PVC ataca influenciadores do Flamengo e desqualifica debate sobre o VAR com termo preconceituoso: “Influenciadores do gueto”
O debate sobre os protocolos do VAR no futebol brasileiro ganhou novos contornos nos últimos dias, não pelo avanço técnico da discussão, mas pela forma como foi tratado por uma das vozes mais tradicionais do jornalismo esportivo. Durante análise sobre a expulsão de Carrascal e os procedimentos adotados pela arbitragem, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, optou por desqualificar quem ainda discutia o tema ao usar a expressão “influenciadores do gueto”, provocando reação imediata e ampliando o foco da controvérsia.
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A fala ocorreu em meio à repercussão de um lance que, embora não tenha gerado grande contestação quanto ao mérito disciplinar, levantou questionamentos sobre o cumprimento do protocolo do VAR. O centro da discussão não era a agressão em si, mas o caminho adotado para a revisão da decisão, especialmente a interrupção no intervalo, a origem das imagens analisadas e a eventual interferência externa no processo.
Mesmo após o encerramento da partida, o tema seguiu sendo debatido por especialistas em arbitragem, jornalistas e profissionais que se dedicam ao estudo das regras do jogo. Renata Ruel, por exemplo, explicou publicamente quais imagens podem ou não ser utilizadas pelo VAR, enquanto outros analistas detalharam o papel do observador e os limites de atuação dentro da cabine. Ou seja, longe de um ruído desinformado, havia uma discussão técnica em curso.
Foi nesse contexto que PVC afirmou que o assunto já não estava mais sendo tratado seriamente, restringindo-se, segundo ele, a “influenciadores do gueto”. A escolha das palavras deslocou o debate do campo técnico para o simbólico. Historicamente, o termo “gueto” está associado a processos de segregação social, econômica e étnica, carregando uma memória ligada à exclusão. Seu uso não é automaticamente ofensivo, mas torna-se problemático quando empregado para inferiorizar grupos ou deslegitimar vozes.
No caso, a expressão foi utilizada de maneira pejorativa, com o objetivo claro de esvaziar a legitimidade de quem seguia questionando o procedimento do VAR. Não se tratou de análise sociológica nem de contextualização histórica, mas de um rótulo destinado a desqualificar interlocutores e reduzir o debate a um suposto submundo da internet.
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A crítica ganha ainda mais peso pelo histórico de posicionamentos do próprio PVC. Ao longo dos anos, o jornalista frequentemente se colocou como defensor das estruturas institucionais do futebol brasileiro, da CBF aos modelos de liga, adotando uma postura de confiança no sistema mesmo diante de falhas recorrentes. Nesse episódio, ao invés de cobrar rigor na aplicação das regras, preferiu minimizar a discussão e atacar quem a mantinha viva.
É importante frisar que a maior parte das análises não questionava se houve ou não agressão, tampouco se a expulsão seria cabível. O cerne sempre foi o procedimento. Protocolos existem para garantir transparência, previsibilidade e justiça. Quando são relativizados ou tratados como detalhe menor, abre-se espaço para insegurança e descrédito.
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Ao recorrer a um termo carregado de estigma, PVC não apenas enfraqueceu seu argumento como também expôs uma postura que se distancia do papel histórico do jornalismo esportivo: tensionar o poder, questionar métodos e proteger o debate público. A crítica, nesse caso, não veio pela discordância técnica, mas pela tentativa de silenciamento simbólico.
O episódio evidencia um problema maior. Quando faltam argumentos, parte-se para a desqualificação pessoal. E quando isso vem de alguém com alcance e credibilidade acumulada, o dano extrapola a polêmica pontual. O debate sobre o VAR segue legítimo, necessário e aberto. O que se mostrou esgotado foi a disposição de dialogar com ele de forma honesta.
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