Relembre quando o Conselho do Flamengo interviu na aplicação de patrocínios; time vai jogar com camisa que não foi aprovada

O Flamengo vai estrear nesta quarta (13), em jogo contra o Athletico, o seu novo terceiro uniforme. A camisa foi divulgada na semana passada e trouxe detalhes que não foram aprovados pelo Conselho Deliberativo. A faixa vermelha e as cores dos patrocinadores, não passaram pelo escrutínio dos Conselheiros. Segundo o UOL, “o Clube entende que o Conselho aprovou o modelo da camisa, com as cores e escudo. Entretanto, as cores do patrocínio e número não foram postas em pauta e definidos depois”. Não foi bem assim e casos anteriores comprovam isso.


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Sobre a aprovação do atual uniforme, a Adidas apresentou ao plenário do Conselho a camisa completa, exceto nome e número, porém, um funcionário dava detalhes da fonte (a mesma utilizada pelas Seleções patrocinadas pela empresa na Copa do Mundo) e cor. A reunião aconteceu em junho de 2022. A peça não tinha a faixa vermelha e os patrocinadores estavam aplicados em vermelho. Foi o mesmo procedimento adotado há décadas. A Comissão de Uniforme deu o seu parecer com todos esses detalhes.

Quando a peça é apresentada ao Deliberativo, ela é aprovada ou não na sua integralidade, tendo o parecer da Comissão de Uniforme, que traz todos os detalhes de design, tamanho, cor e aplicação de patrocínios, como embasamento aos presentes. Ou seja, não há uma “meia aprovação”. Confira quando o Conselho interveio para corrigir aplicações de patrocinadores e camisas.

1995 – Camisa em homenagem ao centenário do Flamengo

Camisa que a Umbro teve que recolher em 1995

Em 1995, a Umbro criou uma camisa azul, Rubro-Negro e ouro, para ser utilizada em amistosos. Era a primeira vez que as cores da fundação do clube vinham num uniforme do futebol. O Conselho Deliberativo rejeitou e a empresa inglesa teve que recolher todas as peças que já eram vendidas nas lojas.

2016 – Aprovação para aplicação de patrocínio fora dos padrões do manual de propaganda

Em junho de 2016, a diretoria do Flamengo fechou patrocínios com o Ifood e com a marca de isqueiros Clipper. Os contratos eram de curta duração e os valores não precisavam passar por aprovação do Conselho Deliberativo. Mesmo assim, os conselheiros foram convocados para votarem a aplicação no Manto Sagrado da logo da empresa de entrega, que estava fora do que exige o Manual de Propaganda nos Uniformes do Flamengo. Detalhe de centímetros, mas que para estar em conformidade, precisou passar pelos trâmites internos.

2016 – Homenagem a Chapecoense no Manto Sagrado

Para homenagear a Chapecoense, equipe que havia perdido atletas, funcionários e jornalistas que viajavam no avião com a delegação para Colômbia, o Flamengo, assim como outros clubes brasileiros, resolveu colocar o escudo da equipe de Chapecó no Manto. A ação, mesmo que uma homenagem, causou polêmica interna, pois o Manual exigia a aprovação e o seu não cumprimento previa sanções. O Conselho Deliberativo, presidido por Rodrigo Dunshee na época, convocou os conselheiros e aprovou a aplicação.

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2018 – Cor da logo da fornecedora na segunda camisa

Camisa que o Conselho teve que aprovar alterações em 2018

Em 2017, o Conselho Deliberativo aprovou o uniforme dois para a temporada de 2018. A camisa lançada trazia um branco envelhecido, homenagem ao urubu, e detalhes em vermelho nas listras da fornecedora e seu logotipo. Porém, após a produção do material e a dias da estreia, foi percebido que a cor da logo da adidas aprovado pelos conselheiros era preto.

Rodrigo Dunshee convocou o Conselho para o dia 11 de maio daquele ano e foi aprovada a alteração da cor, que passou a ser vermelho, conforme o produzido. A camisa começou a ser vendida no dia 25 e estreou no dia 31, em partida contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro. Na reunião, a adidas se justificou, pediu desculpas aos conselheiros e agradeceu por livrar a empresa de um prejuízo milionário, caso tivesse que descartar as peças que já estava sendo distribuídas nas lojas e produzir todo material novamente.

Manual de Padronização de Propaganda nos Uniformes do Clube de Regatas do Flamengo

Em 31 de dezembro de 2009, a direção do Flamengo anunciou um acordo de patrocínio master com a Batavo. O contrato foi aprovado pelo Conselho Deliberativo em 27 janeiro de 2010. Em 19 de fevereiro, a Olympikus e o Flamengo apresentaram os novos uniformes para a temporada e a aplicação do patrocínio da empresa de produtos alimentícios passou a fazer parte de debates internos e externos. Vale lembrar que na época, a camisa não era vendida sem os patrocinadores.

Na ocasião, o Conselho Deliberativo já contava com a Comissão Provisória de Uniforme, criada em 2004, por Sérgio Veiga Brito, mas ainda não tinha um manual que padronizasse a aplicação de patrocínios. Em 2011, a camisa do Flamengo teve diversas versões ao longo do ano. Para acabar com isso, em outubro do mesmo ano, foi nomeada uma comissão especial para elaboração do texto. Em 2013, ele foi aprovado.

O manual traz em detalhes o que é “Propaganda”, “Propaganda Especial”, “Uniforme” e “Material complementar ao uniforme”, das cores e aplicações — cabe ressaltar que aplicação em vermelho dos patrocinadores na nova terceira camisa (aprovada no Conselho), bem como o prata (aplicação não aprovada), já não está em conformidade com o manual, mas o Conselho tem atribuição para aprovar essa aplicação fora do que o texto entende como padrão. Tudo é muito detalhado com cada espaço e medida. Vale dizer que o uniforme que o Conselho Deliberativo aprova é o mesmo que os jogadores tem que utilizar nos jogos.

É bom ressaltar que, como qualquer comissão, sendo permanente ou provisória, eles não têm poder de aprovação, pois funcionam como uma assessoria ao Conselho Deliberativo.

Questionamentos na reunião do Conselho Deliberativo

Na reunião do Conselho Deliberativo desta segunda (11), houve questionamentos sobre a nova camisa estar diferente da que foi aprovada. Gustavo de Oliveira, vice-presidente de Marketing e Comunicação, respondeu que a sugestão partiu da Comissão Permanente de Estatuto, que Landim queria algo Rubro-Negro no uniforme e que a faixa foi a alternativa encontrada. Antonio Alcides, presidente do CoDe, não falou nada sobre o assunto.

É certo que o clube vai entrar em campo na próxima quarta (13), em Cariacica, para enfrentar o Athletico, pelo Campeonato Brasileiro, com o uniforme que não foi aprovado pelo Conselho Deliberativo.

Por Tulio Rodrigues (@PoetaTulio)

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Tulio Rodrigues