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Nunes defende José Roberto Wright e relembra bastidores de Flamengo x Atlético-MG em 1981

Nunes defende José Roberto Wright e relembra bastidores de Flamengo x Atlético-MG em 1981

Nunes, ídolo do Flamengo e personagem central de uma das gerações mais vitoriosas da história rubro-negra, voltou a um dos temas mais debatidos do futebol brasileiro: o jogo contra o Atlético-MG pela Libertadores de 1981, em Goiânia, marcado pelas expulsões de José Roberto Wright e usado até hoje por atleticanos como símbolo de contestação. Em entrevista à BraboTV, o ex-atacante não fugiu do assunto, defendeu a atuação do árbitro, afirmou ter visto tudo de perto e contextualizou a partida dentro de um ambiente de tensão que, segundo ele, saiu do controle porque jogadores do Galo desafiaram uma advertência feita antes das expulsões.

Nunes também relembrou o papel do elenco na efetivação de Paulo César Carpegiani como treinador, falou de sua passagem pelo Atlético-MG e deu uma resposta simples sobre respeito profissional: quem veste uma camisa precisa honrar aquela história, sem transformar rivalidade em desrespeito.


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A fala de Nunes começa antes de Goiânia e ajuda a entender o Flamengo de 1981 por dentro. Ele recorda que Carpegiani era auxiliar de Dino Sani quando o elenco voltou de Governador Valadares para a Gávea. Naquele momento, Nunes enxergou no ex-companheiro de grupo uma oportunidade natural para assumir o comando. Carpegiani havia jogado com aqueles atletas, era respeitado, tinha liderança, conversava, orientava e conhecia o que o time poderia produzir em campo. O atacante contou que falou com Zico, sugeriu uma conversa com o presidente Dunshee de Abranches e defendeu a permanência de Carpegiani como treinador. A decisão, segundo ele, nasceu de uma relação de confiança entre jogadores e comandante, mas só funcionou porque o grupo passou a enxergá-lo não como ex-colega de profissão, e sim como técnico de fato.

Esse detalhe é relevante porque muita gente conta 1981 apenas pelo brilho de Zico, pelos gols decisivos, pela Libertadores e pelo Mundial. Tudo isso é verdade, mas há uma engrenagem interna que explica por que aquele Flamengo não era apenas um amontoado de craques. O time tinha liderança, hierarquia, respeito e capacidade de reconhecer autoridade dentro de um ambiente em que vários jogadores poderiam se sentir maiores do que o treinador. Nunes deixa claro que a efetivação de Carpegiani só deu certo porque o elenco comprou a ideia. A confiança não foi retórica. Foi prática. E o resultado apareceu no ano em que o Flamengo conquistou a América e o mundo.

Goiânia, Wright e a versão de quem estava em campo

Quando o assunto entra no empate sem gols contra o Atlético-MG, em Goiânia, Nunes é direto. Ele afirma defender José Roberto Wright porque viu tudo. Para ele, o jogo foi nervoso desde o início, como costumam ser os confrontos entre Flamengo e Atlético, mas o árbitro tentou controlar a partida chamando os capitães Zico e Chicão para uma advertência clara: o primeiro jogador que desse por trás seria expulso. Segundo Nunes, o aviso foi feito na frente de todos. Pouco depois, Reinaldo acertou Zico por trás, não acreditou na ameaça do juiz e acabou colocado para fora. A partir daí, ainda de acordo com o relato do ex-atacante, vieram xingamentos, acusações e novas atitudes que levaram Wright a expulsar outros atletas atleticanos.

A importância do depoimento está justamente em recolocar a partida dentro de uma sequência. O discurso atleticano costuma resumir Goiânia a uma arbitragem absurda e a uma suposta perseguição, mas Nunes narra um ambiente de advertência, desobediência e escalada. Isso não encerra o debate histórico, porque o jogo virou ferida aberta há mais de quatro décadas, mas acrescenta a versão de quem estava no gramado e viu a conduta dos jogadores em tempo real. O ex-atacante também lembra que chegou um momento em que o Atlético-MG não tinha jogadores suficientes para seguir a partida, e a Conmebol declarou o Flamengo vencedor.

