Reforma tributária pode elevar impostos de jogadores e mudar negociações no futebol brasileiro

Reforma tributária pode elevar impostos de jogadores e mudar negociações no futebol brasileiro
Foto: Adriano Fontes/Flamengo

A aprovação das novas regras da reforma tributária no Brasil passou a provocar efeitos imediatos no planejamento financeiro de atletas profissionais e na política de contratações dos clubes. O tema ganhou corpo após análises publicadas no site Máquina do Esporte, a partir de entrevista conduzida pela gestora esportiva Ana Tereza Ratti com advogados tributaristas especializados no setor. O alerta é direto: a mudança no sistema fiscal pode elevar significativamente a carga sobre receitas ligadas a direitos de imagem, publicidade e exploração comercial da marca pessoal, alterando a lógica econômica que sustenta o futebol brasileiro há décadas.


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O modelo híbrido sob pressão

Historicamente, a remuneração de jogadores no país foi estruturada por meio de contratos híbridos. Parte do ganho é registrada como salário formal, sujeito a encargos trabalhistas tradicionais, enquanto outra parcela significativa é vinculada a direitos de imagem e acordos comerciais organizados por pessoas jurídicas. Esse arranjo permitiu eficiência tributária e previsibilidade nas negociações, criando uma espécie de consenso informal entre clubes, empresários e atletas.

Com a reforma, esse equilíbrio tende a ser revisto. Segundo os tributaristas Rodrigo Terra e Fábio Cata Preta, estruturas que hoje operam com incidência próxima de um dígito percentual podem enfrentar tributação na casa de 28% ou 29% após a consolidação do novo sistema. O impacto não se limita ao contracheque. Ele modifica a base de cálculo usada em renovações contratuais, transferências e estratégias de carreira.

Carreira curta, decisões de longo prazo

No futebol de alto rendimento, a geração de renda relevante costuma se concentrar em um intervalo de dez a quinze anos. Qualquer alteração estrutural na legislação fiscal durante esse período pode redefinir trajetórias inteiras. Especialistas apontam que contratos firmados sob determinadas premissas tributárias podem se tornar desvantajosos sem cláusulas de adaptação, transferindo o risco diretamente ao atleta.

Esse cenário tende a influenciar também o comportamento do mercado. Jogadores passaram a exigir remuneração líquida, repassando aos clubes o custo total da tributação. Em cifras elevadas, a diferença é substancial. Um salário negociado em valores “livres de impostos” pode representar acréscimos milionários no orçamento anual das equipes, restringindo contratações e elevando a pressão sobre departamentos financeiros.

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O efeito nos clubes e o papel de protagonistas econômicos

Equipes com maior capacidade de investimento, como Flamengo e Palmeiras, tendem a absorver melhor esse choque inicial. Ainda assim, a mudança altera a lógica competitiva, sobretudo em negociações envolvendo atletas de elite. A prática de inflar contratos para compensar encargos pode tornar o mercado mais seletivo, reduzir mobilidade e antecipar decisões como transferências internacionais ou aposentadorias precoces.

A discussão extrapola o futebol. Modalidades como basquete, ginástica e esportes olímpicos também dependem de receitas de imagem e patrocínio organizadas em estruturas semelhantes. Nesse ecossistema, a reforma tributária funciona como catalisador de um processo de profissionalização que vinha ocorrendo de forma desigual.

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Silêncio institucional e cobrança por orientação

Apesar da dimensão do impacto potencial, entidades de representação dos atletas ainda não protagonizaram o debate público com a intensidade esperada. A ausência de posicionamentos mais firmes levanta questionamentos sobre o suporte oferecido aos profissionais em um momento de transição regulatória. Especialistas defendem que sindicatos e associações deveriam liderar campanhas de orientação, promovendo revisão contratual e planejamento patrimonial.

A reforma, nesse contexto, expõe uma contradição antiga do esporte brasileiro. Enquanto clubes e ligas discutem receitas bilionárias e expansão internacional, muitos atletas seguem tomando decisões financeiras de forma reativa. O novo cenário fiscal pode separar carreiras estruturadas de histórias marcadas por perdas evitáveis, transformando o tema tributário em variável decisiva para a longevidade competitiva.

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