PVC erra sobre reforma tributária, SAFs e Flamengo ao misturar impostos, subsídios e interesses políticos

PVC erra sobre reforma tributária, SAFs e Flamengo ao misturar impostos, subsídios e interesses políticos
Imagem: Reprodução/UOL

O comentarista Paulo Vinícius Coelho voltou ao centro do debate ao tratar da reforma tributária e dos impactos no futebol brasileiro. O episódio ocorreu nesta segunda (9), durante participação no programa De Primeira, quando PVC abordou a posição do Flamengo sobre a tributação dos clubes associativos. O problema não foi a discordância, mas a forma. Ao misturar conceitos distintos, criar analogias frágeis e ignorar dados centrais do debate, o comentarista acabou reforçando uma narrativa que distorce os fatos e transforma o clube em vilão de um problema estrutural que atinge todo o futebol.


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A discussão gira em torno dos vetos feitos pelo Executivo na reforma tributária, que criam um cenário no qual clubes associativos podem passar a pagar mais impostos do que as SAFs. Hoje, a estimativa apresentada é de uma carga próxima a 15,6%, enquanto o modelo SAF permanece com vantagens fiscais. Ainda existe a possibilidade de derrubada desses vetos no Congresso, portanto o tema está longe de ser definitivo. É justamente nesse ponto que o Flamengo se posiciona: alerta para os impactos, aponta o desequilíbrio e cobra previsibilidade para planejar o futuro.

Ao comentar o assunto, PVC recorreu a uma comparação com o imposto de renda de pessoas físicas, citando a isenção para quem ganha até cinco mil reais. A analogia não se sustenta. A mudança no imposto de renda trata de justiça fiscal individual. A reforma tributária no futebol cria assimetrias entre modelos jurídicos distintos. Uma coisa não explica a outra. Ao misturar os temas, o debate se perde e o público é induzido a conclusões erradas.

Outro ponto sensível foi a insistência na ideia de que o Flamengo estaria pedindo subsídios para esportes olímpicos. Isso não corresponde à realidade. O clube não reivindica subsídio algum. O que a diretoria afirma, de maneira direta, é que, caso a carga tributária aumente sem correções, será necessário cortar gastos. Historicamente, sempre que o Fla enfrentou momentos de ajuste financeiro, os esportes olímpicos foram os mais afetados. Foi assim nos anos finais da gestão Márcio Braga, quando virou símbolo com a frase “acabou o dinheiro” e se repetiu no início da era Bandeira de Mello, com dispensas e encerramento de projetos.

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Trata-se de uma decisão administrativa dura, discutível, impopular, mas honesta. O clube opta por preservar o futebol, principal fonte de receita e sustentação institucional. Transformar isso em pedido de subsídio é desinformar.

Há ainda um silêncio conveniente sobre o lobby existente em Brasília. Empresas ligadas à FFU atuam para ampliar vantagens das SAFs, pressionando por um ambiente em que clubes associativos fiquem em desvantagem. Quanto mais inviável o modelo tradicional, maior a chance de conversão em SAF, beneficiando quem já opera nesse mercado. Negar esse lobby enquanto acusa o Flamengo de egoísmo revela uma escolha editorial clara.

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O debate também escancara contradições. Defender que “a lei é essa e deve ser aceita” ignora o próprio funcionamento do processo legislativo. Leis são alteradas o tempo todo. A recente mudança no imposto de renda é prova disso. Deputados existem para discutir, emendar e corrigir distorções. Questionar não é crime, é democracia.

Ao final, o que se vê é um discurso pouco rigoroso, que mistura temas, omite interesses e reforça estigmas. Não se trata de defender o Flamengo cegamente, mas de exigir seriedade no debate público. Quando a análise se perde em analogias rasas e conceitos trocados, o jornalismo esportivo deixa de informar e passa a confundir.

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