O Flamengo ganhou novo destaque na estratégia internacional da adidas ao aparecer em uma campanha global da fornecedora ao lado de alguns dos principais clubes patrocinados pela marca. A presença do Rubro-Negro na comunicação, ao lado de Arrascaeta, reforça o posicionamento do clube como principal representante da adidas na América do Sul dentro da estrutura apresentada pela empresa. O movimento também reacende uma discussão importante: o Flamengo já é tratado como uma marca global ou ainda precisa dar o próximo passo para chegar ao mesmo patamar comercial de Real Madrid, Manchester United, Liverpool, Juventus, Bayern de Munique e Arsenal?
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A nova campanha da adidas utiliza o conceito “Same Love for the Game”, em tradução livre, “o mesmo amor pelo jogo”, e reúne 19 clubes de diferentes mercados. Entre os europeus estão Real Madrid, Juventus, Liverpool, Manchester United e Arsenal. Fora da Europa aparecem River Plate, Boca Juniors, América do México, Inter Miami e Flamengo, representado por Arrascaeta.
A escolha não é apenas estética. Para uma fornecedora esportiva que trabalha com diferentes níveis de exposição e distribuição, estar inserido numa campanha desse porte funciona como uma vitrine internacional. O clube deixa de ser mostrado apenas ao seu público nacional e passa a dividir espaço com propriedades esportivas que possuem alcance comercial em praticamente todos os grandes mercados do futebol.
Flamengo está na elite regional da adidas
O ponto mais importante da estratégia apresentada é a categorização dos clubes. A adidas trabalha com uma espécie de hierarquia comercial que separa seus principais parceiros entre elite global e elite regional. O grupo mais alto reúne seis gigantes: Liverpool, Juventus, Manchester United, Arsenal, Real Madrid e Bayern de Munique.
Logo abaixo aparece a chamada elite regional, na qual estão River Plate, Flamengo, Boca Juniors, Newcastle, Aston Villa, Inter Miami e América do México. O Flamengo, portanto, não está no mesmo nível comercial dos gigantes europeus, mas ocupa uma posição de destaque dentro de uma segunda faixa de parceiros estratégicos.
Essa distinção é importante porque ajuda a separar duas coisas que muitas vezes acabam misturadas no futebol brasileiro: ser um clube enorme no próprio continente e ser uma marca efetivamente global em distribuição, varejo e exposição cotidiana.
O Flamengo é uma potência no Brasil e uma das maiores forças esportivas da América do Sul. A própria presença na elite regional da adidas reconhece esse peso. Porém, globalmente, existe uma diferença relevante na capacidade de circulação comercial.
Uma camisa do Manchester United, do Real Madrid ou do Arsenal pode ser encontrada com relativa facilidade em lojas adidas de diferentes países. Já uma camisa do Flamengo, embora tenha forte demanda na América do Sul, ainda não possui a mesma presença física e recorrência no varejo internacional.
O tratamento diferenciado no lançamento dos Mantos
Essa posição dentro da estrutura da adidas também ajuda a explicar a estratégia de produtos adotada pelo Flamengo. O clube não recebe apenas uma camisa de jogo e encerra a operação. Os lançamentos costumam envolver uma coleção inteira, com versões masculina e feminina, infantil, Authentic, cropped, peças casuais, casacos, shorts e outros produtos associados ao mesmo conceito.
Esse modelo ficou especialmente evidente nos lançamentos recentes da terceira camisa. A coleção de 2025, por exemplo, foi tratada como um dos maiores projetos já desenvolvidos pela parceria Flamengo-adidas, tanto em volume de produtos quanto em investimento de marketing. A estratégia envolveu diferentes peças, ações com influenciadores, produção de conteúdo e campanhas específicas nas redes sociais.
Não se trata apenas de quantidade. Há uma diferença no modo como a marca escolhe apresentar o clube. Flamengo, Cruzeiro e Internacional podem compartilhar o mesmo fornecedor, mas isso não significa que todos recebem o mesmo espaço ou a mesma profundidade de exploração comercial.
O Rubro-Negro é tratado como um ativo de maior relevância regional. Isso aumenta sua exposição, amplia as possibilidades de coleção e cria um ciclo comercial mais sofisticado entre clube, fornecedora e torcedor.
O que falta para o Flamengo ser global?
A classificação atual também deixa uma questão interessante para os próximos anos. O Flamengo pode chegar ao grupo global da adidas?
A resposta depende de fatores que vão muito além do desempenho dentro de campo. A própria lógica de uma empresa global como a adidas envolve vendas, penetração em mercados, reputação, capacidade de gerar audiência e força de marca. O rendimento esportivo ajuda, mas não é o único elemento considerado.
