O Flamengo acrescentará neste domingo (16) um novo capítulo à história de seus uniformes alternativos. Contra o Mirassol, às 18h30, no estádio Maião, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, o clube vai estrear em campo o terceiro Manto de 2026, lançado no fim de julho pela adidas. Considerando o levantamento histórico dos modelos tratados oficialmente como terceira camisa desde 1995, esta será a 20ª versão de uma trajetória marcada por experiências visuais, homenagens às origens, referências ao Rio de Janeiro e peças que acabaram lembradas tanto pelos resultados quanto pelo desenho.
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O levantamento considera 20 terceiros uniformes lançados entre 1995 e 2026. As estatísticas de utilização das 19 camisas anteriores, partidas disputadas, vitórias, empates e derrotas, foram compiladas a partir do acervo do Fla Estatística, enquanto o modelo de 2026 ainda chegará ao primeiro jogo oficial neste domingo.
Antes da estreia da nova peça, os outros 19 modelos acumulam 82 partidas, com 29 vitórias, 21 empates e 32 derrotas, de acordo com os dados históricos reunidos pelo site Fla Estatística, utilizado como referência para os números de jogos, triunfos, empates e reveses de cada terceiro uniforme. A camisa mais utilizada foi a rubro-negra ondulada de 2022, presente em 11 partidas. No extremo oposto está o modelo de 2008, dividido horizontalmente entre vermelho e preto, que entrou em campo uma única vez. Em números absolutos, 2015 e 2022 dividem a liderança de vitórias, com cinco cada; a Papagaio de Vintém de 1995 possui o maior número de derrotas, também cinco, e lidera ainda em empates, com quatro.
A estreia em 1995 e a fama de camisa “azarada”
A história moderna dos terceiros uniformes começou no centenário. Em 1995, a Umbro recuperou o desenho da Papagaio de Vintém, com quatro grandes quadrados alternados em vermelho e preto, mas adaptou o conceito original aos elementos comerciais daquele período, acrescentando patrocínio e o escudo do
remo. O problema estava no campo: foram nove partidas, quatro empates e cinco derrotas, sem uma única vitória, desempenho que ajudou a criar a fama de camisa “azarada”.
Quatro anos depois, a fornecedora voltou a experimentar. A camisa preta de 1999 teve trajetória oposta: duas utilizações e duas vitórias por 1 a 0, sobre Grêmio e Fluminense. Pouco usada, acabou aposentada mesmo mantendo aproveitamento perfeito.
A Nike apresentou em 2001 um uniforme predominantemente vermelho, com detalhes pretos. Foi utilizado seis vezes entre 2001 e 2003, somando uma vitória, um empate e quatro derrotas. Em 2008, a empresa apostou numa composição dividida entre as duas cores tradicionais; a experiência durou apenas o empate sem gols com o Madureira pelo Campeonato Carioca.
Azul, ouro e novas experiências antes da adidas
A Olympikus também procurou fugir dos códigos tradicionais. Em 2010, lançou a camisa de listras azuis e amarelas, referência às primeiras cores do Flamengo, com uma bandeira histórica na parte inferior. Foram somente dois jogos: empate com o Vitória e derrota para o Corinthians.
No ano seguinte, a marca adotou o preto como base e colocou uma faixa vermelha horizontal na altura do peito. A estreia ficou marcada pela goleada sofrida para a Universidad de Chile por 4 a 0 na Copa Sul-Americana, e os números não melhoraram: três partidas e três derrotas.
Adidas transforma o Manto 3 em laboratório criativo
A volta da adidas, em 2013, iniciou o período mais contínuo de lançamentos alternativos. O primeiro terceiro uniforme da nova parceria foi preto, com grafismos vermelhos inspirados em referências da paisagem carioca, como Pão de Açúcar, Corcovado e Lagoa Rodrigo de Freitas. Teve três partidas, uma vitória e dois empates, permanecendo invicto.
