PVC repete fake news sobre o Maracanã e ignora informações sobre drenagem e gramado

PVC repete fake news sobre o Maracanã e ignora informações sobre drenagem e gramado
Fotos: Reprodução/UOL e Gilvan de Souza/Flamengo

O comentarista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, voltou a colocar o Maracanã no centro de uma polêmica ao afirmar, mais uma vez, que o estádio não possui sistema de drenagem. A declaração foi feita quatro dias após o clássico entre Flamengo e Fluminense, disputado sob forte chuva no Rio de Janeiro, e contraria dados técnicos, registros climáticos e o próprio desenrolar da partida. Não se trata de uma divergência de opinião, mas da repetição de uma informação que não corresponde aos fatos.


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A fala não é nova. Já havia sido feita anteriormente, já havia sido contestada e esclarecida com base em informações colhidas junto à administração do estádio e a profissionais que lidam diariamente com o gramado do Maracanã. Ainda assim, PVC voltou ao tema, insistindo em uma narrativa que ignora contexto, números e o funcionamento básico de um equipamento esportivo de padrão internacional.

No domingo (25) do Fla-Flu, o Rio de Janeiro registrou um volume de chuva fora da normalidade. Em apenas 15 minutos, caíram cerca de 35 milímetros de água na região do estádio. É um índice elevado para qualquer cidade, especialmente para um espaço aberto com gramado natural já submetido a dias consecutivos de solo encharcado. O jogo precisou ser paralisado por aproximadamente 40 minutos, período em que a drenagem atuava de forma contínua enquanto funcionários auxiliavam na retirada do excesso superficial.

Se o Maracanã não tivesse drenagem, como afirmou o comentarista, a bola simplesmente não teria voltado a rolar naquela noite. Não por decisão da arbitragem, mas por impossibilidade prática. A água não escoaria, o campo permaneceria impraticável e a partida seria encerrada. Não foi o que aconteceu. O jogo foi retomado e terminou normalmente, com limitações pontuais nas áreas mais castigadas, algo comum em qualquer estádio do mundo submetido a situação semelhante.

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O que é nota de gramado e o que ela não é

Outro ponto que parece sistematicamente ignorado no debate é o conceito de avaliação técnica de gramados. O Maracanã foi apresentado no início da temporada como um campo com projeção de nota 4, em uma escala que vai de 1 a 5, segundo parâmetros internacionais. Essa nota não é permanente, não é um selo vitalício e tampouco funciona como garantia imutável de performance.

Avaliações desse tipo levam em conta condições climáticas, desgaste por uso, manutenção recente e o período do ano. No Rio de Janeiro, calor intenso, chuvas de verão e sequência de jogos tornam esse equilíbrio ainda mais delicado. O próprio Flamengo foi transparente ao tratar do tema, reconhecendo limitações, apresentando metas intermediárias e projetando alcançar o nível máximo apenas nos próximos anos.

Transformar essa franqueza em argumento contra o clube ou contra o estádio é inverter a lógica. Não há escândalo em admitir que o gramado não é perfeito. Escandaloso seria fingir que não há problema algum, algo que historicamente sempre foi criticado no futebol brasileiro.

O silêncio seletivo e a comparação conveniente

Causa estranheza que a crítica reiterada ao Maracanã não venha acompanhada do mesmo rigor quando o assunto são gramados sintéticos ou situações recentes envolvendo campos artificiais em competições de base. Episódios em que atletas relataram queimaduras nos pés, por exemplo, passaram praticamente sem análise mais profunda por parte de quem se mostra tão preocupado com a qualidade do piso no Rio.

Quando o debate envolve grama natural, a cobrança é absoluta. Quando envolve gramados sintéticos, a abordagem costuma ser relativizada, colocada sempre em comparação com campos ruins, irregulares ou mal cuidados. A discussão, porém, nunca foi essa. Ninguém defende gramados naturais esburacados ou maltratados. O que se questiona é a adoção de soluções que também apresentam riscos e impactos esportivos claros.

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Informação técnica não é opinião

O problema central não está na crítica ao Maracanã. Críticas são legítimas, necessárias e fazem parte do jornalismo esportivo. O problema está em repetir uma informação sabidamente incorreta, mesmo após esclarecimentos públicos, dados objetivos e evidências visuais do funcionamento do sistema de drenagem.

Quando um comentarista com grande alcance insiste nesse tipo de afirmação, o efeito não é debate, mas desinformação. E desinformação, especialmente quando reiterada, deixa de ser erro e passa a ser escolha editorial.

Se havia dúvida, bastava um contato com a administração do estádio. Se faltava informação, ela estava disponível. Optar por não buscar esses dados e manter a mesma versão diz muito mais sobre o método do que sobre o Maracanã.

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