N.I.N.A e os bastidores do look Rubro-Negro que roubou a cena no Lollapalooza

Uma escolha estética, construída peça a peça, colocou o Flamengo no centro de um dos maiores festivais de música do país. No fim da tarde do sábado (21), no palco Perry’s by Fiat, a rapper carioca N.I.N.A apresentou um figurino que, à primeira vista, dialogava com a seleção brasileira, mas escondia um conjunto de referências cuidadosamente costuradas ao universo rubro-negro. O resultado não nasceu por acaso. Foi fruto de um processo criativo compartilhado, com liberdade, intenção e identidade.
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O look, desenvolvido em parceria com a Matos Brexó, carrega uma narrativa que vai além da roupa. Ele revela uma construção artística que mistura futebol, moda e cultura urbana, com o Flamengo inserido como elemento central, ainda que nem sempre visível à primeira leitura.
A ideia: do Brasil para o Flamengo
A base do figurino partiu de uma camisa da seleção brasileira de 2002, símbolo imediato do pentacampeonato e de uma memória coletiva forte no imaginário nacional. A escolha não foi apenas estética. Funcionou como ponto de partida para um conceito maior, que se expandiria ao longo da peça.
A partir daí, o projeto ganhou camadas. O vestido estilizado carregava a referência da camisa 10, que a própria artista incorporou ao palco, enquanto a jaqueta, usada na composição, escondia o principal elemento do projeto: um forro inteiramente construído com diferentes camisas do Flamengo.
Não se tratava de uma única fase ou modelo. A composição reuniu peças de períodos distintos, criando uma espécie de linha do tempo têxtil do clube. Uniformes marcantes dos anos 90, versões icônicas dos anos 2000 e outras variações foram integradas à estrutura interna do casaco.
A escolha de manter essas referências no interior da peça não é trivial. O Flamengo não aparece como exposição direta, mas como camada simbólica. Está ali, estruturando o look, sustentando a narrativa.
O processo: liberdade criativa e construção coletiva
O desenvolvimento do figurino seguiu uma lógica colaborativa. A ideia inicial partiu de N.I.N.A, que levou o conceito à Matos Brexó. A partir daí, o projeto foi sendo construído em diálogo constante entre artista e equipe criativa.
A marca, fundada por Ana Matos, trabalha com upcycling e rework, transformando peças descartadas em novas criações. No caso do look do Lollapalooza, esse conceito foi levado ao limite. Cada elemento foi pensado para manter a identidade original das camisas, ao mesmo tempo em que se integrava a uma nova linguagem.
A execução envolveu um trabalho artesanal, conduzido por uma equipe enxuta e familiar. Ana na direção criativa, Neide na costura e Julia na administração. O resultado final carrega essa assinatura: não é produção em escala, é construção manual, com decisões tomadas durante o processo.
Houve ainda um desdobramento importante. Pela primeira vez, o coletivo teve liberdade para desenvolver também o figurino do balé. O palco inteiro passou a refletir a mesma identidade visual, ampliando o impacto da proposta.
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O palco: identidade em evidência
Durante a apresentação, o figurino não ficou restrito à estética. Ele dialogou com o discurso da artista. Em um dos momentos do show, N.I.N.A destacou a presença feminina no futebol, nas arquibancadas e dentro de campo, conectando diretamente o Flamengo à sua fala.
Essa conexão ajuda a entender o sentido do look. Não é apenas visual. É posicionamento. O clube aparece como parte da trajetória e da identidade da artista, não como elemento externo.
O repertório apresentado, com participações e momentos de destaque no show, reforçou essa leitura. O figurino não competia com a música. Funcionava como extensão dela.
O impacto: quando o Flamengo vira linguagem
A repercussão nas redes sociais foi imediata. Imagens do casaco aberto, revelando o forro rubro-negro, circularam com força, ampliando o alcance da peça. O Flamengo apareceu ali em um contexto diferente, longe do estádio, inserido em um ambiente global de música e cultura.
Esse movimento não é isolado. Nos últimos anos, o futebol tem ocupado cada vez mais espaço na moda urbana. A diferença, nesse caso, está na origem. Não é uma campanha institucional. É uma construção que nasce da artista e do coletivo criativo.
O Flamengo, nesse cenário, deixa de ser apenas clube e passa a funcionar como linguagem. Um código reconhecível, capaz de atravessar diferentes espaços.
Um símbolo que se reinventa
O episódio revela uma transformação silenciosa. O clube segue presente no futebol, mas encontra novas formas de circulação. Está no estádio, nas ruas e, agora, no palco de um festival internacional, costurado em um figurino que carrega memória, identidade e criação.
Não é sobre uma peça específica. É sobre como o Flamengo continua sendo reinterpretado, geração após geração, em linguagens diferentes.
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