Flamengo é o clube mais seguido da América e ocupa 15º lugar no ranking mundial

O Flamengo aparece como o clube de futebol com maior número de seguidores de toda a América e ocupa a 15ª posição mundial em um levantamento do CIES Football Observatory, publicado em maio de 2026 e repercutido nesta semana pelo MKT Esportivo. Somadas as contas oficiais de Facebook, Instagram, TikTok, X e YouTube, o Rubro-Negro alcança 71,6 milhões de seguidores e fica atrás somente de instituições europeias na classificação global, resultado que reforça a dimensão digital da marca e, ao mesmo tempo, evidencia a distância que ainda existe para o grupo mais internacionalizado do futebol.
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O dado coloca o Flamengo à frente de qualquer outro clube fora da Europa. Segundo o próprio CIES, depois do Rubro-Negro aparecem o Al-Nassr, da Arábia Saudita, com 66 milhões, e o Al-Ahly, do Egito, com 60,1 milhões. Portanto, o alcance flamenguista não representa apenas uma liderança brasileira ou sul-americana: dentro dos critérios utilizados pelo estudo, nenhuma instituição das Américas, da Ásia ou da África possui uma base acumulada superior.
O levantamento analisou os perfis oficiais dos clubes nas cinco principais plataformas e utilizou informações atualizadas até maio de 2026. A soma não representa 71,6 milhões de pessoas diferentes, já que um mesmo torcedor pode acompanhar o Flamengo simultaneamente no Instagram, YouTube, X e outras redes. O número mede inscrições acumuladas e, por isso, funciona principalmente como indicador de tamanho da presença digital, não como cálculo de torcida, audiência efetiva ou engajamento.
Flamengo é o primeiro fora da Europa
O topo da classificação mostra como o mercado digital do futebol ainda é dominado pelas grandes marcas europeias. O Real Madrid lidera com 487,6 milhões de seguidores, seguido pelo Barcelona, com 441,8 milhões, e pelo Manchester United, que soma 238,6 milhões. Paris Saint-Germain, Manchester City, Juventus, Liverpool, Bayern de Munique, Chelsea e Arsenal completam o top 10.
Depois aparecem Tottenham, Atlético de Madrid, Milan e Inter de Milão. Somente então surge o Flamengo, fechando as 15 primeiras posições com seus 71,6 milhões. O cenário produz duas leituras diferentes. A primeira é extremamente favorável: o clube brasileiro consegue ocupar espaço em uma relação dominada quase integralmente por equipes que disputam as principais competições europeias e recebem exposição global durante praticamente toda a temporada. A segunda mostra exatamente o tamanho do desafio necessário para transformar predominância continental em presença efetivamente mundial.
O Arsenal, décimo colocado, possuía 114,1 milhões no momento da pesquisa. Portanto, entrar no top 10 não depende apenas do crescimento natural das contas rubro-negras, mas de uma expansão internacional capaz de ocorrer em velocidade superior à dos concorrentes, que também continuam ampliando suas comunidades digitais.
Existe ainda uma diferença fundamental entre ser uma marca gigantesca no Brasil e nas Américas e tornar-se global. Real Madrid, Barcelona, Manchester United e outros integrantes das primeiras posições acumulam fãs em países sem qualquer relação geográfica direta com suas cidades de origem. Décadas de competições internacionais, jogadores mundialmente conhecidos, distribuição televisiva, turnês e estratégias comerciais construíram comunidades espalhadas por diferentes continentes.
O Flamengo possui uma base doméstica que poucos clubes conseguem reproduzir, mas internacionalizar essa força exige continuidade. Não basta disputar ocasionalmente um Mundial ou realizar uma campanha publicitária fora do país. É necessário produzir conteúdo direcionado a novos mercados, adaptar idiomas, aproveitar jogadores estrangeiros, construir parcerias, promover experiências internacionais e manter presença recorrente onde a camisa rubro-negra ainda não faz parte do consumo esportivo cotidiano.
