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Por que a camisa do seu time custa R$ 450? Entenda a conta por trás do preço

Por que a camisa do seu time custa R$ 450? Entenda a conta por trás do preço

A cada lançamento de uniforme, a cena se repete. Torcedores entram nas lojas físicas e virtuais, conferem o novo modelo e se deparam com preços que giram em torno de R$ 450. A reação é imediata: indignação, questionamentos sobre elitização e críticas às fornecedoras. O debate ganhou novo fôlego após a repercussão de uma coluna publicada pela revista Placar, assinada pelo especialista em marketing esportivo Raul Vinelli, que detalha a cadeia de custos por trás das camisas oficiais no futebol brasileiro.


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O ponto central do texto é direto: o valor final não nasce apenas de uma decisão comercial das marcas. Ele é resultado de um processo produtivo caro, marcado por importações, tributos elevados e contratos robustos com os clubes. O torcedor paga pela soma de todos esses fatores.

A engrenagem industrial

Mesmo quando parte da produção ocorre no Brasil, boa parte dos insumos é importada. Tecidos tecnológicos, processos de sublimação, termocolagem e acabamentos de padrão internacional exigem matéria-prima específica e, muitas vezes, fabricada fora do país. O produto pode começar a ser confeccionado no exterior, seguir para o Brasil para finalização e, só então, entrar na cadeia de distribuição.

Cada etapa adiciona custo. Transporte internacional, taxas alfandegárias, variação cambial e burocracia encarecem o processo antes mesmo de a camisa chegar às prateleiras. Sobre isso incidem ICMS, PIS, Cofins e outros tributos internos. O resultado é uma escalada que multiplica o valor original da peça.

A coluna lembra ainda que o Brasil opera com escala menor que mercados europeus, onde a previsibilidade de consumo permite volumes maiores e diluição de despesas fixas. Aqui, a combinação entre demanda oscilante e alta pirataria pressiona a precificação.

Marcas premium e estratégia global

Outro aspecto raramente discutido envolve o posicionamento das fornecedoras. Gigantes como Adidas, Nike e Puma operam globalmente como marcas premium. O uniforme oficial não é apenas um produto isolado; ele integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento de marca.

Há casos conhecidos no mercado em que a exposição em grandes clubes serve como vitrine para venda de outros itens esportivos. O contrato com equipes de massa amplia visibilidade mundial, reforça identidade e conecta o consumidor a um portfólio completo. A camisa, nesse contexto, também cumpre função institucional.

Os contratos preveem, além de fornecimento de material, pagamento de luvas e royalties por peça comercializada. Quanto maior a torcida e a projeção do clube, mais elevado tende a ser o acordo financeiro. Esses valores, fundamentais para o caixa das agremiações, entram na conta que chega ao consumidor final.

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A comparação inevitável

Um dado chama atenção: independentemente do volume de vendas, o preço costuma ser padronizado. Um clube que comercializa milhões de unidades paga o mesmo valor de etiqueta que outro com mercado menor. A lógica não segue apenas a escala local, mas a política global da marca.

Em mercados europeus, onde salários médios são mais altos, uma camisa pode custar 60 ou 70 euros. Convertida para a realidade brasileira, a diferença de poder aquisitivo torna o impacto ainda maior. Aqui, R$ 450 representa parcela significativa do salário mínimo.

A qualidade do material, por outro lado, é evidente. Tecidos respiráveis, tecnologia de controle térmico, aplicação precisa de escudos e patrocinadores compõem um padrão elevado. Não se trata de um produto simples, mas de uma peça com investimento em pesquisa e desenvolvimento.

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Alternativas possíveis

O impasse não elimina a frustração do torcedor. Para muitos, adquirir o modelo oficial exige planejamento de meses. Em paralelo, cresce o mercado paralelo, impulsionado por réplicas cada vez mais fiéis.

Uma saída debatida por especialistas passa por ampliar linhas alternativas com preços mais acessíveis, mantendo identidade visual, mas reduzindo tecnologia embarcada. Outra estratégia envolve maior participação dos clubes no desenvolvimento dos uniformes, negociando design, tipografia e, eventualmente, política comercial.

Na Europa, equipes como o Barcelona mantêm equipes internas que trabalham junto à fornecedora na criação de detalhes exclusivos, fortalecendo identidade e agregando valor. No Brasil, iniciativas pontuais indicam movimento semelhante.

O debate não se resume a apontar culpados. Ele exige compreender um sistema complexo, no qual indústria, governo, clubes e mercado global influenciam o preço. Enquanto essa engrenagem permanecer onerosa, a camisa seguirá pesando no bolso de quem sustenta o espetáculo.

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