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100 mil camisas da Betano podem representar quase R$ 20 milhões de prejuízo no Flamengo

100 mil camisas da Betano podem representar quase R$ 20 milhões de prejuízo no Flamengo

Imagem: Divulgação / Adidas

O fim das apostas de quota fixa no Brasil abriu uma nova frente de impacto financeiro para o Flamengo. Além da perda de receitas de patrocínio e de outros contratos ligados às bets, o clube passou a enfrentar um problema concreto no varejo: aproximadamente 100 mil camisas produzidas pela Adidas com a marca Betano ficaram comprometidas após a Medida Provisória publicada pelo governo federal em 25 de setembro. Uma conta baseada no valor de R$ 198 por peça coloca o tamanho potencial desse estoque próximo de R$ 19,8 milhões, embora esse montante não tenha sido divulgado oficialmente pelo Flamengo como prejuízo.


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A existência das 100 mil camisas foi revelada pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL. Segundo a informação, trata-se de uma estimativa inicial do próprio Flamengo sobre peças produzidas pela Adidas com a estampa da Betano que não poderiam ser comercializadas nas condições anteriores. O clube também deixaria de receber os royalties relacionados à venda desses produtos.

É justamente nesse ponto que surge a conta de quase R$ 20 milhões. Considerando 100 mil camisas e um valor de R$ 198 por unidade, chega-se a R$ 19,8 milhões. O número, porém, precisa ser tratado como uma estimativa sobre o valor das peças envolvidas, e não como uma perda contábil já reconhecida pelo Flamengo. Também não está estabelecido publicamente que o clube seria responsável por absorver sozinho todo o valor desse estoque.

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A diferença é importante. Uma coisa é calcular quanto representam 100 mil produtos a R$ 198. Outra é afirmar que o Flamengo perdeu R$ 19,8 milhões. O valor efetivamente perdido pelo clube dependeria do destino das camisas, da responsabilidade contratual entre Flamengo, Adidas e varejistas, de eventuais descontos ou reaproveitamento das peças e, principalmente, das receitas que deixariam de ser geradas pela comercialização.

O problema nasceu de uma característica específica do acordo com a Betano. O contrato de patrocínio master não se limitava à exposição da marca no uniforme dos jogadores. Havia também uma frente comercial relacionada às camisas vendidas ao torcedor. O acordo previa R$ 10 milhões caso fossem alcançadas 400 mil unidades comercializadas com a marca da patrocinadora, além de R$ 10 por camisa vendida acima desse patamar.

Isso transforma o estoque em uma questão que vai além da simples existência de produtos parados. Cada camisa que deixa de chegar ao consumidor pode representar uma receita que não se concretiza, além dos royalties previstos na relação comercial. O próprio levantamento divulgado pelo UOL cita essa perda de royalties ao tratar das 100 mil peças.

A situação ganhou dimensão maior porque a aplicação da marca Betano já fazia parte da produção de determinadas camisas destinadas ao torcedor. O produto não era apenas uma camisa de jogo com a publicidade estampada para ser utilizada pelos atletas. A marca também estava incorporada a peças destinadas ao mercado consumidor, fazendo com que a mudança regulatória atingisse uma cadeia que já havia produzido parte do material.

A Medida Provisória assinada em 25 de setembro proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A publicidade nova foi proibida imediatamente, enquanto peças físicas e contratos publicitários já existentes tiveram prazo de transição até 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos das casas de apostas atingidas pela medida também deveriam sair do ar.

No caso das camisas, portanto, o problema não é simplesmente retirar uma propaganda de uma peça que ainda será fabricada. Parte do material já foi produzida. A marca está incorporada ao produto, e a solução para essas unidades passa a depender das alternativas comerciais e contratuais disponíveis.

O impacto das camisas, isoladamente, é muito menor que a principal perda projetada pelo Flamengo. O clube estima um impacto anual de aproximadamente R$ 400 milhões com o fim das bets. A maior parcela está relacionada ao contrato com a Betano, estimado em cerca de R$ 268 milhões por ano. Também entram nessa conta outros contratos e propriedades comerciais ligados ao mercado de apostas.

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Mas as 100 mil camisas têm uma característica diferente. Elas materializam o problema. Enquanto contratos interrompidos representam receitas futuras que deixam de existir, o estoque representa produtos que já foram fabricados, incorporaram a marca de uma patrocinadora e agora precisam encontrar uma saída comercial diante de uma mudança regulatória.

É por isso que a conta de quase R$ 20 milhões chama atenção. Se as 100 mil unidades fossem avaliadas a R$ 198 cada, haveria R$ 19,8 milhões em produtos envolvidos nessa equação. Não significa que esse seja o prejuízo líquido do Flamengo, mas dimensiona o tamanho do estoque que entrou no centro da discussão.

Também há uma questão contratual. O acordo entre Flamengo e Betano foi aprovado pelo Conselho Deliberativo em agosto de 2025 e prevê a presença da marca em propriedades do clube até dezembro de 2028. A mudança provocada pela MP, porém, criou uma situação que não estava prevista no funcionamento normal do contrato: produtos já fabricados passaram a carregar uma marca cuja publicidade foi alcançada por uma nova regra.

O Flamengo agora precisa lidar com duas contas diferentes. De um lado, existe a perda de receitas futuras decorrente do fim dos contratos com empresas de apostas. De outro, há o impacto imediato sobre produtos e operações que já estavam em andamento. As 100 mil camisas se encaixam justamente nessa segunda categoria.

O valor de R$ 19,8 milhões deve, portanto, ser tratado com precisão: é uma estimativa matemática para o valor de 100 mil camisas a R$ 198 por unidade, e não um número oficial apresentado pelo clube como prejuízo. O dado confirmado pelo Flamengo, segundo a apuração publicada, é a existência de um estoque estimado em 100 mil peças e a perda dos royalties que seriam obtidos com essas vendas.

No meio de uma crise comercial que pode retirar cerca de R$ 400 milhões anuais das receitas projetadas, o episódio das camisas mostra uma consequência particularmente concreta do fim das bets. Não se trata apenas de uma linha que desaparece do orçamento. Há produtos que já saíram da fábrica, carregam uma marca que perdeu espaço legal para publicidade e agora precisam encontrar um destino. E, nessa conta, quase R$ 20 milhões em camisas ajudam a dimensionar o tamanho do problema.

Bets deixam TVs e Flamengo enfrenta estoque de 100 mil camisas da Betano

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