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Corinthians é o segundo brasileiro, mas aparece sete posições atrás
Entre os clubes do país, a diferença também é significativa. O Corinthians ocupa a 22ª posição mundial, com 43,1 milhões de seguidores, enquanto Santos aparece em 32º. Palmeiras é o 36º, São Paulo ocupa o 39º lugar e Vasco surge na 55ª colocação. O Brasil possui 11 representantes entre os 100 primeiros, número que ajuda a demonstrar a relevância de seu mercado digital, embora apenas o Flamengo apareça no grupo dos 20 maiores.
A posição santista merece contexto porque o clube passou por forte expansão recente de suas plataformas, impulsionada especialmente pela presença de Neymar. No primeiro semestre de 2026, o Santos adicionou 1,6 milhão de inscrições e liderou o crescimento entre os grandes clubes brasileiros monitorados pelo IBOPE Repucom, enquanto o Flamengo acrescentou 1,2 milhão no mesmo período.
Crescer mais em determinado intervalo, entretanto, não significa superar uma vantagem construída ao longo de vários anos. É possível liderar a expansão mensal ou semestral e continuar distante no estoque total, da mesma maneira que possuir a maior base não assegura automaticamente o conteúdo mais eficiente ou a melhor monetização.
Por que aparecem 71,6 milhões em um estudo e 67,9 milhões em outro?
Os 71,6 milhões apresentados pelo CIES também precisam ser diferenciados dos aproximadamente 67,9 milhões registrados no Ranking Digital dos Clubes Brasileiros do IBOPE Repucom divulgado posteriormente. O levantamento do CIES utilizou contas oficiais e dados de maio, enquanto o ranking nacional teve coleta em 31 de julho. Mesmo com a data mais recente, o total do IBOPE é inferior, sinal de que os números não podem ser tratados simplesmente como pontos consecutivos de uma mesma série. O estudo de julho apontou o Flamengo na liderança das cinco plataformas analisadas e mostrou crescimento de 371 mil inscrições no mês.
Diferenças na captura dos dados, atualização das plataformas, tratamento de contas e critérios adotados pelos levantamentos podem produzir totais distintos. Portanto, não seria correto concluir que o Flamengo perdeu milhões de seguidores entre maio e julho. O mais seguro é comparar cada clube dentro da metodologia do mesmo estudo e utilizar as pesquisas como retratos independentes da presença digital.
Essa ressalva não modifica a conclusão central do CIES. Na fotografia produzida em maio, o Flamengo era o 15º clube mais seguido do planeta e o primeiro de todo o futebol fora da Europa. Além disso, o próprio estudo mostrou que Instagram e Facebook concentravam 31% cada da audiência acumulada dos clubes analisados, seguidos por TikTok, com 17%, X, com 16%, e YouTube, com 5%.
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Seguidores são ativos, mas não significam influência automática
O tamanho da comunidade digital possui importância comercial evidente. Uma base dessa dimensão amplia inventário para patrocinadores, distribuição de conteúdo, potencial de venda de produtos e capacidade de falar diretamente com milhões de pessoas sem depender exclusivamente da mídia tradicional. Isso ganha ainda mais relevância no momento em que o Flamengo apresenta uma estratégia para organizar sua marca como plataforma permanente de entretenimento, conteúdo, experiências e serviços.
Ao mesmo tempo, seguidores não devem ser confundidos com alcance, visualizações, engajamento ou receita. Um perfil pode reunir milhões de inscrições e entregar menos audiência que outro proporcionalmente menor. A análise mais completa precisa observar consumo dos vídeos, interações, tempo de exibição, frequência de acesso, localização geográfica e capacidade de converter atenção em relacionamento comercial.
Para o Flamengo, portanto, o ranking funciona menos como ponto de chegada do que como dimensão do ativo disponível. Liderar a América e ocupar o 15º lugar mundial mostra uma escala que nenhum outro clube do continente alcançou dentro do levantamento, mas transformar essa vantagem em uma marca verdadeiramente global dependerá de estratégia continuada. O espaço para avançar existe, inclusive em direção ao top 10, porém esse salto exigirá conquistar público fora de seu mercado tradicional sem perder a intensidade da relação construída com a torcida que sustenta sua força no Brasil.
Flamengo chega a 67,9 milhões e lidera as cinco maiores redes sociais
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