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Paparazzo acusa Benjamin Back de agressão em sala da CBF e cobra apuração da entidade

Paparazzo acusa Benjamin Back de agressão em sala da CBF e cobra apuração da entidade

Gabriel Reis, responsável pelo canal Paparazzo Rubro-Negro, acusou o jornalista Benjamin Back de tê-lo agredido pelas costas dentro da sala de imprensa da CBF durante a cobertura de um treino da Seleção Brasileira nos Estados Unidos. Segundo o relato divulgado após o encerramento da campanha do Brasil, o comunicador teria recebido um tranco acompanhado de uma cotovelada, confrontado Benja na sequência e comunicado o episódio a profissionais ligados à entidade, mas nenhuma medida teria sido adotada contra o credenciamento do acusado. A denúncia, apresentada publicamente em vídeo, ainda menciona testemunhas e uma segunda abordagem contra Gabriel Orfão, repórter de sua equipe.


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Até o momento, não há a versão de Benjamin Back sobre o ocorrido nem um posicionamento formal da CBF. Essa ausência exige cuidado jornalístico: o caso deve ser tratado como uma acusação feita por Gabriel Reis, não como fato definitivamente comprovado. Ao mesmo tempo, a gravidade da narrativa impede que a entidade simplesmente ignore a cobrança, sobretudo porque o episódio teria acontecido em ambiente controlado, com profissionais credenciados e pessoas apontadas como testemunhas.

Relato cita cotovelada pelas costas e testemunhas

Paparazzo afirmou que preparava café para profissionais que estavam na sala de imprensa quando recebeu o encontrão. Ele disse que estava de costas, virou-se para confrontar Benjamin Back e foi contido por colegas antes que o conflito se ampliasse. Guilherme Flazoeiro e Sidney Marinho, da Litoral News, foram mencionados como pessoas que teriam presenciado ou ajudado a separar os envolvidos.

De acordo com Gabriel Reis, Benjamin Back ainda teria avançado contra Gabriel Orfão, empurrando o repórter. A narrativa, portanto, não se limita a um contato físico isolado ou a uma interpretação equivocada sobre a movimentação em um espaço apertado. O comunicador descreve uma sequência deliberada, com dois profissionais de sua equipe atingidos ou abordados.

O denunciante também afirmou ter enviado mensagens a Fábio Seixas e Cássio Arreguy, diretor e gerente de comunicação da CBF. Segundo ele, ambos tomaram conhecimento da situação, mas Benjamin Back manteve a credencial, continuou frequentando coletivas e recebeu o microfone em outras oportunidades.

Esse é o ponto mais grave para a entidade. Mesmo antes de determinar responsabilidade, uma organização que administra ambiente de trabalho precisa registrar a ocorrência, ouvir as partes, recolher depoimentos e avaliar imagens disponíveis. Não é preciso condenar previamente ninguém para adotar procedimentos mínimos de apuração e proteção.

CBF precisa explicar o que fez após a denúncia

A cobrança dirigida à CBF não pode ser reduzida à rivalidade entre canais, preferências clubísticas ou disputas pessoais. Caso tenha sido formalmente avisada sobre uma possível agressão dentro de sua área de imprensa, a confederação precisa esclarecer quando recebeu o relato, quem avaliou a ocorrência e por que não houve afastamento preventivo, advertência ou investigação conhecida.

Paparazzo sustenta que seria tratado de maneira diferente se tivesse reagido fisicamente. Na avaliação dele, um profissional de mídia independente e identificado com o Flamengo perderia a credencial imediatamente, enquanto um jornalista de veículo tradicional teria recebido proteção institucional. Essa percepção pode ser discutida, mas não deve ser descartada sem resposta objetiva.

Vale comparar com o caso Fernando Gil, suspenso pela ACERJ por 30 dias após comemorar um gol do Flamengo durante um FlaxFlu. São situações distintas: uma trata de comportamento considerado inadequado em área de imprensa; a outra envolve acusação de contato físico. Justamente por isso, a ausência de consequência no segundo caso, se confirmada, produziria uma contradição difícil de justificar.

Regras de credenciamento precisam ser impessoais. A punição não pode depender do tamanho do canal, do vínculo com a televisão, da proximidade com dirigentes ou da influência acumulada pelo profissional. Quando o regulamento pesa sobre os menores e se torna flexível diante dos conhecidos, deixa de ser instrumento de organização e passa a funcionar como mecanismo de poder.

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Mídia independente costuma ser tratada como problema

O episódio também expõe uma relação desgastada entre imprensa tradicional, canais segmentados e influenciadores. Profissionais independentes são frequentemente responsabilizados pela perda de qualidade do jornalismo esportivo, mesmo quando práticas agressivas, informações incorretas e conflitos públicos surgem dentro de veículos consolidados.

Há canais que ultrapassam limites, confundem torcida com apuração e transformam qualquer crítica em perseguição. Isso não autoriza a criação de uma categoria profissional inferior, sujeita a menos proteção e mais punições. Paparazzo e Gabriel Orfão estavam credenciados, encontravam-se naquele espaço como trabalhadores autorizados pela CBF e deveriam receber o mesmo tratamento destinado aos demais.

Eventuais desavenças anteriores entre Gabriel Reis e Benjamin Back também não alteram esse princípio. Divergências editoriais, ofensas verbais ou disputas antigas podem ser enfrentadas por resposta pública, direito de defesa e medidas judiciais. Nenhuma delas legitimaria agressão física.

A versão do acusado continua necessária, assim como os depoimentos das testemunhas citadas. A CBF também deve informar se recebeu mensagens, se conversou com os envolvidos e se existe relatório interno. Sem essas providências, o silêncio favorece a suspeita de proteção seletiva.

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Silêncio institucional amplia a crise

Paparazzo afirmou que esperou o fim da competição para expor o episódio, temendo ser acusado de criar tumulto durante a participação da Seleção. A decisão pode ser questionada do ponto de vista da rapidez necessária à apuração, mas não elimina a obrigação da entidade responder agora.

Quanto mais tempo passa, maior é a dificuldade para recuperar imagens, reconstruir horários e obter relatos precisos. Ainda assim, os nomes apresentados permitem que a CBF inicie uma verificação formal. Ignorar a denúncia transmite uma mensagem perigosa a todos os profissionais que trabalham em seus espaços.

A entidade não precisa escolher um lado antes de investigar. Precisa demonstrar que possui protocolo, que agressões alegadas são tratadas com seriedade e que nenhuma credencial funciona como salvo-conduto. Caso conclua que o episódio não ocorreu da forma narrada, deve apresentar os elementos utilizados nessa avaliação; se confirmar a acusação, terá de explicar por que não agiu quando foi informada.

O debate não é sobre Flamengo, audiência ou simpatia entre jornalistas. Trata-se da segurança em um ambiente profissional e da obrigação de uma instituição nacional aplicar regras iguais. A acusação de Gabriel Reis é grave, a defesa de Benjamin Back precisa ser ouvida e o silêncio da CBF, enquanto permanecer, será a parte mais difícil de compreender.

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