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense. O cenário brasileiro não permite domínio isolado nos moldes do Bayern na Alemanha. A diferença de receitas existe, mas a competição permanece aberta.

Nesse aspecto, a própria comparação feita por PVC ao modelo alemão encontra limites. O campeonato brasileiro distribui forças de maneira mais pulverizada. Rivalidades regionais, contratos de televisão e estruturas financeiras aproximam os concorrentes. Falar em hegemonia absoluta soa deslocado da realidade.

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Individualismo ou ação coletiva?

Outro ponto levantado foi a suposta contradição entre projeto individual e fortalecimento coletivo. PVC argumentou que, para haver clubes globais, o campeonato também precisa se tornar global. A tese é coerente em termos econômicos. A divergência aparece quando se observa a prática recente.

O Flamengo esteve presente nas discussões sobre fair play financeiro na CBF, participou de grupos de trabalho sobre padronização de gramados e foi protagonista nos debates da liga nacional. Em várias dessas pautas, enfrentou resistência pública de parte da imprensa que agora cobra postura mais coletiva.

Na discussão sobre a Libra e critérios de divisão de receitas, o clube questionou pontos contratuais que considerava indefinidos. Foi acusado de agir por interesse próprio. No debate tributário envolvendo clubes associativos, move-se nos bastidores de Brasília contra aumento de carga fiscal que atinge todo o sistema. Também recebeu críticas.

A contradição exposta é simples: quando atua isoladamente, o Flamengo é chamado de egoísta; quando propõe ajustes estruturais, é acusado de querer asfixiar concorrentes.

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O pano de fundo político e econômico

Desde a reestruturação iniciada em 2013, após anos de endividamento crônico, o clube adotou linha de responsabilidade fiscal, redução de passivos e investimento progressivo no futebol. Houve erros, contratações equivocadas e temporadas frustrantes. Ainda assim, manteve-se a diretriz de equilíbrio entre receita e despesa.

A eleição de 2024 mostrou que o projeto original quase sofreu ruptura interna, mas a base administrativa foi preservada. É nesse contexto que Bap fala em modelo europeu. Não como identidade geográfica, mas como referência de governança.

Comparar ambição com arrogância pode render manchetes. O debate mais relevante, porém, está na sustentabilidade do sistema brasileiro. Se o campeonato deseja maior visibilidade internacional, precisa elevar padrão de gestão, infraestrutura e previsibilidade jurídica. Esse é o núcleo da discussão.

No fim, a entrevista expôs menos um salto alto e mais uma disputa de narrativa. O Flamengo tenta se posicionar como marca global. Parte da imprensa reage com ceticismo. Entre exageros e caricaturas, o fato concreto permanece: o clube atravessa um dos ciclos administrativos mais estáveis de sua história recente. E isso, goste-se ou não, altera o equilíbrio do futebol nacional.

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