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Leonardo Jardim é apresentado no Flamengo com salário milionário e mesmos poderes de Filipe Luís

Leonardo Jardim é apresentado no Flamengo com salário milionário e mesmos poderes de Filipe Luís

Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O português Leonardo Jardim foi oficialmente apresentado como novo treinador do Clube de Regatas do Flamengo no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, com um contrato robusto e atribuições semelhantes às que eram concedidas ao antecessor, Filipe Luís. A negociação foi conduzida pelo diretor de futebol José Boto e manteve praticamente intacta a estrutura de custos e responsabilidades da comissão técnica no clube.


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O acordo prevê um salário anual próximo de 4 milhões de euros líquidos, o que equivale a cerca de 24 milhões de reais por temporada. Na prática, isso representa aproximadamente 2 milhões de reais mensais livres de impostos para o treinador e sua comissão. O valor coloca o português em uma faixa salarial semelhante à que o Flamengo já pagava ao antigo técnico, mantendo o padrão financeiro adotado pela diretoria para o comando do futebol.

A chegada de Jardim acontece poucos dias depois da saída de Filipe Luís e marca uma nova tentativa do clube de reorganizar o projeto esportivo para a temporada.

Contrato mantém padrão financeiro do clube

Ao optar pela troca no comando técnico, o Flamengo decidiu preservar o mesmo patamar de investimento na comissão técnica. O contrato oferecido a Leonardo Jardim é praticamente idêntico ao que havia sido proposto anteriormente ao próprio treinador em dezembro, quando o clube ainda enfrentava um impasse na renovação de Filipe Luís.

Na ocasião, o português preferiu não assumir o cargo. Após deixar o comando do Cruzeiro, ele manifestou o desejo de fazer uma pausa na carreira. A diretoria rubro-negra, entretanto, manteve a proposta como referência.

Quando a vaga voltou a ficar disponível, o Flamengo retomou as conversas e reapresentou os mesmos termos financeiros. A negociação avançou rapidamente e terminou com a assinatura do contrato.

Além do salário da nova comissão técnica, o clube ainda terá de arcar com a multa rescisória do antigo treinador. O valor gira entre 1 e 1,5 milhão de euros, algo entre seis e oito milhões de reais, aproximadamente.

Estrutura de poder no futebol permanece

A mudança no banco de reservas não altera o modelo de gestão adotado pelo Flamengo. Assim como ocorria com Filipe Luís, Leonardo Jardim terá autonomia para comandar os treinamentos, administrar o elenco e sugerir reforços.

As contratações, porém, continuam sendo uma decisão compartilhada com a diretoria. O treinador pode indicar nomes, mas a palavra final segue nas mãos da gestão do futebol.

Esse modelo busca evitar que decisões estruturais dependam exclusivamente do técnico de momento. A lógica é preservar um planejamento mais amplo, reduzindo o impacto de eventuais trocas no comando da equipe.

Durante a passagem pelo clube, Filipe Luís teve influência relevante em alguns movimentos do mercado, participando ativamente das discussões que levaram às chegadas de jogadores como Samuel Lino e Lucas Paquetá. Mesmo assim, nenhuma contratação era formalizada sem o aval da direção.

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Primeiras declarações de Leonardo Jardim

Na entrevista coletiva de apresentação, Leonardo Jardim procurou adotar um tom cauteloso ao falar sobre possíveis mudanças na equipe. O treinador afirmou que encontrou uma base de trabalho construída e que, ao menos inicialmente, pretende fazer ajustes pontuais em vez de transformações profundas.

Segundo ele, a prioridade é aproveitar ao máximo as características do elenco.

O treinador tem suas ideias, mas a principal virtude é rentabilizar os ativos que possui. Trabalhei com equipes de transição, mas também preciso valorizar as características dos jogadores que estão aqui”, afirmou.

Jardim ressaltou que o elenco reúne perfis distintos. Há atletas mais voltados para a posse de bola e outros com características de agressividade ofensiva. Para ele, essa diversidade pode permitir variações estratégicas ao longo da temporada.

O desafio de equilibrar ideias e elenco

A adaptação entre o modelo de jogo do treinador e as características dos atletas costuma ser um dos pontos mais delicados em mudanças de comando. No Flamengo, o histórico recente mostra como esse processo pode influenciar diretamente o desempenho da equipe.

Treinadores estrangeiros que passaram pelo clube nos últimos anos enfrentaram dificuldades ao tentar implementar conceitos táticos muito diferentes daquilo que o elenco estava acostumado a executar.

O espanhol Domènec Torrent chegou em 2020 prometendo preservar a base construída por Jorge Jesus, mas rapidamente introduziu alterações profundas no sistema de jogo. A tentativa de implantar novas dinâmicas táticas gerou um período de instabilidade.

Situação semelhante ocorreu com o português Paulo Sousa, que tentou adaptar o time a um esquema com três zagueiros e alas abertos. A mudança exigia um perfil específico de jogadores e acabou não se consolidando.

Outro exemplo recente foi o trabalho de Vítor Pereira, que inicialmente manteve uma estrutura próxima à utilizada por Dorival Júnior, mas depois promoveu alterações radicais na tentativa de dar identidade própria à equipe.

Essas experiências ajudam a explicar o cuidado demonstrado por Leonardo Jardim nas primeiras declarações.

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O que esperar da nova fase

Ao falar sobre o Flamengo, Jardim reconheceu que a equipe possui uma identidade ligada à posse de bola e ao controle do jogo. O treinador afirmou que pretende preservar essa característica, ao mesmo tempo em que busca ampliar as possibilidades táticas da equipe.

Para ele, um time competitivo precisa apresentar mais de uma maneira de atuar.

A ideia é construir um modelo capaz de se adaptar a diferentes cenários de partida. Essa flexibilidade pode ser determinante em competições longas e com adversários variados, como o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

Nos próximos meses, o trabalho do treinador português será acompanhado de perto pela torcida e pela diretoria, que aposta na experiência internacional do técnico para conduzir o Flamengo a uma nova fase esportiva.

As primeiras palavras de Leonardo Jardim como técnico do Flamengo

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