A rivalidade entre Flamengo e Atlético-MG tem muitos capítulos, mas 1981 é o mais usado como combustível emocional. Para o lado mineiro, virou marca de injustiça. Para o rubro-negro, virou exemplo de narrativa repetida sem a mesma disposição para olhar o comportamento dos atletas expulsos. A fala de Nunes não vem de um observador neutro, e ele nem pretende ser. Vem de um personagem do Flamengo campeão, alguém que enfrentou o Atlético, depois vestiu a camisa do Galo e construiu história em Minas. Por isso, seu relato tem peso específico: ele não fala de um clube que desconhece, nem de uma torcida com a qual não conviveu.

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O ídolo que também teve história no Galo

O trecho mais interessante da conversa surge quando Nunes fala do Atlético-MG sem rancor. Ele lembra que foi campeão mineiro, marcou muitos gols, tornou-se querido por parte da torcida atleticana e guarda carinho por pessoas ligadas ao clube. O ex-atacante afirma ter respeito pela história que construiu em Minas, reconhece que se tornou ídolo por lá e não tenta diminuir o Galo para defender o Flamengo.

Essa postura contrasta com a lógica das redes sociais, onde rivalidade quase sempre exige caricatura. Nunes não precisa negar a grandeza do Atlético para sustentar sua versão sobre 1981. Também não precisa fingir que a rivalidade não existe. Ao ser perguntado se Flamengo é, depois do Cruzeiro, o maior rival do Galo, ele responde que acredita que sim. A frase importa porque vem de alguém que esteve dos dois lados da relação. Para ele, a rivalidade atleticana passa pelo Cruzeiro localmente, mas também pelo Flamengo em dimensão nacional, carregada por jogos grandes, polêmicas e memória acumulada.

Esse reconhecimento ajuda a explicar por que cada reencontro entre Flamengo e Atlético-MG parece carregar mais peso do que a tabela indica. Há clubes que viram adversários por disputa de título. Outros se tornam rivais por trauma, repetição, narrativa e ressentimento. Flamengo e Atlético-MG reúnem tudo isso. Têm decisões, confrontos tensos, episódios de arbitragem, jogadores que atravessaram os dois lados, torcidas que não esqueceram o passado e uma imprensa que adora reacender o tema quando a bola volta a rolar.

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Respeito à camisa e a discussão sobre comemorar gol contra ex-clube

Nunes também deixa uma mensagem que ultrapassa Flamengo e Atlético. Ao falar sobre sua carreira, ele defende que todo profissional deve respeitar a camisa que veste, seja Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, Atlético, Cruzeiro ou qualquer outro clube. O raciocínio é simples e maduro: cada instituição tem uma história, e o jogador nunca sabe onde estará amanhã. Quem é figura pública precisa respeitar para ser respeitado.

A conversa entra então em uma polêmica moderna: comemorar gol contra ex-clube. Nunes não romantiza falsa reverência. Ele diz que já fez gol contra o Flamengo e comemorou. A lógica é a do profissional que defende quem paga seu salário e joga para a torcida que está ao seu lado naquele momento. Isso não significa ofender a antiga casa, provocar gratuitamente ou transformar celebração em deboche. Significa apenas reconhecer que futebol é disputa, e gol é o momento mais forte dessa disputa.

A comparação com Gabigol aparece naturalmente. O atacante, em diferentes momentos da carreira, comemorou gols contra ex-clubes e alimentou debates sobre gratidão, respeito e identidade. A fala de Nunes ajuda a separar as coisas. Respeitar uma camisa não é impedir alegria contra outra. O desrespeito nasce quando a comemoração vira humilhação gratuita, quando o jogador apaga sua própria história ou quando usa o gol para diminuir quem já o acolheu. Celebrar com sua torcida é parte do jogo. Atacar a memória anterior é outra coisa.

No fim, a entrevista de Nunes é valiosa porque mistura bastidor, memória e critério. Ele recoloca Carpegiani dentro da construção interna do Flamengo de 1981, defende José Roberto Wright com a convicção de quem estava em campo, reconhece o tamanho da rivalidade com o Atlético-MG e, ao mesmo tempo, não transforma o Galo em inimigo imaginário. A fala mais forte talvez esteja justamente nessa combinação: o Flamengo pode sustentar sua versão histórica sem negar a grandeza do adversário, e um ídolo rubro-negro pode ter orgulho de sua camisa sem rasgar as outras que vestiu. Esse é o tipo de depoimento que incomoda quem prefere o futebol como tribunal eterno, mas ajuda quem ainda tenta entender o jogo como história, contexto e responsabilidade.

Nunes fala de seus gols decisivos

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