O debate sobre quem entrega mais ao futebol brasileiro voltou ao centro da roda nesta semana, impulsionado por discussões em programas esportivos e pela eterna comparação entre dois meio-campistas ligados ao Flamengo: Lucas Paquetá e Gerson. A conversa ganhou força a partir de comentários feitos no Equipe F, da ESPN, reacendendo uma disputa que mistura gosto pessoal, leitura tática e, principalmente, critérios muitas vezes usados de forma conveniente conforme o argumento da vez.
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A discussão não nasceu do nada. Em um contexto de mercado aquecido, seleção brasileira em reconstrução e Flamengo atento a possíveis movimentos futuros, Paquetá e Gerson passaram a ser colocados lado a lado como se ocupassem o mesmo espaço no jogo. A pergunta que moveu o debate foi simples na forma e complexa no conteúdo: quem é melhor jogador? A resposta, como quase sempre no futebol, depende menos do nome e mais do critério adotado.
Paquetá e Gerson: jogadores diferentes, argumentos nem tanto
Gerson viveu no Flamengo, entre 2023 e 2025, o período mais maduro da carreira. Capitão, líder técnico e referência em um elenco que atravessava transições importantes, assumiu protagonismo em um momento em que outras lideranças estavam em baixa ou haviam deixado o clube. Dentro de campo, ofereceu força física, consistência e presença, além de um papel claro na organização do meio-campo. Fora dele, ganhou a braçadeira por hierarquia e contexto, não exatamente por um histórico anterior de liderança em outros clubes.
Paquetá, por sua vez, construiu uma trajetória diferente. Revelado pelo Flamengo, saiu cedo, foi titular no Milan, passou pelo Lyon e se consolidou no West Ham, sempre como jogador de impacto ofensivo. Atuou como meia, ponta, segundo atacante e até falso nove. É mais agudo, mais goleador e joga naturalmente mais próximo da área. Na seleção brasileira, soma convocações, Copas do Mundo e status de peça recorrente nos momentos decisivos, inclusive com a confiança explícita de treinadores de peso no futebol europeu.
Europa, seleção e a lógica que muda conforme o discurso
Um dos pontos centrais do debate foi o uso seletivo dos argumentos. Em alguns momentos, a passagem pela Europa aparece como critério definitivo para avaliar um jogador. Em outros, perde valor quando não favorece a tese defendida. Gerson nunca conseguiu se firmar em clubes europeus de diferentes prateleiras e tem poucas convocações para a seleção brasileira. Paquetá, ao contrário, foi titular em grandes ligas, despertou o interesse de Pep Guardiola e esteve a um passo do Manchester City antes de enfrentar problemas extracampo.
Ainda assim, a comparação muitas vezes ignora esse histórico para se apoiar exclusivamente em títulos. Nesse recorte, Gerson leva vantagem, mas quase todos os troféus vieram no Flamengo, em um ambiente altamente favorável. Títulos contam, claro, mas não explicam tudo quando o assunto é desempenho individual, regularidade e capacidade de decisão em contextos distintos.
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Técnica, função e impacto real no jogo
Do ponto de vista técnico, Paquetá oferece mais possibilidades. É versátil, atua em praticamente todas as faixas do meio-campo e entrega números superiores em gols e participações ofensivas. Gerson também é polivalente, mas sua força está mais ligada ao equilíbrio do time, à ocupação de espaços e à leitura coletiva do jogo. São virtudes diferentes, que atendem a necessidades distintas.
Quando a discussão se desloca para a seleção brasileira, a diferença se acentua. Paquetá tem histórico, minutagem e protagonismo. Gerson, apesar da qualidade, nunca conseguiu se estabelecer como nome frequente. Usar a camisa da seleção como critério, portanto, exige coerência com os dados e com a trajetória de cada um.
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CASO PREFIRA OUVIR:
Opinião é livre, argumento precisa de encaixe
No fim das contas, o debate não deveria girar em torno de preferências pessoais, mas da consistência dos argumentos. É legítimo gostar mais de Gerson, assim como é natural enxergar em Paquetá um jogador de patamar superior. O problema surge quando os critérios mudam conforme a conveniência do discurso. Europa vale quando interessa. Título pesa quando ajuda. Técnica aparece ou some conforme a conclusão desejada.
Paquetá e Gerson não são iguais, nem precisam ser. Compará-los exige cuidado, contexto e, sobretudo, honestidade intelectual. O futebol aceita divergências. O que ele não perdoa é argumento mal encaixado.
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