Em 2014 apareceu a Flamengueira, predominantemente vermelha e inspirada na Acalypha wilkesiana, planta tropical de tonalidades rubro-negras. O conceito ganhou campanha própria e terminou com quatro utilizações, uma vitória, dois empates e uma derrota. Um ano depois, a adidas recuperou novamente a Papagaio de Vintém, desta vez associada aos 450 anos do Rio de Janeiro. O modelo de 2015 teve desempenho muito superior ao antecessor de 1995: cinco vitórias em sete partidas, além de duas derrotas.
Em 2016, voltou o preto, acompanhado por detalhes vermelhos e um conjunto integrado ao calção. Foram cinco partidas, com duas vitórias, dois empates e uma derrota. No ano seguinte, um uniforme amarelo com detalhes azuis recuperou novamente as cores históricas e trouxe uma novidade: o desenho nasceu de concurso promovido pela adidas e vencido por um torcedor. A camisa de 2017 entrou em campo oito vezes, venceu três, empatou uma e perdeu quatro.
A versão azul de 2018, produzida com material relacionado à reciclagem de plásticos retirados do oceano, foi usada apenas duas vezes, com empate e derrota. Em 2019, o cinza-chumbo com elementos em verde fluorescente dividiu seus dois jogos entre uma vitória e um revés.
Preto vira recorrente e 2022 quebra o recorde de utilização
O preto retornou em 2020, acompanhado por finas linhas vermelhas na parte inferior. O desempenho foi positivo: duas vitórias e dois empates em quatro partidas, sem derrotas. Em 2021, o terceiro Manto homenageou os 40 anos do Mundial conquistado no Japão e combinou preto, dourado, vermelho e grafismos de origami do urubu. Foram três jogos e três triunfos, outro modelo com 100% de aproveitamento.
A camisa de 2022 rompeu novamente com o padrão preto. Vermelha, com listras escuras em ondas que simbolizavam o movimento das bandeiras da torcida, tornou-se a terceira camisa mais utilizada da história, com 11 aparições. Foram cinco vitórias, dois empates e quatro derrotas entre agosto de 2022 e agosto de 2023.
O modelo de 2023 recuperou o preto, adotou uma tarja vermelha no peito e trouxe o escudo náutico em acabamento iridescente. Foi utilizado quatro vezes, com duas vitórias e duas derrotas. Na sequência, a peça lançada em 2024 apostou em tons escuros e grafismos que remetiam a diamantes prateados, terminando sua passagem com uma vitória, um empate e uma derrota em três jogos.
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Em 2025, a adidas Originals assumiu protagonismo no terceiro Manto com uma camisa predominantemente off-white, detalhes dourados e referências diretas à origem náutica do clube. A textura simulava o movimento dos remos na água, enquanto uma versão histórica do escudo ocupava o peito. Em campo, porém, o desempenho foi ruim: três partidas, um empate e duas derrotas.
A edição de 2026 mantém a ligação com o remo, mas troca completamente a linguagem visual. Lançado em 31 de julho sob o conceito “Segue o Mengo”, o uniforme é predominantemente vermelho em tonalidade mais clara, possui grafismos formados pelo escudo náutico em direções opostas, gola branca com detalhes rubro-negros, três listras pretas nos ombros e o Trefoil da adidas Originals no peito. A campanha procura unir performance e lifestyle, tratando a peça também como produto de moda e comportamento.
As versões adultas de torcedor foram lançadas por R$ 449,99, enquanto infantil e cropped custam R$ 399,99 e a Authentic chega a R$ 799,99. Na peça utilizada pelos jogadores, escudo e Trefoil são aplicados por calor e a tecnologia empregada é a Climacool+, enquanto o modelo de arquibancada mantém bordados e Climacool convencional.
Quando a bola rolar contra o Mirassol, a 20ª camisa dessa cronologia começará a produzir sua própria estatística. Até aqui, os modelos alternativos do Flamengo contam uma história de contrastes: houve Manto que não venceu nenhuma vez, outros que jamais perderam e um que chegou a 11 utilizações. A edição de 2026 surge com uma ambição comercial muito maior do que as experiências realizadas nos anos 1990, incorporando conceitos de moda, lifestyle e valorização das origens náuticas do clube, submetida à velha regra que molda a memória das camisas de futebol: os jogos, títulos, personagens e resultados associados a ela.
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