A briga contra o rebaixamento ainda não terminou, e nem terminará até o fim do campeonato. É necessário que cada rubro-negro se conscientize disso. Jayme também sabe disso, mais do que nós, inclusive. Mas sabe que o jogo que teremos na quarta-feira é bem mais importante que o de hoje.
Em virtude da decisão que teremos esta semana pela Copa do Brasil, ante o Botafogo, Jayme mandou um Flamengo bastante diferente. Fugiu bem às suas próprias características, mas tinha de ser assim mesmo. O momento pediu. Felipe; Digão, González, Wallace e Frauches; Amaral, Val, Luiz Antônio, Carlos Eduardo e Gabriel; Hernane. Ficaram de fora Léo Moura, Chicão, João Paulo, Elias, André Santos, Paulinho e o entrosamento que esse time já vem adquirindo. Talvez, se a situação do Flamengo se equivalesse à do Vasco na tabela de classificação, Jayme iria para esse jogo com o cérebro em processo de fritura.
A situação do Flamengo já explicada pouco difere da do Atlético-MG, que foi a campo praticamente da mesma forma: bem desfalcado. As duas equipes sabiam que a raça iria ter de prevalecer, já que o entrosamento iria pesar durante todo o jogo.
Flamengo e Atlético começaram timidamente, se estudando e buscando formas de furar seus próprios bloqueios e driblar as dificuldades impostas a si. Demoraram, mas soltaram-se e foram buscar o resultado. Porém, o futebol reserva muitas vezes a sacanagem, ou, diria melhor, a punição. No momento em que o Flamengo vinha melhor — Carlos Eduardo funcionava trocando de posição, Gabriel enfim jogando bem, Val se arriscando no ataque (pois é), as jogadas, tabelas e dribles encaixando-se — tomou a tal “ducha de água fria”.
O menino Lucas Cândido interrompeu um contra-ataque do Flamengo e, lá, quase do meio-campo, soltou uma bomba. Meio sem pretensão, talvez, mas ela caiu no ângulo de Felipe. Golaço! Merecido? Talvez pela partida que o garoto vinha fazendo, mas, pelo coletivo do Atlético no momento do gol, sem chance. E esse é o futebol: ingrato e que muitas vezes premia quem não consegue sair do sufoco.
O Flamengo não vence o Atlético-MG em Minas desde 2009, quando fomos campeões brasileiros, num dia em que Pet fez mais um olímpico de sua carreira e Adriano ainda jogava futebol. Que Deus o tenha — falo do Adriano mesmo. A vitória lá não vem desde 2009 e o tabu persiste. Mas, sem problemas. Paramos nos 40 pontos e deixamos para o próximo domingo, contra a Portuguesa, a tentativa de subir aos 43 pontos. A pontuação remete a algo bom, e espero que isso nos traga sorte.
Deixo aqui, com alegria, minha saudação à atitude dos jogadores de Atlético e Flamengo pela mini-reunião feita minutos antes da partida. Jogadores de ambos os times enfileirados e fazendo uma corrente, discutindo algo, e em paz, até porque é disso que o futebol precisa. Não só ele, como a vida. E que quarta à noite eu venha aqui para falar de nossa classificação à semi da Copa do Brasil 2013.
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