Mais especialistas apontam interferência externa e quebra de protocolo do VAR na Supercopa

Mais especialistas apontam interferência externa e quebra de protocolo do VAR na Supercopa
Imagens: Reprodução/CBF

A final da Supercopa entre Flamengo e Corinthians, disputada neste domingo (01), deixou um rastro que vai além do placar. O que se discute desde o apito final não é o mérito esportivo do resultado, mas a condução de um episódio específico: a expulsão de Carrascal após revisão do VAR, marcada por indícios consistentes de interferência externa e por possíveis violações do protocolo internacional.


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O lance ocorreu ainda no primeiro tempo, foi analisado pela equipe de vídeo, não resultou em punição imediata e, naquele momento, a partida seguiu seu curso normal. O problema surgiu depois. Já no intervalo, uma nova revisão foi provocada, culminando na mudança de decisão e na expulsão do atleta, com base em imagens reapresentadas e em um contexto que levantou questionamentos sérios sobre a legalidade do processo.

É importante estabelecer desde o início um ponto central: o Flamengo não perdeu a Supercopa por causa dessa expulsão. O resultado do jogo não está em debate. A discussão é mais profunda e diz respeito à integridade do sistema de arbitragem, à previsibilidade das regras e ao risco institucional que se cria quando o protocolo deixa de ser um limite claro e passa a ser interpretado conforme conveniências.

O protocolo e o limite da atuação

O protocolo do VAR é explícito ao definir funções. Árbitro de vídeo analisa imagens, recomenda revisões e auxilia o árbitro de campo. Observadores, quando designados, têm papel avaliativo e pedagógico, jamais decisório. A presença do coordenador nacional de arbitragem como observador, por si só, já exige cautela redobrada. Quando esse observador verbaliza interpretações do lance, descreve gestos como “mão fechada no queixo” e sugere a gravidade da infração, o limite técnico deixa de existir.

Especialistas em arbitragem passaram a apontar dois descumprimentos claros. O primeiro, no mérito da análise, ao revisar um lance de conduta violenta sem observar a obrigatoriedade de avaliação em velocidade real antes da câmera lenta. O segundo, mais grave, na interferência direta de um agente externo que não poderia, em hipótese alguma, influenciar a interpretação do lance.

A cronologia que não fecha

Outro ponto sensível está na linha do tempo da revisão. A CBF divulgou apenas o áudio da segunda análise, omitindo completamente a comunicação da primeira, quando a decisão foi manter o jogo sem punição. Não há transparência sobre quando surgiu a imagem considerada “conclusiva”, nem por que ela não foi utilizada na análise inicial, apesar de o VAR ter acesso prévio a todas as câmeras da transmissão.

Essa lacuna alimenta dúvidas legítimas. Se a equipe de vídeo já havia concluído que não existiam imagens suficientes, o que mudou objetivamente no intervalo? Quem trouxe essa nova imagem à mesa? Em que momento o coordenador de arbitragem passou de observador a voz ativa no processo?

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Especialistas reforçam a crítica

Renata Ruel, comentarista e ex-árbitra, foi direta ao afirmar que parte da comunicação registrada no áudio extrapola as atribuições do observador do VAR. Segundo ela, orientar sobre procedimento é admissível; interpretar o lance e sugerir expulsão, não.Paulo Caravina caminhou na mesma direção, destacando que não se trata de opinião clubista, mas de leitura técnica do protocolo.

O consenso entre árbitros consultados por esses analistas é claro: interferir na tomada de decisão, ainda que de forma indireta, fere o espírito e a letra das regras. Quando essa interferência parte justamente de quem escala e avalia os árbitros, o problema deixa de ser pontual e passa a ser estrutural.

A nota da CBF e suas contradições

Em resposta às críticas, a CBF publicou nota oficial negando qualquer irregularidade e afirmando que o observador apenas reforçou o cumprimento do protocolo. No entanto, o próprio áudio divulgado contradiz essa versão ao registrar falas que qualificam o lance e direcionam a leitura da equipe de VAR.

Há também uma inconsistência conceitual. A entidade admite que orientar sobre procedimento é permitido, mas ignora que a interferência pode ocorrer durante o processo, não apenas na decisão final. O protocolo não é violado apenas quando alguém “manda expulsar”, mas quando influencia o caminho que leva a essa conclusão.

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Um precedente perigoso

Ao admitir revisões tardias, estimuladas por pressão externa e conduzidas sem total transparência, abre-se um precedente preocupante para o Campeonato Brasileiro. Se qualquer lance de possível conduta violenta puder ser resgatado a qualquer momento, sob influência de agentes hierarquicamente superiores, o jogo passa a conviver com insegurança permanente.

O debate, portanto, não é sobre Flamengo ou Corinthians. É sobre credibilidade. O VAR foi criado para reduzir erros claros e preservar justiça esportiva. Quando ele se torna instrumento de dúvida, perde sua razão de existir. O episódio da Supercopa exige reflexão profunda, correção de rumos e, sobretudo, respeito rigoroso ao protocolo. Sem isso, o risco de novas distorções deixa de ser hipótese e passa a ser questão de tempo.

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