É justamente aí que entra uma limitação estrutural do futebol brasileiro. A marca Flamengo possui uma audiência gigantesca, mas o Campeonato Brasileiro ainda não tem o mesmo alcance internacional das principais ligas europeias. Enquanto Premier League e La Liga fazem parte da rotina de consumidores de futebol em diferentes continentes, o torneio nacional ainda possui uma distribuição internacional muito mais limitada.
O Flamengo consegue criar picos de exposição fora do país em competições como o Mundial de Clubes. Foi o que ocorreu no último torneio, quando o clube enfrentou Chelsea e Bayern de Munique. A vitória sobre os ingleses e o confronto com os alemães proporcionaram visibilidade internacional e colocaram a equipe novamente diante de um público que normalmente não acompanha o futebol brasileiro diariamente.
O problema é a frequência. O Mundial acontece a cada quatro anos. O Intercontinental oferece algumas oportunidades pontuais, mas também não estabelece uma rotina suficiente para transformar a audiência estrangeira em consumo permanente.
O salto definitivo depende, portanto, de um Campeonato Brasileiro mais internacionalizado.
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A liga brasileira é parte da equação
Uma liga nacional mais organizada, profissional, previsível e comercialmente forte poderia ser decisiva nessa transformação. Uma competição transmitida regularmente na Europa, na Ásia e em outros mercados faria o Flamengo aparecer muito mais vezes diante de consumidores estrangeiros.
Isso mudaria também a percepção das grandes marcas esportivas. Um clube que hoje possui enorme força no Brasil poderia passar a apresentar números mais relevantes de venda internacional, audiência e presença física em diferentes países.
Nesse cenário, a adidas teria mais motivos para migrar o Flamengo de uma elite regional para uma elite global. Não apenas porque o clube seria mais conhecido, mas porque sua capacidade de gerar negócio fora da América do Sul seria comprovada de maneira contínua.
Existe ainda um elemento importante: o Flamengo já possui um ponto de partida muito forte. Sua torcida, sua capacidade de consumo e sua presença cultural dão à marca uma base que poucos clubes fora da Europa conseguem apresentar.
O obstáculo está em converter essa força em distribuição internacional.
A força de Arrascaeta também ajuda
A escolha de Arrascaeta na campanha da adidas merece atenção. O uruguaio funciona como um dos rostos da marca Flamengo nesse contexto e reforça a capacidade do clube de associar jogadores de grande identificação regional a uma comunicação internacional.
É diferente de simplesmente colocar o escudo do Flamengo numa peça publicitária. A adidas escolheu um jogador reconhecido, inseriu o clube num grupo seleto de parceiros e mostrou o Rubro-Negro dentro da mesma narrativa visual de suas maiores propriedades.
Isso ajuda a construir uma imagem de proximidade com o topo, ainda que a própria categorização mostre que existe um degrau a ser ultrapassado.
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Um clube cada vez mais valorizado pela fornecedora
O avanço comercial do Flamengo dentro da adidas também precisa ser analisado em perspectiva. Durante muito tempo, clubes brasileiros foram tratados pelas grandes fornecedoras como mercados relevantes, mas secundários diante da força das equipes europeias.
Hoje, o Flamengo ocupa um espaço diferente. O clube participa de campanhas internacionais, recebe lançamentos com grande quantidade de produtos, possui ativações próprias e aparece como referência dentro da carteira regional da adidas.
Isso não significa que o Flamengo já tenha alcançado o mesmo nível de Manchester United ou Real Madrid. A própria estrutura apresentada pela adidas mostra que ainda existe distância.
Mas há também um sinal bastante claro de evolução. O Flamengo deixou de ser apenas um parceiro brasileiro da adidas e passou a representar, dentro da América do Sul, uma propriedade de primeira linha.
O próximo passo não depende apenas do clube. Depende da transformação do futebol brasileiro em produto internacional. Se o Campeonato Brasileiro conseguir ampliar audiência, profissionalizar sua organização e estabelecer uma distribuição global, o Flamengo terá condições de explorar uma força de marca que hoje ainda está concentrada sobretudo no Brasil e no continente.
Por enquanto, o retrato é bastante claro: o Flamengo já está na elite regional da adidas, divide campanhas com os maiores clubes da fornecedora e possui espaço para continuar subindo. O grupo global ainda não chegou, mas deixou de parecer uma hipótese distante.
Flamengo se mantém na elite da Adidas e reforça posição como principal marca da América do Sul
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